Hegemonia em xeque

O editor César Benjamin, integrante da Consulta Popular, aponta um motivo adicional para obsessão de Bush em invadir o Iraque. Depois de lembrar que com a desconfiança dos investidores sobre a economia dos Estados Unidos, após o estouro da “bolha” da Internet, o euro subiu em relação ao dólar, Benjamin observa que o governo norte-americano não aceita que o Iraque mantenha suas reservas internacionais em euros e não mais em dólares.

Primeira dose
A combinação de juros básicos mais elevados e compulsórios mais altos deixará o crédito mais caro e escasso, avalia Luiz Rabi, economista-chefe do BicBanco. “É um choque recessivo destinado a inibir aumentos de preços e trazer a curva a inflação projetada mais próxima de suas metas. O problema é que se não forem observadas modificações rápidas e significativas no comportamento das expectativas inflacionárias, a dose amarga irá aumentar”, prevê. Rabi não tem dúvidas de que os juros cobrados pelos bancos vão às alturas: “Como o mercado é um oligopólio, as taxas de empréstimos para pessoas físicas e jurídicas subirão para compensar a perda de rentabilidade que a elevação da alíquota do compulsório acarreta.”

Belicismo permanente
Diferentemente do que têm afirmado palpiteiros improvisados em analistas militares, um desfecho rápido do ataque dos Estados Unidos ao Iraque representa muito mais instabilidade para o mundo do que uma guerra prolongada. Na primeira hipótese, George Bush se veria tentado a estender sua política de ataque preventivo a qualquer parte do planeta que lhe fosse conveniente. Além dos insuportáveis custos humanos, sociais e políticos, essa exibição de imperialismo permanente deixaria a economia global, incluindo seus respectivos e sensíveis “mercados” sobre o risco de sobressaltos permanentes.

Sustentável
A criação de uma Câmara de Desenvolvimento Sustentável como parte do Conselho de Governo foi proposta pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) ao novo governo federal. “A idéia central é fazer com que a filosofia do desenvolvimento sustentável permeie todos os ministérios e agências reguladoras. O novo governo precisa rever a estrutura herdada na área ambiental, velha de três décadas e que não espelha os requisitos da sustentabilidade. Só assim, quebraremos a lógica perversa que considera as áreas econômica, ambiental e social isoladamente”, avalia Fernando Almeida, presidente executivo do Cebds.

Desplugada
Em 2001, a indústria de informática e telecomunicações sofreu forte retração. De acordo com dados recentes da Organização Mundial de Comércio (OMC), que ainda não divulgou seus números sobre o ano passado, em 2001 as vendas de materiais semicondutores desabaram 29%, as de computadores caíram pela primeira vez em 15 anos e as de celulares ficaram estagnadas.

Retomar o leme
Mais do que justa, é urgente a investida do presidente Lula contra o poder paralelo das agências ditas reguladoras. Para dar maior consequência a sua ação contra “a ausência da influência do presidente na adoção de medidas essenciais à política econômica”, é indispensável que Lula inclua nessa cruzada a retomada do controle sobre o Banco Central. Afinal, nada deixa mais um governo abúlico do que a renúncia à política monetária, com suas conseqüências sobre o desemprego, renda, produção, violência etc.

Desperdício zero
Em tempos de Programa Fome Zero, salta aos olhos a pesquisa realizada pela Secretaria de Infra-Estrutura do Ministério da Integração Nacional e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que revela que 86% das avarias e das perdas da seção de frutas, legumes e verduras ocorrem na exposição no ponto-de-venda e outros 9% durante o transporte e a armazenagem. Os desperdícios no setor de hortifruti poderiam alimentar 19 milhões de pessoas, segundo a associação ECR Brasil, que incentiva a adoção de ferramentas de relação com consumidores para elevar a eficiência da cadeia de suprimentos

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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