Holocausto

Apesar da propaganda oficial em contrário, o ano passado teve pouco motivos para ser comemorado pela turma do andar de baixo. Ao fim de dezembro de 2000, 14% dos brasileiros integravam famílias com renda inferior à linha de indigência, enquanto 34% das famílias detinham renda abaixo da linha de pobreza. Os dados, que revelam um quadro aterrador e sem maquiagem, constam do livro Desigualdade e pobreza no Brasil, organizado pelo economista Ricardo Henriques, do Ipea.
A linha de indigência corresponde à estrutura de custos de uma cesta alimentar, definida por critérios regionais e que cubra as necessidades de consumo calórico mínimo de uma pessoa. Já a linha de pobreza inclui um mínimo de outros gastos essenciais, como vestuário, habitação e transporte. Em 1999, havia 53 milhões de pobres no país, dos quais 22 milhões na humilhante condição de indigentes em um país com uma das dez maiores riquezas do planeta.

Marcha
Prefeitos devem em abril participar de uma “marcha a Brasília” para pedir mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal, além de pressionar pela reforma tributária, mais recursos para saúde, educação e iluminação pública, entre outros. A mobilização foi anunciada em Porto Alegre pelo presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, no “Seminário de Orientação às Novas Administrações” que termina hoje no Rio Grande do Sul. Ziulkoski disse que já estão programados encontros preparatórios para a marcha em 12 Estados. O próximo, na semana que vem, acontecerá em Cuiabá (MT). O presidente da confederação criticou os artigos 35 e 62 da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Progresso
O Brasil ficou com o primeiro lugar mundial em número de carros blindados no ano passado – 4 mil -, segundo levantamento de uma empresa norte-americana fabricante de vidros à prova de bala.

Ganhos
Uma polêmica que deve agitar o Fórum Social Mundial, que começa hoje, em Porto Alegre, é a que opõe críticos ferrenhos da globalização àqueles que defendem que ela é inevitável e o importante é garantir formas de seus supostos ganhos serem também destinados aos países menos desenvolvidos. Essa última tese lembra muito a infeliz frase de Paulo Maluf – “estupra mas não mata”.
Perdas
FH já não se encontra – nem formalmente – mais nesse último grupo. Criticou o Fórum Mundial e disse que o evento é como “imaginar que o mundo vai dar uma volta para trás”. Já para o fórum de Davos (Suíça), onde se reúnem os representantes do sistema financeiro mundial, FH enviou o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que é do ramo.

Retranca
Após largar com velocidade de boeing  e marketing agressivo, a campanha de vôos na ponte aérea abaixo de R$ 100 da Gol Transportes Aéreo corre o risco de não decolar por falta de infra-estrutura. Operadores de turismo que tentam acessar a página da empresa na Internet não conseguem fazer o gol, ou melhor, fechar a venda. A tentativa acaba sempre batendo na trave. Para quem tentar contatar a empresa por telefone, vale o aviso de que o serviço 0300 custa R$ 0,27 por minuto, noves fora os impostos estaduais.

Passeio
O prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro (PT), rebateu as críticas feitas pelo presidente Fernando Henrique sobre o apoio financeiro dado pela prefeitura e pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul ao Fórum Social Mundial. Segundo ele, o custo do fórum para a prefeitura e governo é “um terço de uma hora de vôo do passeio que FH e sua comitiva fizeram em volta ao mundo”.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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