O mercado segue em um clima de maior tensão diante do cenário político, com o Ibovespa tendo uma sessão de ganhos limitados nesta terça-feira (13). A decisão do PSDB de ficar no governo reforçou uma sobrevida de Temer, mas não eliminou a preocupação com as reformas. Enquanto isso, os dados de varejo surpreenderam, mas com influência limitada no mercado por ser visto como atípico.
O benchmark da bolsa brasileira fechou com leve alta de 0,21%, aos 61.828 pontos, em dia de volume financeiro de R$ 6,053 bilhões. A queda de quase 2% da Vale ajudou a limitar os ganhos do índice.
Depois de amargar queda nos últimos dois meses, as vendas do varejo se recuperaram e subiram 1% em abril, enquanto os analistas esperavam queda de 0,7%. Em base anual, a alta foi de 1,9%, muita acima do que era esperado pelo mercado, que aguardava recuo de 1,6%. Apesar do bom resultado, o mercado não se empolgou com o número.
Os juros futuros com vencimento em 2018 tiveram alta de 4 pontos-base, a 9,19%, enquanto os DIs de janeiro de 2021 fecharam com ganhos de 8 pontos-base, em 10,35%.
Destaques da bolsa
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,73, -0,36%; PETR4, R$ 12,82, -0,62%) firmam queda puxadas pelos preços do petróleo. Lá fora, os contratos do petróleo Brent recuavam 0,46%, a US$ 48,07 o barril, enquanto os do WTI caíam 0,69%, a US$ 45,76 o barril. O movimento ocorre após um relatório da Opep mostrar aumento da produção da commodity em meio.
As ações da Vale (VALE3, R$ 26,37, -1,75%; VALE5, R$ 24,75, -1,86%) aceleraram a queda nesta sessão, seguindo os preços do minério de ferro. A commodity à vista negociada no porto de Qingdao, na China, caiu 2,75%, a US$ 53,36 a tonelada, enquanto os contratos futuros do minério negociados na bolsa chinesa de Dalian recuaram 2,78%, a 419 iuanes.
Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 17,25, -3,69%) – holding que detém participação na Vale -, enquanto as siderúrgicas fecharam entre leves perdas e ganhos, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,48, -0,42%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,41, +0,23%), CSN (CSNA3, R$ 6,44, -1,08%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,94, 0,0%).
As units do Santander (SANB11, R$ 24,46, -0,24%) se descolaram dos demais grandes bancos e dão sequência as quedas dos últimos dias. Esse é o quarto pregão seguido de perdas, acumulando desvalorização no período de quase 8%. De acordo com o jornal, o Santander avalia a compra do Banco Original.
Já os produtores de celulose do Brasil e de outros países estão se posicionando para apresentar à J&F Investimentos ofertas pela Eldorado Brasil, produtora de celulose do grupo, segundo o Valor. A chilena Arauco contratou o Santander para auxiliá-la na possível compra e, de acordo com uma fonte, já estaria analisando o ativo. A Suzano Papel e Celulose (SUZB5, R$ 15,06, +2,17%) concedeu o mandato a dois grandes bancos brasileiros. A Votorantim, controladora da Fibria (FIBR3, R$ 36,84, +0,38%), também tem interesse, embora preço e detalhes do acordo de leniência firmado pela J&F possam ser empecilhos a uma oferta vinculante, de acordo com o jornal.
Dólar
O dólar recuou 0,10%, a R$ 3,3083 na venda, depois chegar a R$ 3,3343 na máxima do dia e acumular alta de 1,42% nas duas sessões anteriores. "De modo geral, o mercado não está tranquilo e ninguém desmonta posições", afirmou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.
Nesta sessão, o BC vendeu integralmente a oferta de até 8,2 mil swaps cambiais tradicionais –equivalente à venda futura de dólares– para rolagem dos contratos que vencem julho. Com isso, já rolou US$ 2,460 bilhões do total de US$ 6,939 bilhões que vence no mês que vem.
No exterior, o dólar caía ante uma cesta de moedas com investidores à espera do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que nesta quarta-feira deve elevar os juros. O dólar também cedia ante divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano.
















