Hood Robin

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) está defendendo a aprovação do projeto de lei 1.034/1999, que repõe em 34% a taxação dos juros sobre capital próprio das empresas, que foi rebaixada pelo governo para 19%. O Unafisco argumenta que a revogação dessa medida, que beneficia pequeno e privilegiado universo de contribuintes, é mais do que suficiente para compensar a alegada perda de arrecadação ocasionada pela correção da tabela de desconto do imposto de renda, aprovada, ontem, por unanimidade, na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.
Ralo
O Unafisco destaca que, além de encolher a arrecadação tributária do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), a redução da taxação dos juros sobre capital próprio ajuda a pressionar o balanço de pagamentos do país, por facilitar a remessa de recursos para o exterior. Atualmente, o lucro das pessoas jurídicas é tributado em 34% (25% de IRPJ e 9% de CSLL). No entanto, com a dedução dos juros de capital próprio, essa tributação fica reduzida para 19%. Esses juros são tributados em 15% no IR na fonte, enquanto os rendimentos do trabalho são taxados em 27,5%. O Unafisco calcula que esse privilégio tributário ao capital custe ao país cerca de R$ 3,25 bilhões ao ano. Praticamente, o mesmo valor que o governo diz que vai gastar para dar a esmola de 3,5% ao funcionalismo, há sete anos submetido a regime de faquir.

Jurássico
Quem acreditava que a linha do pensamento único estava enterrada tomou um susto ontem ao ouvir declarações de Jorge Gerdau Johanpeter, do Grupo Gerdau. Disse ele que, ganhe quem ganhar as eleições, terá que aceitar a globalização, pois “não se pode resistir ao inevitável”. Outra frase peremptória – e sem recheio – surgiu ao defender o Banco Central independente: “Ninguém pode fugir do bom senso”.

Neca
Avaliação do economista-chefe do Bicbanco, Luiz Rabi, é de que em função de os efeitos da queda do PIB dos Estados Unidos ter se espalhado pelo resto do planeta, a esperada recuperação econômica daquele país para este segundo semestre fica para o ano 2002.

Exército ambiental
A Prefeitura de Paracambi e o Depósito Central de Munições do Exército, sediado no município, realizam hoje, na Praça Caranova, várias atividades em defesa do meio ambiente. O evento, que faz parte das comemorações do 41º aniversário da cidade e alusivo ao Dia do Soldado, contará com a participação de 130 soldados daquela unidade, que farão a limpeza do Rio dos Macacos e o plantio de árvores em seu entorno. O Rio dos Macacos, que corta o município e faz parte da Bacia do Guandu, é um importante fornecedor de água para o consumo humano da região metropolitana do Rio.

Preço
Embora longe de ser suficiente para acalmar os mercados financeiros, o empréstimo de US$ 8 bilhões à Argentina embute elevado custo político e econômico para o Mercosul. Uma das principais exigências do FMI e do Departamento do Tesouro norte-americano é que a Argentina pressione o bloco para apressar as negociações sobre liberação comercial com os Estados Unidos. Ou seja, o país será – com ou sem trocadilho – um cavalo de Tróia da Alca dentro do Mercosul.

Itamar
A palestra do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, no Clube Militar, que seria na próxima segunda-feira, foi transferida para 4 de setembro, às 17h30.

Cartas marcadas
De passagem pelo Rio onde participou de debate na UFRJ, o economista Dércio Garcia Munhoz, da Universidade de Brasília (UnB), citou exemplo que dá a medida da eficácia dos conselhos empresariais, supostamente criados para se contrapor a políticas oficiais: “Fui chamado para um conselho da Fiesp para discutir juros. Aí olhei para um lado, estava o Marcílio Marques Moreira; olhie para o outro, vi o Maílson da Nóbrega. Ou seja, estava discutindo com os ganhadores.”

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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