Holocausto neoliberal

A reunião do G-8 que se encerra neste fim de semana, em Gênova, na Itália, é emblemática de uma década de neoliberalismo. Isolados em um navio e garantidos por cercas que lembram campos de concentração, os presidentes dos países mais desenvolvidos sentem na própria pele as conseqüências de viver num mundo de desigualdades tão gritantes, agravadas pela ganância de meia dúzia de especuladores internacionais.
Embora, desde 1960, a riqueza mundial tenha sido multiplicada por oito, hoje um em cada quatro habitantes da Terra sobrevive com menos de US$ 1 por dia. Em cada dois, um vive com menos de US$ 2 por dia. Um em cada três não tem acesso à energia elétrica. Um em cada cinco não tem acesso à água potável. Um em cada seis é analfabeto e, de cada sete adultos, um sofre de subnutrição.
Holocausto neoliberal II
O mais grave é que a erradicação da miséria seria relativamente barato se comparado seu custo a outros empregos menos nobres da riqueza acumulamada no planeta. O Programa da ONU para o Desenvolvimento (Pnud) e a Unicef – que trata de programas para infância e adolescência – estimam que um investimento anual de US$ 80 bilhões, ao longo de dez anos, garantiria a cada habitante da Terra alimentação, educação e saneamento básicos, saúde e água potável
Para quem acha a quantia exagerada, é bom saber que ela representa a metade da fortuna das quatro pessoas mais ricas do mundo. Ou ainda, um quarto do que os países em desenvolvimento torram anualmente para amortizar sua dívida externa; ou a mesma percentagem do orçamento militar dos Estados Unidos e 9% dos gastos mundiais com armamentos. Também equivale a 8% dos gastos com publicidade, boa parte dos quais destinados a consagrar valores e símbolos da hecatombe neoliberal.

Só 10%
O diretor de Desenvolvimento Urbano da Caixa Econômica Federal (CEF), Aser Cortines, disse ontem que a instituição já está financiando empresas estatais. No entanto, frisou que o financiamento será, no máximo, de 10% do valor total. O restante ficará a cargo da iniciativa privada. A CEF, segundo ele, ficará responsável pela análise dos pedidos e contratos. A CEF, diz, já está analisando uma solicitação de financiamento da Sabesp. E ressaltou que a instituição só irá financiar estatais que tenham boa saúde financeira, ou seja, condições de investimentos e pagamentos.

“Nosotros”
A promessa do governador de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, de restringir a moratória da província ao calote em credores internos, como assalariados, aposentados e fornecedores, cumprindo, no entanto, religiosamente as obrigações externas mostra que a paridade do dólar com o peso não é levada a sério nem pelos seus defensores mais fervorosos. Se não fosse isso, Ruckauf, vice-presidente de Carlos Menem, não discriminaria os credores de sua província pelo sotaque.

Ah, a viúva!
E a dona Ruth, hein? Do conforto das suas viagens ao exterior achou de bom tom dizer que o racionamento imposto aos brasileiros pelo governo de seu marido foi positivo por mostrar o desperdício de energia. Que desperdício, dona Ruth?. Quem paga a conta da luz do próprio bolso há muito tempo é obrigado a economizar para fugir das tarifas salgadas trazidas pela privatização. Já quem vive à custa do erário nos palácios…

Hereges em alta
Cresce no empresariado nacional ainda sobrevivente a defesa da proposta de flexibilizar a meta de inflação imposta pelo FMI, em lugar da manutenção da política de alta alucinada dos juros para contrair a demanda. Aliás, tirando o fervor ideológico, qual a diferença para o país de que a inflação deste ano fique em 6%, 6,5%, 6,999999%?

Desplugado
Desde sexta-feira e até o próximo dia 31, o Ministério do Apagão está desfalcado de seu titular. Sexta-feira, Pedro Parente iniciou uma folga de quatro dias que se autoconcedeu, à qual emendará uma temporada nos Estados Unidos para fazer palestras para investidores. Ou seja, em pleno racionamento, Parente está mais preocupado com a opinião de banqueiros internacionais sobre as últimas pechinchas do reinado tucano que as agruras dos brasileiros, impostas por esse modulo neocolonizado.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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