Haja sacrifício

Os gastos do setor público com juros no primeiro semestre valem mais do que mil discursos para explicar a inutilidade do novo ajuste fiscal tramado nos porões da equipe econômica. Entre janeiro e junho deste ano, foram esterilizados R$ 59,209 bilhões, ou 10,17% do PIB, com juros e encargos. No mesmo período do ano passado, essa derrama fora de R$ 39,949 bilhões (7,73% do PIB). E nos 12 meses encerrados em junho deste ano, a farra alcançou R$ 106,705 bilhões (9,25% do PIB).
Diante dessa drenagem de recursos, a proposta de elevar o superávit primário (exclui gastos com financeiros) para 4% do PIB para cobrir os gastos com juros revela-se, além de deletéria, inócua em todos sentidos. Para se ter uma idéia do custo da opção preferencial do tucanato pela banca para o desenvolvimento do país, basta lembra que os recursos destinados à Saúde – rubrica mais bem aquinhoada no Orçamento para este ano fora do mundo encantado da especulação – somam R$ 19,20 bilhões.
Podres poderes
Plagiando o personagem de Woody Allen, no seu Poucas e boas, se nem a presença de um presidenciável tucano na Saúde impede que o setor receba em todo o ano R$ 40 bilhões a menos que os gastos com juros já consumiram em apenas seis meses, alguma mensagem os deuses tucanos querem mandar para o país. Algo mais ou menos na linha: o candidato pode até ser o Serra, mas o primeiro-ministro é o Malan.

Ultrapassagem
Mudanças no ranking de seguros, capitalização e previdência, elaborado pelo consultor do MONITOR SEGUROS, Francisco Galiza. Com os dados oficiais de abril, Bradesco assumiu a liderança no setor de capitalização, deixando para trás Brasilcap, então primeira colocada, e Itaú. Bradesco totalizou nos quatro primeiros meses do ano R$ 321,6 milhões em Receita com Títulos, alcançando 21,06% de participação no mercado. Brasilcap ficou com 20,3% e Itaú com 15,82%. Números parciais de maio, divulgados pela federação das seguradoras, mostram Bradesco ainda na liderança, com 22,25% do mercado e crescimento de 40,09% em relação ao mesmo período do ano passado. Na empresa, já se comemora a manutenção do primeiro lugar no primeiro semestre de 2001.
Pulo
Em previdência privada, a surpresa ficou por conta do salto de HSBC/CCF, que ficou em segundo lugar, atrás apenas de Bradesco. Em 2000, HSBC figurava em 15° lugar, com R$ 9,6 milhões em Rendas de Contribuições, e a CCF em sétimo, com R$ 31,1 milhões. Juntos, faturaram R$ 243,2 milhões. A participação de Bradesco caiu de 52,97%, em 2000, para 44,28%.
Mais perto
No ramo de seguros, a diferença que separa a Sul América, líder, da Bradesco, segunda, vem caindo. No acumulado até abril a primeira colocada tinha 20,09% do mercado, contra 19,56% da Bradesco. Até março, os números eram 20,35% e 19,11%, respectivamente. No acumulado janeiro/abril de 2000, a vantagem da Sul América era mais folgada: 20,05% contra 16,6% da segunda colocada.
Outro destaque no ranking de abril foi Real Seguros, que ultrapasso a HSBC/CCF e ficou em sétimo lugar. No ramo Automóvel, a Sul América recuperou a primeira posição da Porto Seguro. Do mesmo modo, em abril, a Real Seguros ganhou uma posição no ramo, ultrapassando a Itaú Seguros, em uma disputa bastante apertada.

Lunático
Dizem que há, entre o pessoal que tomou o caminho da roça, até hoje quem não acredite que o homem foi à lua. Sábio e cosmopolita – e quem sabe até de olho no voto dessa gente – o ministro Pedro Malan tem se esforçado para convencer tais incrédulos. Afinal, quem vê Malan falar em recintos fechados tem a clara sensação de estar diante de um marciano recém-chegado ao país real. E, como diria o personagem de Dostoievski, se marcianos podem vir à Terra vestindo terno e gravata, tudo é permitido.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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