Guerra do Irã e inflação de serviços podem fazer Copom repensar corte da Selic

Choque do petróleo e preços persistentes no setor interno não devem impedir reduções da taxa de juros

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Banco Central (foto Marcello Casal Jr., ABr)
Banco Central (foto Marcello Casal Jr., ABr)

Embora tenha sinalizado que pretende iniciar um ciclo de cortes na taxa de juros do país – a Selic -, é possível que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, seja menos “agressivo” agora. Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), o aumento do preço do petróleo no mercado global e a inflação dos serviços, no cenário nacional, devem fazer com que a Selic caia menos que o esperado.

O ciclo de redução, assim, deve ser iniciado com um corte de apenas 0,25 ponto percentual (p.p.), fazendo a Selic ficar em 14,75%.

A inflação dos serviços segue pressionada – resultado do mercado de trabalho ainda aquecido, da renda real em elevação e, como consequência, da demanda interna resiliente. Ainda que o IPCA acumulado nos últimos 12 meses esteja em 3,8%, abaixo do teto da meta (4,5%), os preços do setor tendem a ser inerciais, e respondem de maneira mais lenta à política monetária.

Além disso, os chamados núcleos da inflação voltaram a subir, indicando maior dificuldade para que a inflação atinja o centro da meta.

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Já a guerra entre Irã, EUA e Israel abriu o flanco de incertezas mais robusto da última década no cenário internacional, fazendo o preço do barril de petróleo explodir em um intervalo de duas semanas. Esses choques tendem a se transmitir com mais intensidade nas economias que operam acima do nível potencial de produção, o que lidam com demandas aquecidas. É um aspecto de caráter crítico ao Brasil: com atividade doméstica em alta, o aumento do petróleo pode se tornar inflação persistente.

“Soma-se a isso a própria estratégia do comitê, que tem tentado transmitir lógicas estáveis e certas ao mercado, evitando surpresas que se transformem em crises. Assim, o grupo deve evitar mudanças inesperadas. O ciclo de redução da Selic deve ter início na reunião dessa semana, mas a duração e intensidade dos cortes são cada vez mais incertos diante das conjunturas doméstica e internacional”, diz a federação.

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