Estudo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) divulgou hoje o relatório que trata sobre o golpe do acesso remoto. Intitulado como “Golpe do Celular Invadido: a responsabilidade dos bancos e os direitos dos consumidores”, o documento traz todo o trabalho realizado pelo Instituto nos últimos seis meses.
O Instituto fez um primeiro levantamento de reclamações a respeito do golpe do acesso remoto e viu que o Nubank foi campeão de reclamações em 2022 no site Reclame Aqui em relação a golpes envolvendo a invasão de celular. Embora muitas dessas reclamações fossem sobre celulares roubados, algumas delas tinham a ver com o golpe do acesso remoto, inclusive com relatos espalhados por redes sociais.
O golpe ocorre quando um criminoso finge ser atendente de um banco e entra em contato com a vítima por algum meio: Whatsapp, SMS, email ou ligação telefônica. Ele fala alguns dados da vítima para ganhar confiança dela e conversa de forma bem técnica e educada também com o mesmo objetivo.
O falso atendente avisa que há algum problema com a conta da pessoa e pede para que ela baixe um aplicativo no celular. Após a vítima baixar esse app, que é um programa de acesso remoto, o golpista guia a pessoa até o aplicativo do banco e, quando ela coloca a senha, ele toma o controle do celular, faz transferências, empréstimos, compras e outros tipos de transações.
Com isso, o Idec decidiu enviar uma notificação ao Nubank no começo do mês de abril deste ano. Com a resposta do banco, o Instituto resolveu partir para uma investigação mais aprofundada acerca do tema.
“Fizemos um levantamento para saber como os principais bancos do país agiam em relação ao golpe do acesso remoto e, a partir desses dados, começamos a questioná-los também sobre o tema”, afirma a coordenadora do Programa de Serviços Financeiros do Idec, Ione Amorim.
A nova notificação foi enviada aos três maiores bancos privados do país: Bradesco, Itaú e Santander. As perguntas foram as mesmas enviadas ao Nubank: se eles já tiveram consumidores que sofreram o golpe, qual a atitude que têm tomado para evitá-lo e se estão devolvendo o dinheiro às vítimas.
Um dos bancos respondeu que era possível sim barrar por completo o acesso remoto ao aplicativo dele e isso fez com que o Instituto fosse além e questionasse o motivo de os outros bancos não terem essa tecnologia.
Após mais uma rodada de notificações, os bancos afirmaram que estavam investindo em medidas de seguranças para evitar por completo o golpe do acesso remoto. Com essa última resposta, o Idec decidiu fazer um teste nos aplicativos dos bancos.
O Idec esperou cerca de um mês após a última notificação enviada para iniciar os testes nos aplicativos dos bancos. O objetivo não era ter uma resposta técnica sobre qual era a brecha de segurança, mas saber se qualquer pessoa que não entende de segurança cibernética conseguiria acessar os aplicativos e fazer um Pix por meio de um software de acesso remoto.
Se um banco barrasse o acesso remoto, para o Idec era um sinal de que todos os outros também deveriam dispor dessa tecnologia. Assim, todos os consumidores teriam a proteção necessária para não ser vítima desse tipo de fraude. E foi isso que aconteceu.
Um dos bancos testados não apenas bloqueou o acesso remoto como também mostrou uma mensagem de suspeita de golpe e o aplicativo ficou sem funcionar por algumas horas. Só abriu após o voluntário deletar o software de acesso remoto do celular dele.
Os outros bancos testados não tiveram o mesmo resultado. Foi possível acessar o aplicativo e até realizar a transferência via Pix. O Idec decidiu enviar uma última notificação aos bancos com a descrição dos resultados dos testes.
O documento ainda traz o Artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor e a Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) como normas que garantem o direito das vítimas junto às instituições bancárias.
Segundo a pesquisa “A Relação das Gerações com as Finanças Pessoais”, da Serasa, a digitalização das finanças já é uma realidade para a geração Baby Boomer, com mais de 59 anos. Impactados com as transformações que aceleram as mudanças de hábitos financeiros, 79% dos idosos já são adeptos a aplicativos bancários para movimentar suas finanças pelo próprio celular, de acordo com pesquisa o levatamento que investigou a diferença entre as gerações na hora de se relacionar com o dinheiro.
Segundo o apurado, mesmo com o crescimento de usuários nos aplicativos, a geração Baby Boomer ainda é a que menos se sente segura para utilizar esse tipo de serviço online para controle de gastos (29%).
Dessa forma, criminosos exploram a vulnerabilidade entre as pessoas mais velhas e a possível falta de familiaridade com certas tecnologias para aplicar fraudes. Entre os principais golpes, estão e-mails ou mensagens fraudulentas nas redes sociais, que se aproveitam da tática conhecida como phishing para enviar comunicações falsas, projetadas para parecerem legítimas, de bancos ou instituições financeiras conhecidas.
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