Ibovespa recupera os 100 mil pontos, mercados globais no positivo

Bolsas pelo mundo operam em território majoritariamente positivo nesta manhã, com as europeias em alta de +0,5% a 1%.

Opinião do Analista / 11:23 - 15 de set de 2020

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O que pode impactar o mercado hoje - O Ibovespa encerrou o pregão de ontem em alta de 1,9%, aos 100.274 pontos, acompanhando um movimento de otimismo de mercados globais. As maiores altas do índice foram de YDUQ3 (+7,95%), GOLL4 (+7,28%) e CIEL3 (+6,98%), enquanto as maiores quedas foram de PRIO3 (-1,54%), PETR3 (-0,99%) e PETR4 (-0,91%). Em semana de decisão do Copom, as taxas futuras de juros fecharam o dia de ontem em queda, seguindo o bom humor dos mercados internacionais e o bom desempenho do real perante o dólar. DI janeiro de 2021 fechou em 1,95%; DI janeiro de 2023 encerrou em 4,09%; DI janeiro de 2025 foi para 5,95%; e DI janeiro de 2027 fechou em 6,95%.

Bolsas globais operam em território majoritariamente positivo nesta manhã, com as europeias em alta de +0,5% a 1%, assim como futuros do S&P 500. A tendência positiva acompanha o movimento de recuperação de mercados após a pior semana desde março, com destaque para a alta das ações do setor de tecnologia.

O otimismo dos mercados globais também é pautado por dados de atividade na China, com a produção industrial do país em agosto tendo subido 5,6% A/A, acima das expectativas de 5,2% A/A com base no consenso de mercado compilado pelo Wall Street Journal e acima dos patamares de julho de 4,8% A/A. Segundo o National Bureau of Statistics da China, as vendas do varejo no mesmo período cresceram 0,5%, primeiro resultado positivo do ano.

Em compasso a esse movimento de otimismo com dados da China, os preços de petróleo Brent avançam +1,69% esta manhã, aos US$ 40,28/barril (WTI avança +1,99%, aos US$ 38/barril).

Em economia, o Índice de Atividade Econômica divulgado ontem pelo Banco Central (IBC-Br) apresentou contração de 4,9% a/a em julho, o equivalente a uma expansão de 2,15% m/m. O resultado, sustentado principalmente pela indústria e pelo varejo, foi levemente melhor que as expectativas, mas não altera a nossa projeção de PIB nem para o para o terceiro trimestre desse ano (-5,4% A/A e +6,8% T/T), nem para 2020 (-4,8%).

Para abrir espaço no Orçamento de 2021 para o Renda Brasil, a equipe econômica tenta aprovar no Congresso a desvinculação do salário mínimo dos benefícios previdenciários e o congelamento de aposentarias e pensões por dois anos. Segundo o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, a desindexação dos benefícios previdenciários (inclusive dos benefícios menores que o piso) seria destinada para quem ganha um valor igual ou superior a um salário mínimo. A ideia é incluir a desvinculação das aposentadorias e pensões no relatório da PEC do Pacto Federativo, que tem como relator o senador Márcio Bittar (MDB-AC) e que deve ser enviado com o Renda Brasil ainda nesta semana. Waldery disse que o congelamento está sendo debatido com os ministérios da Casa Civil e da Cidadania, mas ponderou que o presidente Bolsonaro ainda não deu o aval para enviar a medida ao Congresso. De acordo com o presidente da Câmara, congelar os benefícios previdenciários para quem ganha acima do mínimo abriria espaço de aproximadamente R$ 20 bilhões em 2021 e R$ 40 bilhões em 2022.

Em política, com a semana esvaziada no Congresso até quarta-feira, data limite para as convenções municipais, o noticiário segue concentrado nas decisões sobre o relatório da PEC do Pacto Federativo e o espaço fiscal que pode ser criado para o Renda Brasil. Os ministérios da Cidadania e da Economia estudam um pente fino na concessão do Benefício de Prestação Continuada, o que pode ser feito via decreto, para economizar R$ 5 bilhões em 2021 e R$ 10 bilhões 2022. E a Economia, entre outras propostas, fala em desvincular os benefícios previdenciários do salário mínimo.

Depois do incentivo de Jair Bolsonaro, a bancada evangélica já vê votos suficientes para derrubar o veto do presidente ao perdão das dívidas dos templos, e o presidente do Senado Davi Alcolumbre não deve convocar para amanhã sessão do Congresso em que poderia ser analisado o veto à extensão da política de desonerações até o fim de 2021.

Na frente de empresas, a Petrobras informou, via fato relevante, a revisão do portfólio do segmento de Exploração & Produção (E&P) frente à crise provocada pela Covid-19. Como resultado da revisão do portfólio, a Petrobras estima um investimento para E&P de aproximadamente US$ 40-50 bilhões para 2021-2025, ante US$ 64 bilhões anunciados no Plano Estratégico de 2020-2024 e nossa estimativa de US$ 56 bilhões para o período entre 2021-2025. Conforme mencionamos em nosso início de cobertura, acreditávamos que seria provável que a Petrobras anunciasse reduções de orçamento de investimentos como forma de preservar a geração de caixa da companhia. Ainda que tal revisão possa impactar as expectativas de produção de petróleo futuras do mercado, não vemos risco material para nossas estimativas, uma vez que já não incluímos em nosso modelo todas as plataformas previstas no plano de negócios da Petrobras. Mantemos recomendação de compra nas ações da Petrobras.

Do lado das commodities, os preços de celulose de fibra curta na China tiveram alta na semana (US$ 1,7/T), para US$ 444,12/T. Esperamos uma reação positiva das ações de Suzano e Klabin no pregão de hoje. No longo prazo, acreditamos que os níveis de preço atuais não sejam sustentáveis, na medida em que se encontram há muito tempo abaixo do custo marginal (~US$ 500/t, em nossa opinião). Adicionalmente, esperamos que uma recuperação da demanda na China seja gatilho para um movimento de recomposição de estoques.

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