Guedes propõe distribuir restos dos mais ricos para mais pobres

Pochmann: ‘Tributação dos privilegiados, nem pensar’.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, atacou a refeição dos brasileiros. Durante evento promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Guedes afirmou que, ao contrário dos europeus, que fazem um prato com pouca comida, o brasileiro coloca muita e acaba desperdiçando. E completou: “Podemos pensar em um incentivo para que todos esses alimentos perdidos, em vez de serem jogados fora, possam serem canalizados para programas sociais, como postos de atendimento endereçados aos mais necessitados.”

A ideia do ministro foi prontamente rechaçada pelo professor Marcio Pochmann, que tuitou: “Mais direto, impossível. Ministro da Economia recomenda, como política assistencial do governo, a repartição do ‘excesso’ das refeições dos ricos às massas famintas do país; jamais a tributação dos ricos, poderosos e privilegiados, que seguem protegidos pelo receituário neoliberal.”

 

Adeus à classe média

Em recente artigo publicado em OutrasPalavras, Pochmann comentou o “adeus à classe média e ao ‘charme capitalista’”. Ele lembrou a intensa mobilidade no interior da estrutura social que o Brasil experimentou entre as décadas de 1930 e 1980.

No ano de 1986, segundo Pochmann, 49,2% da população brasileira podia ser enquadrada na condição de classe média proprietária e assalariada, se atribuída por perfil da formação educacional, profissional, ocupacional, status e remuneração. No período inferior a quatro décadas anteriores, a mesma definição de classe média não alcançava 12% do total da população brasileira.

Esse quadro começou a mudar dede “o ingresso passivo e subordinado na globalização conduzido pela Era dos Fernandos” (Collor e Cardoso). “Mesmo com a elevação do nível educacional da classe trabalhadora e maiores requisitos profissionais seletivos adotados pelo patronato, as ocupações seguem cada vez mais precárias, acompanhadas por status decadente e remunerações irrisórias.”

A classe média assalariada refluiu, alcançando um pouco mais de 1/3 da população atual. Ou seja, quase 30% abaixo do que era quando havia iniciado o ciclo político da Nova República, em 1985. “Os governos do neoliberalismo nos anos 1990 iniciaram a ruína da classe média, sobretudo com a destruição dos empregos industriais e a conversão de postos do trabalho assalariado para os de empreendedores de si mesmo (‘pejotização’, ‘MEI’).”

“Ricos, poderosos e privilegiados conseguiram ficar ainda mais enriquecidos, mesmo que simultaneamente o país acumulasse o encolhimento de 7% no total da riqueza nacional somente nos últimos seis anos”, finaliza o professor de Economia da Unicamp.

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