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Haddad: ‘EUA são incoerentes ao tarifar o Brasil’

'Postura brasileira é a melhor possível ante parceiro histórico', diz; para Celso Amorim, China oferece mais oportunidades e menos riscos

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Fernando Haddad no evento 'E agora, Brasil?' (foto Antônio Cruz, ABr)
Fernando Haddad no evento 'E agora, Brasil?' (foto Antônio Cruz, ABr)

Nesta quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo dos EUA é incoerente por estabelecer tarifas adicionais aos produtos brasileiros. Segundo ele, a atitude não faz sentido para um país que tem superávit em relação a outro.

“Essa é a incoerência que estamos tentando chegar às autoridades americanas. E vamos ter que fazer valer o que o Congresso aprovou com unanimidade, a Lei da Reciprocidade. Mas a diplomacia brasileira é expert nisso, vai saber tomar as medidas certas na hora certa, depois de muita negociação”, disse o ministro.

“Acredito que o governo brasileiro está tomando a melhor postura possível. Considerar um parceiro histórico. Entender que é um momento delicado da história americana, e temos que saber lidar com isso. E colocando nossos pontos de vista, que são totalmente defensáveis.”

Já Celso Amorim, assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, garantiu que a China oferece “mais oportunidades” e “menos riscos comerciais” do que os EUA, após a guerra tarifária lançada pelo presidente Donald Trump, que coloca em risco os princípios da política externa brasileira.

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“A China agora tem recursos disponíveis para investir no exterior que os EUA não têm. A China hoje oferece ao Brasil mais oportunidades e menos riscos”, disse, em entrevista a’O Globo.

Amorim explicou que talvez os EUA não pretendam apenas impor tarifas indiscriminadamente, mas também “forçar” os países a realizar negociações bilaterais em detrimento do sistema multilateral.

“Essa ruptura do multilateralismo é expressamente apontada na nota da Casa Branca, que também elogia os acordos do século passado”, disse Amorim, lembrando que a recessão iniciada na década de 1930 teve como uma de suas causas as políticas que Washington está defendendo agora.

“O colapso do sistema multilateral traz consigo danos muito maiores do que qualquer vantagem comparativa que ele possa ter”, alertou, sem descartar a possibilidade de uma recessão internacional, embora veja uma certa “percepção diferente” nos EUA após a “tempestade global” desencadeada por Trump.

Já para o especialista Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, “considerando todo o contexto geopolítico e econômico, o dólar tende a se fortalecer no curto prazo, mas esse fortalecimento pode ser passageiro se a questão tarifária dos EUA começar a afetar o crescimento americano.”

E para Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio, “se, por um lado, os EUA querem proteger sua indústria, por outro estão fragilizando o consumo interno com tarifas absurdamente altas. O consumidor americano, que sustentou a retomada nos últimos anos, pode começar a sentir o peso no bolso. Com inflação importada e bens mais caros, até o poder de consumo pode diminuir drasticamente.”

Com informações da Agência Brasil e da Europa Press

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