Herança maldita

Dos 19 milhões de segurados da Previdência Social, 6,4 milhões já recorreram ao empréstimo com desconto em folha, criado em 2004 pelo Governo Lula. O montante movimentado no empréstimo consignado somou R$ 17,9 bilhões. A maioria dos beneficiários, 57,8%, prefere pagar a dívida entre 31 e 36 meses, limite atual de parcelas. Até 2005, existiam contratos de até 60 meses, que foram proibidos, deixando de constar das estatísticas do Dataprev, que divulgou esses números no último dia 13.

Garantia
“O empréstimo e a venda consignados foram artifícios criados pelo nosso sistema capitalista para as empresas terem o pagamento garantido e não sofrerem as consequências da inadimplência. Uma dica que é recorrente, mas sempre vale a pena ser dada: nunca comprometa mais de 30% da sua renda com o pagamento das parcelas de um empréstimo, seja consignado ou não. Nunca se esqueça de que o sistema zela muito bem pelo cofre das instituições financeiras. Mas do nosso bolso, quem cuida somos nós mesmos”, adverte o presidente da Boriola Consultoria, Cláudio Boriola.

Futuro hipotecado
Boriola acrescenta que, em 25,9% das operações, a faixa salarial do beneficiário é de um salário mínimo. Os que ganham entre um e dois mínimos respondem por 40,9% das transações: “Ou seja, quem tem uma maior probabilidade de se complicar posteriormente com os descontos do empréstimo consignado acaba sendo também quem mais se utiliza deles”, conclui o consultor.

Saco sem fundo
O consultor acrescenta que outra pesquisa, realizada pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo, em setembro, revela que a grande maioria (65%) recorre ao crédito consignado para aproveitar os juros um pouco menores do que os do empréstimo convencional (2,86% ao mês, para os beneficiários do INSS) para quitar outras dívidas. Já 12% usam esse tipo de empréstimo para “ajudar a família”, sem que a pesquisa explicite se isso é uma forma de pagar dívidas de familiares ou ajudar em um empreendimento ou pequeno negócio.

Receptivo
Na próxima quinta-feira, o professor Bayard Boiteux, diretor de Turismo da UniverCidade, faz palestra sobre turismo receptivo no Rio, no Congresso da Abav, no Riocentro, dentro do projeto Turismo em Curso.

Nova direção
Alexandre Silva, presidente e CEO da GE no Brasil, assume no próximo dia 1 a presidência do Conselho Administrativo da Câmara Americana de Comercio (Amcham). Silva vai substituir Hélio Magalhães, presidente da American Express.

Levantar vôo
Maricá, cidade da Região dos Lagos fluminense, inaugura nesta quarta-feira seu Pólo Aeronáutico e Logístico, com o início das obras da fábrica Jabiru Brazil. A empresa, com suporte tecnológico da australiana Jabiru Aircraft, vai investir R$ 3 milhões para montagem de aeronaves de pequeno porte, incluindo ultraleves. A previsão é de produção de três aeronaves por mês, alcançando ao final do primeiro ano dez unidades mensais, com faturamento estimado de R$ 24 milhões por ano. Serão gerados 80 empregos diretos e estimados 300 indiretos.
O pólo revitalizará o Aeroporto de Maricá, que tem capacidade para receber aviões de até 50 passageiros e está com ociosidade de 90%. O pólo terá na primeira fase 40 mil m² e foi planejado para dar suporte às atividades de prospecção na Bacia de Santos – apesar do nome, as principais descobertas nessa área estão localizadas em frente aos municípios fluminenses de Niterói e Saquarema, além de Maricá, inclusive os promissores poços BS 500 e BS 11.

Atrás do biombo
Que tal se Lula e Alckmin aproveitarem a campanha eleitoral para, em vez de representar personagens construídos por marqueteiros, passarem a dizer de público as promessas que fazem nos bastidores para os que, à revelia do eleitorado, se pretendem donos da agenda do novo governo?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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