Hora difícil para os equilibristas

É dura a vida dos que tentam defender o “mercado”, mas não podem se indispor com suas bases – ou contrariar a...

É dura a vida dos que tentam defender o “mercado”, mas não podem se indispor com suas bases – ou contrariar a realidade. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, se saiu assim: “A Petrobras deve ter liberdade para definir os preços, mas tem a responsabilidade de não tirar vantagem excessiva de seu poder de monopólio e impor valores acima do mercado internacional.”

Noves fora o que é “vantagem excessiva” (moderada está valendo?), o dublê de dirigente de entidade patronal e candidato ao governo paulista esquece que a importação de derivados é livre. A política de preços internos elevados tem feito a festa das multinacionais. A compra de combustíveis dobrou de 2017 para cá, e os EUA assumiram a liderança entre os países exportadores de diesel. Skaf admite: “Identificamos em relatório do Ministério das Minas e Energia de abril que o preço interno do diesel S10 cobrado pela Petrobras está 5% acima do padrão internacional (preço do golfo do México).”

Os preços altos dos combustíveis são a parte mais visível do fracasso das políticas neoliberais, aprofundadas após a tomada de poder pelo grupo que tem Temer na presidência. O dólar livre também tem seu peso na formação dos custos dos derivados de petróleo. Tudo isso vem embrulhado em uma crise econômica que já dura quatro anos. Estivesse o país crescendo, o problema seria amortecido. Mas é como diz a história, o cavalo estava quase se acostumando a viver sem comer, quando morreu, coitado…

 

Efeito colateral

A redução, na marra, do preço do diesel pode beneficiar motoristas de perfil bem diferente dos caminhoneiros: maganos donos de carros picaponas e SUVs caríssimos, de R$ 150 mil para cima. Por uma distorção, no Brasil os automóveis não podem usar o diesel, que é liberado para veículos beberrões e que de utilitários não têm nada.

 

Alternativa

O gás natural veicular (GNV) tem sido a salvação para os motoristas de automóveis, devido à falta de outros combustíveis. Distribuído por dutos, o GNV permite driblar a paralisação dos caminhoneiros. No Estado de São Paulo, são cerca de 490 postos. No Rio de Janeiro – cuja frota equivale a um quarto da paulista – existem uns 540 postos com gás.

Hoje secretário de estado de Educação, Wagner Victer conta a luta que travou quando implantou o Programa de GNV no Rio, em 1999, quando era secretário de Energia. “Quando tentaram, no segundo Governo Lula, acabar com o programa, bati pesado. A realidade dos acontecimentos atuais mostra que estava certo”, comemora.

 

Colcha de retalhos

Comentário de amigo da coluna sobre o plano econômico da coalizão 5 Estrelas e Liga Norte, na Itália: “É como se fosse um programa elaborado conjuntamente entre o Mangabeira, o Nelson Barbosa e o Paulo Guedes, com alguns pitacos do Bresser. Não vai dar certo.”

 

Nunca ouviu falar

Faltando pouco mais de um mês para entrar em vigor, empresas que passarão a integrar o eSocial em julho ainda desconhecem a utilização obrigatória do sistema. É o que revela uma pesquisa realizada pela multinacional britânica de software de gestão Sage com 366 companhias de pequeno porte.

De acordo com o estudo, 66,3% ainda não sabem o que é o sistema e apenas 33,6% já ouviram falar sobre a nova forma de prestação de informações trabalhistas, fiscais e previdenciárias no país. Apenas 9% afirmam estar cientes e preparados para as mudanças.

A partir de julho, mais de 4,8 milhões de micro e pequenos empresários e 7,2 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) deverão estar integrados ao eSocial.

 

Rápidas

O pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, participará de uma reunião com os associados do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) nesta sexta-feira, das 12h30 às 14h30, no Hotel Renaissance, em São Paulo *** No sábado, Adilson da Vila e a Velha Guarda Musical de Vila Isabel comandam a atração Samba Américas, no Américas Shopping, das 14h às 16h *** No mesmo dia, o Pátio Alcântara apresenta o clássico infantil Dorothy e o Boneco de Lata, a partir das 16h30 *** Sua empresa está preparada para o futuro? Essa e outras questões serão debatidas domingo e segunda-feira, durante a 13ª edição do Congresso da Micro e Pequena Indústria, realizado pela Fiesp *** O jurista Modesto Carvalhosa lança, no dia 11, às 18h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, o livro Da Cleptocracia para a Democracia em 2019.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Brics+ será gigante em alimentos e energia

Bloco ampliado desafia EUA rumo a nova ordem mundial.

Para combater Putin, adeus livre mercado

Teto para preço do petróleo é nova sanção desesperada do G7.

Inflação engorda lucros de bilionários de energia e alimentos

Fortunas dos ricaços desses 2 setores aumentaram US$ 1 bilhão a cada 2 dias desde 2020.

Últimas Notícias

Acusações de palhaça e possível ação da CVM fazem ação da TC desabar

Papéis chegaram a recuar mais de 25% no pregão desta quinta-feira.

Aqui, na terra, a coisa está preta

Por Paulo Alonso.

Setor público registrou superavit de R$ 358 bi em 2021

O setor público brasileiro registrou um superavit orçamentário de R$ 358 bilhões em 2021, resultado que deriva dos cerca de R$ 6,3 trilhões em...

Triste realidade

Em cada 4 bairros do Rio, 1 tem milicianos ou traficantes

Pré-candidatura de Ceciliano ao Senado ganha apoio na Região Serrana

Prefeito do PSB vira as costas para candidato do partido.