Heil, Peres!

Como se sentiria, naqueles sombrios anos 40 do século passado, um judeu residente em alguns dos muitos guetos da Europa em que os confinavam os nazistas, se, após uma das muitas expedições “punitivas” contra ações de resistência, Hitler ou um dos seus acólitos lhe explicasse, candidamente, que a desproporção de baixas entre crianças nazistas e judias devia-se ao fato singular “de nós cuidarmos melhor das nossas crianças”. Pouco menos de um século depois daquelas atrocidades, o presidente de Israel, Shimon Peres, permitiu-se oferecer ao mundo esse tipo de argumento para justificar a diferença entre a ausência de assassinatos de crianças judias por palestinos e a cerca de uma centena mortas por tropas israelenses.

Pós-guerra
Não se limitam às baixas militares nem à perda de capital simbólico, provocado pelo massacre que impõe aos palestinos, os problemas de Israel. Com a infra-estrutura de Gaza destruída e o já frágil Estado local reduzido a frangalhos, quem vai se encarregar de normalizar, dentro dos limites possíveis, a vida social lá? Ou Israel pretende retomar a ocupação militar que tantas perdas, militares, econômicas e morais, lhe custou até 2005?

Olho da serpente
Além disso, caso Israel consiga, de fato, debilitar fortemente a estrutura do Hamas – álibi que mobilizou para justificar a invasão – que tipo de sucessor político espera ver surgir como ator-substituto? Anjinhos ou o desmoralizado Fatah, arrastado para o ostracismo por sua omissão diante do massacre?

Missão
Nesta quarta-feira, os deputados Paulo Teixeira (PT-SP) e Pedro Wilson (PT-GO) entregam aos embaixadores de Israel e da Palestina no Brasil manifesto pelo restabelecimento da paz na Faixa de Gaza. Nas duas cartas, nas quais são sugeridas medidas para chegar ao fim das hostilidades, que já deixaram mais de 600 mortos naquela região do Oriente Médio.

Na lata
A nova forma de tributação aplicada ao setor de bebidas como refrigerantes, cerveja e água traz prejuízos aos fabricantes que utilizam garrafas PET, afirma o presidente da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras), Fernando Rodrigues de Bairros. “Ao comparar os novos tributos aplicados a uma garrafa PET 350ml e a uma lata de 350ml, o imposto destinado à PET ficou 76,88% maior do que o destinado à lata”, salienta Bairros.
Ainda segundo o presidente da associação que junta os pequenos e médios fabricantes brasileiros, a proposta de mudança no sistema de cobrança de tributação é extremamente válida, mas peca ao definir uma base para cada tipo de embalagem, pois existem embalagens que são concorrentes. “Toda embalagem de consumo individual deve possuir somente uma base de cálculo de tributação, mesmo porque, os fabricantes não transformam a embalagem, somente o líquido. O que se nota é uma tentativa de proteção e medo de uma concorrência igualitária no mercado”, denuncia.

Proteção
Mais de 400 mil armas que estavam sem registro ou contavam com os registros estaduais foram recadastradas em 2008, de acordo com balanço preliminar da Polícia Federal. O prazo para recadastramento sem necessidade de taxas ou testes psicológicos terminou no dia 31 de dezembro. A estatística corresponde ao total de pedidos feitos pela Internet. A PF ainda vai contabilizar as solicitações feitas diretamente nas unidades da corporação em todo o país.
A manutenção da arma de fogo em casa sem o registro atualizado na Polícia Federal é considerada crime, previsto no Estatuto do Desarmamento, com penas que podem chegar a seis anos de prisão. Espera-se que a punição atinja também aos bandidos, e não apenas ao cidadão que busca numa arma a proteção que o Estado não oferece.

Menos exposto
Embora bem superior ao patamar anterior ao Plano Real, editado em 1994 – quando esse índice era inferior a 20% do produto interno bruto (PIB) – o fato de a corrente de comércio (exportações mais importações) do Brasil situar-se em 29,5% do PIB, bem abaixo de outros países em desenvolvimento, longe de ser demonstração de subdesenvolvimento, é um fator para minimizar os estragos da crise internacional. Num mundo cada vez mais instável, ser menos dependente do comércio com o exterior e, ao mesmo tempo, portador de um gigantesco mercado interno ainda pouco explorado representa um ganho comparativo.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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