Herança

Na entrevista coletiva em que anunciou o aumento de R$ 50 para o salário mínimo, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, fez questão de informar aos jornalistas que tanto sua cadeira e mesa, quanto a bandeira do Brasil que ornamenta o gabinete do Ministério no Rio foram usadas pelo ex-presidente João Goulart quando ocupou a pasta.

A implosão da política econômica
Um antigo bordão jornalístico defende que mais importante do que o fato é a versão. Do mesmo modo, mais importante do que o fato é a sua interpretação, que vai variar conforme os óculos que usem cada um dos observadores sociais. Por isso, é constrangedor que os defensores, dentro do governo e na “oposição”, que incensaram a desastrosa política econômica que mantém o Brasil semiparalisado já há duas décadas, tenham de admitir, candidamente, que a principal causa a empurrar o país para a recessão seja a falência dessa mesma política, até há pouco considerada tão meritória.
Tal quimera desconsiderava que um país que pratica os juros mais elevados do planeta somente poderia continuar pedalando enquanto esse instrumento de concentração de renda e drenagem de recursos para rentistas e especuladores convivesse com elevada liquidez internacional. O mesmo valia para o sucesso do agronegócio e o boom das commodities, que, via reprimarização da pauta de exportações, fizeram o país retroceder à República Velha. Diferença significativa é que, naquela época, São Paulo tinha a segunda maior frota de Rolls-Royce do mundo e, hoje, a mesma cidade ostenta a igual posição em relação ao número de helicópteros que cortam seu engarrafado céu.
Um governo que amplia a concentração de renda nos segmentos mais abastados da sociedade precisa ainda ampliar os mecanismos de crédito, mesmo mantendo juros extorsivos. Com isso, satisfaz a necessidades básicas de consumo e outras veleidades com o dom de criar sensações de pertencimento numa sociedade cada vez mais prisioneira da necessidade de homogeneização. Claro que tal convivência implicará, mais cedo ou tarde, o surgimento de bolhas e a subsequente explosão da inadimplência.
Longe de ser surpreendente, a implosão da política econômica era intrínseca aos fundamentos que a constituíam. O fato de que seu esfarelamento coincida com a maior crise mundial em 80 anos contribui para impedir qualquer tentativa de tergiversação sobre suas causas e, ao mesmo tempo, realça a urgência da procura por um novo modelo de bases menos frágeis. Em outras palavras, procuram-se estadistas.

Festival
Os ex-presidentes da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) Juana Nunes Pereira e Kérison Arnóbio Lopes Santos foram condenados pelo  Tribunal de Contas da União (TCU) ao pagamento de R$ 278.015,04 e R$ 43.360,41, valores atualizados. O tribunal afirma ter encontrado diversas irregularidades na prestação de contas do I Festival de Cultura e Arte, promovido pela entidade e financiado com recursos do Ministério da Cultura (MinC), em 1997. O relator foi o ministro Augusto Sherman Cavalcanti. Cabe recurso da decisão.
Foram constatados o pagamento de despesas fora do prazo de vigência do convênio com o MinC, pagamentos anteriores às contratações e execuções dos contratos e saques efetuados diretamente no caixa, o que impossibilitou o nexo entre despesa e os recursos repassados. O tribunal também multou Kérison Santos em R$ 2 mil e Juana Pereira em R$ 7 mil.

Sem carne de vaca
A novela Caminhos das Índias, da TV Globo, virou filão do mercado de festas. A casa Espaço 45, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, recebe dezenas de pedidos de temas indianos para aniversários e recepções de casamento.

Vem de longe
Não é de hoje a atração do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pelos holofotes. Mais conhecido como Carlos Mídia nos meios cariocas, Minc, nos anos 80, quando era deputado estadual verde, era visto com frequência filmando copinhos de mate para denunciar a poluição nas praias da cidade durante o Governo Brizola.

Rating
As agências de classificação de risco não erraram somente na avaliação de bancos e de papéis como CDOs e outros. Em relação a países, receberam a classificação de grau de investimento nações com estrondosos rombos em conta corrente em 2007, como Bulgária (-21% do PIB), Estônia (-16%), Grécia (-14%), Letônia (-23%), Lituânia (-13%), Romênia (-14%), Islândia (-16%) e Espanha (-12%).
Aliás, depois de entrar para o clube, o Brasil foi ladeira abaixo.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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