Hidrogênio pode acelerar transformação energética do Brasil, diz KPMG

Necessidades de energia deverão mudar nos próximos 30 anos.

Considerando a situação climática global delicada, a necessidade de reduzir emissões de dióxido de carbono e o cumprimento das metas estipuladas no Acordo de Paris, recentemente destacadas na COP26, espera-se um maior desenvolvimento das energias renováveis. Nesse sentido, deve ocorrer um aumento da produção de hidrogênio verde, o que exigirá não apenas uma reorganização de custos e preços de produção, mas também, na capacidade de produção por eletrólise.

Além disso, o desenvolvimento mundial do hidrogênio verde contribuirá para o surgimento de novos setores que demandam esse combustível, substituindo o hidrogênio cinza e outros combustíveis poluentes. Essas são algumas das conclusões da publicação “A Produção de hidrogênio com tecnologias limpas como forma de acelerar a transformação energética na região”, conduzida pela consultoria KPMG.

O estudo destacou ainda que, estimando que cerca de 99% do hidrogênio produzido mundialmente seja baixo em carbono até 2050, os setores muito poluentes, como o de geração de energia elétrica, amplamente dependente de fontes fósseis, e os de indústria e transporte, entre outros, devem começar a mudar suas necessidades de energia para esse combustível nos próximos 30 anos. Outro apontamento relevante está na necessidade de aumento de iniciativas de pesquisa e desenvolvimento com foco no hidrogênio de baixo carbono e suas aplicações potenciais como vetor de energia no futuro.

“O Brasil e a América Latina serão fundamentais nesse contexto, pois, além de terem recursos naturais abundantes, e fontes renováveis alimentando sistemas energéticos em âmbito nacional, esses países também estão avançando para se transformarem em referência na produção e exportação futura de hidrogênio verde. Contudo, essa transição exigirá que os governos promovam novos marcos legais e políticas adequadas que incentivem investimentos neste combustível e forneçam apoio público e financiamento necessários para desenvolvê-lo”, afirma Manuel Fernandes, sócio-líder do setor de Energia e Recursos Naturais da KPMG na América do Sul e colíder Américas.

De acordo com o último relatório global de hidrogênio da IEA (Agência Internacional de Energia), a demanda global por hidrogênio verde foi de 90 milhões de toneladas em 2020, e 90% desse total foi produzido a partir de fontes fósseis, principalmente gás natural.

A publicação da KPMG também destacou os níveis globais de produção e a demanda por hidrogênio nas próximas décadas. Espera-se que o combustível atinja 212 milhões de toneladas até 2030 e cerca de 530 milhões de toneladas até 2050, com uma contribuição crescente do hidrogênio de baixo carbono, especialmente de fontes renováveis. Seguindo essas premissas, ele deve representar 18% da demanda global total em 2025, 70% em 2030, 91% em 2040 e 99% em 2050.

O combustível produzido por eletrólise, também conhecido como hidrogênio eletrolítico, também vem ganhando espaço, não apenas no total global demandado, mas, principalmente, na sua contribuição dentro das variantes de baixo carbono, superando inclusive o hidrogênio azul para o final do período analisado. Nesse cenário, o hidrogênio verde atingiria 61% da demanda global até 2050. Os setores que mais utilizam o hidrogênio como matéria-prima em processos produtivos são a indústria química, refinarias e, em menor escala, o setor siderúrgico ou metalúrgico.

Em setores que estão em fase inicial de desenvolvimento, será importante a cooperação e conexão internacional, com financiamento público. Importante ainda que o desenvolvimento do hidrogênio de baixo carbono em cada país dependerá não apenas do planejamento e dos objetivos estratégicos definidos por seus governos, mas também do avanço no uso de energia renovável, onde está uma das principais vantagens dos países latino-americanos.

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