Herança de bilionários cresce, impostos não acompanham

Pela primeira vez, mais herdeiros que empreendedores entre novos multimilionários

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Dólar (Foto: Nikolay F.)
Dólar (Foto: Nikolay F.)

A maioria dos multimilionários que acumularam riqueza no ano passado o fez através de herança e não através do empreendedorismo. É a primeira vez que isso acontece em nove edições do relatório UBS Billionaire Ambitions, divulgado pelo banco suíço nesta quinta-feira (30).

“Este é um tema que esperamos ver mais nos próximos 20 anos, à medida que mais de mil bilionários passarem cerca de US$ 5,2 trilhões para os seus filhos”, disse Benjamin Cavalli, Chefe de Clientes Estratégicos da UBS Global Wealth Management.

Essa fortuna mudará de mãos, mas os governos pouco arrecadarão em tributos. Os impostos sobre herança vêm caindo nos Estados Unidos, por exemplo, através de reduções e isenções. Apenas 0,04% das heranças foram tributadas em 2020, ante 2,18% em 2000, segundo levantamento feito pela revista Forbes.

Teoricamente o imposto sobre herança nos EUA é de 40%. Mas, além dos benefícios concedidos, bilionários recorrem a planejamentos financeiros – como trusts, por exemplo – para beneficiar seus herdeiros pagando quase nada ao Fisco.

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No Reino Unido, o chanceler Jeremy Hunt esteve sob pressão de membros do seu partido para anunciar um corte no imposto sobre heranças na sua declaração de outono, semana passada. Diante da crise que afeta especialmente a classe média, Hunt manteve o imposto em 40% sobre propriedades com valor superior a £ 325 mil. O imposto afeta menos de 4% das famílias mais ricas do Reino Unido, segundo o jornal britânico The Guardian.

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Riqueza dos multimilionários cresceu 9%

Após um aumento na atividade empresarial ao longo das últimas décadas, o relatório do UBS deste ano concluiu que a próxima geração de multimilionários acumulou mais riqueza através de heranças do que através do empreendedorismo. Um total de US$ 150,8 bilhões foram recebidos por 53 herdeiros no último ano, ultrapassando o total de US$ 140,7 bilhões dos 84 novos multimilionários.

Globalmente, a riqueza dos bilionários se recuperou parcialmente no período 2022/2023, impulsionada por ricaços de empresas de consumo e varejo na Europa, depois de ter caído quase um quinto nos 12 meses anteriores. No geral, o número de multimilionários aumentou 7% a nível mundial no último ano, passando de 2.376 para 2.544 e a sua riqueza recuperou 9%, de US$ 11 trilhões para US$ 12 trilhões.

A próxima geração de herdeiros

Embora os bilionários com empresas inovadoras em tecnologia e saúde tenham acumulado a maior riqueza ao longo da última década, há sinais de melhoria da fortuna (+15%) para os bilionários com empresas industriais, o que provavelmente continuará em meio à transição energética e ao aumento dos gastos com defesa em muitos países.

“A próxima geração tem novas visões sobre negócios, investimentos e filantropia, redirecionando grandes reservas de riqueza privada para novas oportunidades de negócios decorrentes dos tempos em que vivemos. Projetar uma sucessão tranquila exigirá que os fundadores e suas famílias façam as coisas de maneira diferente, mais do que sempre descobrindo valores e propósitos comuns para navegar por um caminho a seguir que agrade a todas as gerações e lhes permita continuar construindo seus legados”, finalizou Cavalli.

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