IBGE: mesmo na pandemia, emprego na construção cresceu 21,6%

Setor privado é o principal demandante; a participação do setor público como demandante caiu 3,5 p.p. entre 2013 e 2022

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Construção (Foto: Antonio Cruz/ABr)
Construção (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Em 2022, o país tinha 174,7 mil empresas de construção, que empregavam 2,3 milhões de pessoas. Frente a 2021, o número de empresas cresceu 17,9%, maior variação desde 2013, e o número de pessoal ocupado, aumentou 4,4%. O dado faz parte da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O valor gerado em incorporações, obras e/ou serviços da construção pelo setor de construção, em termos nominais, chegou a R$ 439,0 bilhões, sendo R$ 415,6 bilhões em obras e/ou serviços e R$ 23,5 bilhões em incorporações.

Dos R$ 415,6 bilhões em obras e serviços, 69,8% foram provenientes de contratações por pessoas físicas e/ou entidades privadas (R$ 290,1 bilhões) e o restante (R$ 125,5 bilhões) por entidades públicas.

Em 2022, após quatro anos seguidos de queda, o setor público registrou um aumento de 4,1 p.p. de participação como demandante no valor total de obras. Mas em 10 anos perdeu espaço, passando de 33,7% de participação em 2013, para 30,2% em 2022, com destaque para obras de infraestrutura, que perdeu 4,4 p.p. no período.

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Em termos nominais, o valor de obras dos três segmentos foram: construção de edifícios com R$ 186,1 bilhões em valor gerado (42,4%); obras de infraestrutura com R$ 147,8 bilhões (33,7%); e serviços especializados para construção com R$ 105,1 bilhões (23,9%).

Em 10 anos, o setor de construção perdeu 650,4 mil postos de trabalho (-21,9%), devido principalmente à queda nos postos de trabalho na construção de edifícios, que reduziu 367,9 mil pessoas ocupadas (-29,9%).

No ranking de mão de obra, houve mudanças de posição: obras de infraestrutura (29,5%), passou do segundo para o terceiro lugar, enquanto serviços especializados para construção (33,2%), aproximou-se do segmento de construção de edifícios, principal empregador ao longo do período (37,2%).

Em relação ao período pré-pandemia, o setor da construção aumentou a empregabilidade em todos os anos desde 2019, acumulando um aumento de 411,6 mil pessoas, o que corresponde a 21,6% de crescimento.

O total de salários, retiradas e outras remunerações pagos pela construção foi de 79,6 bilhões, com destaque para o setor de obras e infraestrutura, com 35,1% desse valor.

O salário médio mensal da construção ficou em 2,2 salários mínimos, ligeira recuperação frente a 2021 (2,1 salários mínimos.).

A concentração no setor diminuiu: em 2013, as oito maiores empresas geravam 10,1% do valor de obras no setor, percentual que caiu para 3,5% em 2022, menor valor da série histórica.

Houve mudanças no ranking das unidades da Federação no valor de obras gerado, com os seguintes destaques: o Rio de Janeiro perdeu a segunda posição para Minas Gerais; Pernambuco caiu da quinta para 11ª posição, enquanto o Paraná passou da sétima para a quarta.

Construção de edifícios foi o principal segmento em 16 unidades da fFderação, enquanto obras de infraestrutura predominou nas outras 11.

Ainda segundo o estudo, a indústria da construção gerou R$ 439,0 bilhões em valor de incorporações, obras e/ou serviços em 2022, sendo R$ 415,6 bilhões em obras e/ou serviços e R$ 23,5 bilhões em incorporações. Em 2022, o país tinha 174,7 mil empresas de construção, que empregavam 2,3 milhões de pessoas. Frente a 2021, o número de empresas cresceu 17,9%, maior variação desde 2013, e o de pessoal ocupado, 4,4%.

O analista da pesquisa, Marcelo Miranda, destaca os principais pontos do cenário macroeconômico em 2022, ano em que a conjuntura econômica brasileira foi marcada por uma série de desafios e turbulências. A pandemia continuou a exercer impactos significativos, tanto no aspecto da saúde pública quanto na economia. Apesar de avanços em termos de vacinação e medidas de contenção, o país ainda enfrentava incertezas quanto à recuperação plena de diversos setores.

“A indústria da construção desempenhou um papel crucial nesse cenário. Com a retomada gradual das atividades econômicas e a demanda por moradia permanecendo estável, o segmento se mostrou resiliente, contribuindo para a geração de empregos e o impulsionamento de outros setores relacionados, como o de materiais de construção e o de infraestrutura. No entanto, desafios persistentes, como a inflação elevada e a volatilidade dos preços de insumos, afetaram a cadeia produtiva da construção. O aumento dos preços de materiais, como aço, cimento e madeira, pressionou os custos de construção, tornando projetos mais caros e impactando os consumidores finais”, analisa.

Diante desse cenário, medidas de incentivo e políticas públicas voltadas para a construção civil tiveram papel relevante. Investimentos em infraestrutura, programas habitacionais e incentivos fiscais contribuíram para estimular o setor, impulsionando o crescimento econômico.

“Assim, em 2022, a ligação entre a conjuntura econômica brasileira e o setor da construção ficaram evidenciados por políticas integradas e estratégias que visavam ao fortalecimento do mercado imobiliário e da infraestrutura nacional”, completa o analista da pesquisa.

Em 2022, a Paic mostrou que construção de edifícios, apesar da perda de participação (0,8 p.p.) no valor de incorporações, obras e/ou serviços em 10 anos, continuou sendo o segmento mais importante do setor, com 42,4% do valor total (R$ 186,1 bilhões). O segmento também teve o maior número de pessoas ocupadas (862,8 mil) e foi o segundo segmento em pagamento de salários, retiradas e outras remunerações (R$ 26,9 bilhões).

Obras de infraestrutura foi o segundo em valor de obras e serviços, com 33,7% (R$ 147,8 bilhões), mas perdeu 5,7 p.p. de participação em 10 anos. O segmento ocupou 684,7 mil pessoas e pagou R$ 28,0 bilhões em salários retiradas e outras remunerações, o maior valor da indústria da construção.

Já o segmento de serviços especializados para construção, embora seja o terceiro em valor de obras e serviços, com 23,9% de participação (R$ 105,1 bilhões), cresceu 6,5 p.p. desde 2013, e assumiu a segunda posição em número de pessoas ocupadas (770,3 mil pessoas), pagando R$ 24,7 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações.

O estudo mostra que as empresas da construção empregavam 2,3 milhões de pessoas, uma redução de 21,9% (-650,4 mil pessoas ocupadas) frente a 2013. Ao longo dos 10 anos analisados, a ocupação nos três segmentos teve mudanças significativas. Apesar da redução de participação no pessoal ocupado de 4,3 p.p. no segmento de construção de edifícios, ele se manteve como o principal empregador do setor da indústria da construção em 2022. O segmento de obras de infraestrutura caiu do segundo para o terceiro lugar, com redução 2,9 p.p., ficando atrás de serviços especializados para construção, que ganhou posição ampliando a participação no número de pessoas ocupadas em 7,1 p.p. Em relação a 2021, o montante de 2,3 milhões de pessoas ocupadas representou uma alta de 4,4% (98,6 mil trabalhadores a mais), impulsionada, em termos absolutos, principalmente pelo segmento de construção de edifícios, com aumento de 45,1 mil pessoas ocupadas. Houve ganhos nos três segmentos: construção de edifícios cresceu 5,5%; obras de infraestrutura, 5,6% e serviços especializados para construção obteve um incremento de 2,3%.

Já em relação ao período pré-pandemia, o setor da construção aumentou a empregabilidade em todos os anos desde 2019, acumulando um aumento de 411,6 mil pessoas, o que corresponde a 21,6% de crescimento.

Em termos de valor da remuneração, medida por salários mínimos, obras de infraestrutura foi o que pagou o maior salário (2,6 salários mínimos), acima do salário médio de 2,2, salários mínimos. e dos salários pagos pelos segmentos de construção de edifícios e serviços especializados para construção, ambos com 2,0 salários mínimos.

Entre as mudanças estruturais na indústria da construção, está o crescimento da participação do setor privado como demandante de obras e/ou serviços da construção, chegando a 69,8% do valor total de obras e serviços. A participação do setor público (30,2%) como demandante caiu 3,5 p.p. entre 2013 e 2022. obras de infraestrutura liderou esse movimento (-4,4 p.p.) enquanto a participação em construção de edifícios e serviços especializados para construção ficaram praticamente estáveis nos 10 anos.

“Na comparação anual, após quatro anos seguidos de queda, verificou-se uma alta de 4,1 p.p. na participação do setor público como demandante em 2022. Os três segmentos contribuíram para isso, com construção de edifícios, obras de infraestrutura e de serviços especializados para construção aumentando suas participações, entre 2021 e 2022, em 3,3 p.p., 6,2 p.p. e 0,9 p.p., respectivamente”, ressalta o analista da Paic.

Com informações da Agência de Notícias IBGE

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