Haraquiri

A tentativa de setores do Palácio de convencer o presidente Lula a aproveitar o aprofundamento da crise para ampliar a hegemonia da equipe econômica no governo, ainda que à custa de defenestrar o ministro José Dirceu, principal quadro político do PT, é operação de alto risco. Essa opção parte de grave erro de diagnóstico, ao ignorar que não é a área política que contamina uma gestão econômica supostamente virtuosa, mas esta é que conduz o PT a práticas políticas pouco ortodoxas. Além disso, quebrar a espinha do partido num momento de crise para aprofundar uma política econômica que desmobilizou sua militância e base social equivale a botar fogo no picadeiro.

Pela culatra
A proposta da direção do PT de realizar um ato em defesa do partido pode ter o mesmo efeito bumerangue da proposta do então presidente Fernando Collor, de conclamar a população a sair de verde e amarelo para defender seu governo. O erro de cálculo sobre seu suporte popular – fruto de uma mistura de autismo plaunaltino e arrogância típica do poder – teve o condão de ajudar a reorganizar uma oposição, até então, aturdida e sem rumo. Genoino que se acautele. De tanto acusar a CPI dos Correios de palanque da oposição, ainda produz um para a oposição.

Entranhas do poder
Independentemente de – por questões táticas ou não – o deputado Roberto Jefferson dizer, candidamente, não ter provas das estrondosas acusações que faz ao governo e a sua base congressual, a tentativa de desqualificar seu depoimento está longe de resolver a questão. Afinal, a conquista do status de “parceiro” e detentor de “cheque em branco” do presidente da República não é obtida sem profunda intimidade com o poder.

Faz-de-conta
Apesar de as novas denúncias de Roberto Jefferson já nascerem desqualificadas pelo próprio autor, nada justifica o tom de surpresa adotado por alguns políticos. A presença dos governos – do federal aos municipais – nas campanhas é de conhecimento de todos que atuam na política e até de quem é de fora da área. Como esse envolvimento se dá – e quanto, principalmente – é trabalho não para uma, mas para uma dezena de CPIs.

Ética
Autora de cinco livros sobre ética nas empresas, sendo uma das publicações (The Working Life) premiada como o melhor livro de negócios do ano de 2000 pelos editores da Amazon, a professora Joanne Ciulla, da University of Richmond, será a palestrante no seminário “O desafio de uma liderança efetiva e ética”. O evento discutirá o conceito de liderança e o dilema enfrentado por líderes que devem conciliar demandas por eficácia e ética no desempenho de suas funções. Será nesta terça-feira, no Ibmec/RJ (Av. Rio Branco, 108 / 21º andar – Centro)

Injustiça cega
Estima-se que uma criança torna-se cega a cada minuto no mundo, calamidade ainda maior em países em desenvolvimento. Entre a 1,5 milhão de crianças cegas no mundo, 75% apresentam causas curáveis ou que poderiam ter sido prevenidas. Uma delas é a catarata congênita. Segundo a agência Notisa, pesquisa feita pela Fundação Altino Ventura e pela Universidade de Pernambuco avaliou o perfil de 40 pacientes com catarata infantil. A maioria das mães era de baixa renda e escolaridade; 92,5% não foram vacinadas contra rubéola e 13 apresentaram a doença durante a gravidez.

Autônomo
Mostrar a urgência de o Brasil livrar-se do atual modelo econômico para tornar-se seguro e próspero é um dos objetivos de Globalização X Desenvolvimento, livro de Adriano Benayon. O autor demonstra como e por que se desenvolveram os países que são hoje centros mundiais e sedes de grandes empresas transnacionais: Inglaterra, nos séculos XVII e XVIII; EUA e Alemanha, no final do século XIX; Japão, no século XX. Em todos, foi essencial a base cultural e a interação entre o Estado e o capital nacional. Benayon, doutor em Economia pela Universidade de Hamburgo e bacharel em Direito pela UFRJ, mostra que o único desenvolvimento possível é o autônomo. O prefácio é assinado pelo deputado federal Enéas e por Bautista Vidal.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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