Guedes quer salvar economia ou ajudar o mercado novamente?

O desemprego e a estagnação da economia bateram fundo na popularidade do governo, o que levou o presidente Jair Bolsonaro a cobrar da equipe econômica um plano para dar algum ânimo ao país. O problema é que a equipe ultraliberal não sabe o que é produção e não consegue se livrar de seus dogmas.

O que foi ventilado até agora, em caráter de teste de audiência, parece mais um pacote para beneficiar a Bolsa de Valores. Uma das medidas seria permitir transformar créditos públicos (dinheiro que os governos devem a fornecedores) em recebíveis, títulos que poderiam ser negociados no mercado.

Acontece que, como o governo demora para pagar – e os cortes impostos por Guedes e cia. só agravam o calote – quem negociasse esses papéis iria querer um prêmio (desconto no valor do crédito) altíssimo. Só quem estivesse desesperado por dinheiro aceitaria. É só ver o que acontece no setor de precatórios, dívidas judiciais líquidas e certas, mas que os governos enrolam para pagar; o desconto, para pagamentos programados para o ano, não fica por menos de 30%.

Outra medida seria para alterar a política de preços mínimos no setor agropecuário. O governo compraria títulos no mercado de opções na Bolsa e entregaria aos produtores. Se o preço cair, o produtor agrícola poderia vender o título. Com corretagem para o mercado e taxas para a bolsa, claro.

 

Paciência do empresário se esvai

Pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) em março mostrava que nenhum empresário do setor tinha expectativa negativa em relação ao governo. O levantamento de abril apresentou um quadro completamente diferente: um em cada quatro industriais têm uma projeção negativa sobre as ações governamentais; 63% veem tais ações com indiferença; somente 12% das empresas ainda demonstraram otimismo para os próximos meses.

Pesou na mudança de ânimo o potencial bloqueio dos repasses ao Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) pela Caixa Econômica em junho. Apesar de tudo, a pesquisa ainda aponta que 83% dos associados da Abramat pretendem investir na linha de produção (modernização ou expansão) nos próximos 12 meses, a primeira vez que tal resposta atinge o patamar dos 80% desde setembro de 2012.

 

Que turista visitou o Rio na Páscoa?

Quase metade dos turistas que aproveitaram o feriado da Páscoa para visitar o Rio de Janeiro eram de São Paulo (48%); 27% vieram de Minas. O Airbnb já passou os apartamentos por temporada na preferência do vistante, com 27% contra 20%; hotel ainda é o meio de hospedagem mais escolhido, com 40%.

Os pontos positivos foram praias (30%), gastronomia (21%) e população anfitriã (17%). Os negativos: segurança (39%) e limpeza (26%). Oito em cada dez viajantes voltaria ao à capital do Rio.

A pesquisa feita pela Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ e pela Fundação Cesgranrio, com o apoio do Portal Consultoria em Turismo, da Escola de Turismo Cieth e da Sergio Castro Imoveis, foi realizada de 18 a 21 de abril, com 700 turistas brasileiros, em dez bairros do Rio. A coordenação foi do professor Bayard Boiteux, diretor executivo do Instituto de Pesquisas e Estudos do Turismo do Rio de Janeiro.

Para Claudio Castro, que preside a Associação, a pesquisa é uma ferramenta para orientar as futuras campanhas de marketing e permitir aos órgãos competentes aprimorar aspectos que podem melhorar a percepção dos que visitam o Rio.

 

Baixo risco

Será que a imobiliária e a construtora da milícia da comunidade da Muzema, no Rio de Janeiro, estariam entre as empresas que não precisarão de alvará para funcionar, de acordo com a MP da Liberdade Econômica de Bolsonaro?

 

Rápidas

Privacidade na era digital e Lei de Proteção de Dados são alguns dos temas do 1º Seminário de Direito Digital do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), 9 e 10 de maio, no Centro do Rio. Inscrições em iabnacional.org.br/eventos *** No dia 21, o advogado José Roberto de Almeida, do escritório Di Blasi, Parente & Associados, vai moderar uma mesa redonda sobre Decisões Liminares em relação às marcas no INTA Annual Meeting, em Boston *** Neste domingo, a agricultura familiar terá mais uma edição da Feira Caxias Shopping *** Corrigindo: abril é verde (prevenção a acidentes de trabalho); maio é amarelo (segurança no trânsito); mas infelizmente o que não tem correção é o Brasil, que vai mal em ambos.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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