Human Rights Watch acusa Bolívia de perseguição política a Morales

Acusação contra presidente deposto se resume a um telefonema.

Internacional / 21:08 - 14 de set de 2020

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O governo interino da Bolívia está abusando do sistema de justiça para perseguir mais de 100 associados e apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que enfrenta acusações de terrorismo que parecem ter motivação política, acusa a ONG Human Rights Watch (HRW) em relatório de 47 páginas.

Os promotores acusaram algumas pessoas de terrorismo apenas por terem contato telefônico com Morales, concluiu a Human Rights Watch após examinar milhares de documentos judiciais e relatórios policiais em 21 desses casos. Outros foram acusados de crimes por exercerem sua liberdade de expressão, criticando o governo online.

Morales, exilado na Argentina após o golpe que levou Jeanine Áñez ao poder, foi acusado de terrorismo e financiamento do terrorismo, cada um punido com até 20 anos de prisão. As acusações são baseadas em um telefonema de novembro de 2019, feito dias depois que Morales deixou o cargo, no qual uma pessoa que supostamente seria o ex-presidente pediu a um associado que mobilizasse manifestantes para bloquear estradas nas cidades e impedir a entrada de alimentos. A pessoa diz que deve “lutar, lutar, lutar” e jura “travar uma dura batalha contra a ditadura”.

Segundo a HRW, manifestantes na Bolívia costumam usar os termos “luta” e “batalha” para se referir às suas manifestações. Os promotores alegam que Morales ordenou atos de violência, mas as evidências analisadas pela ONG – basicamente consistindo em um único telefonema – simplesmente não apoiam tais alegações.

Entre os casos que chamaram atenção da HRW está o de Patricia Hermosa, advogada de Morales e ex-chefe de gabinete, acusada de terrorismo, financiamento do terrorismo e sedição baseada exclusivamente no fato de ela ter contato telefônico com Morales depois que ele renunciou. Ela foi presa em 31 de janeiro de 2020 e mantida em prisão preventiva até 5 de agosto, sem acesso a cuidados médicos durante a gravidez. Ela teve um aborto espontâneo em março.

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