Identificadas 17 novas barreiras comerciais contra o Brasil

No caso da China, todas as 10 barreiras dizem respeito a subsídios.

Negócios Internacionais / 15:55 - 8 de jun de 2020

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O setor industrial identificou 17 novas barreiras comerciais no exterior contra produtos brasileiros entre março e maio, mostra levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Do total, 10 dizem respeito a barreiras impostas pela China. As demais foram criadas pela Argentina, México, Arábia Saudita e União Europeia. O setor privado inseriu essas informações no Sistema Eletrônico de Monitoramento de Barreiras às Exportações (SEM Barreiras) do governo federal. A CNI atualiza esse levantamento periodicamente, em parceria com associações e federações estaduais da indústria, e contabiliza até agora 70 barreiras identificadas no exterior contra produtos brasileiros desde maio de 2018, quando o sistema foi criado. Os dados buscam ajudar o governo a definir estratégias para enfrentar esse problema.

No caso da China, todas as barreiras dizem respeito a subsídios. Eles afetam a produção de itens como borracha, materiais elétricos e produtos metalúrgicos. Na prática, com os subsídios, esses bens circulam com preço abaixo do praticado no mercado por artifícios muitas vezes ilegais, numa concorrência desleal com a produção de outros países, incluindo o Brasil. Pela Argentina, são duas barreiras impostas contra veículos automotores e plásticos.

O México e a Índia, por sua vez, cobram imposto de importação contra a carne de frango do Brasil. A Arábia Saudita exige licenciamento de importação também para a carne de frango. A Índia implementou ainda medidas sanitárias e fitossanitárias contra o couro brasileiro. A União Europeia levantou barreiras contra serviços brasileiros na área de tecnologia da informação.

O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, diz que, embora o Brasil seja o único país na América Latina com uma ferramenta tão moderna de monitoramento de barreiras, os órgãos governamentais ainda não usam esse sistema de forma plena. Além disso, o percentual de barreiras resolvidas ainda é baixo. Do total de 70 identificadas até agora pela CNI, apenas 10% (7) foram solucionadas.

 

Setor agropecuário exportou 51% mais

Depois de subir em abril, a balança comercial começou a sentir os efeitos da pandemia de coronavírus e registrou contração no superávit em maio. No mês passado, o Brasil teve saldo positivo de US$ 4,548 bilhões no comércio exterior, valor 19,1% menor do que em maio de 2019 e o resultado mais baixo para o mês desde 2015. No mês passado, as exportações somaram US$ 17,940 bilhões, recuo de 4,2% em relação a maio de 2019 pelo critério da média diária. A queda foi puxada pela indústria. A indústria extrativa exportou US$ 52,95 milhões a menos que em maio do ano passado, queda de 26,5%. A indústria de transformação exportou US$ 85,08 milhões a menos, queda de 15,9%. Somente a agropecuária exportou mais do que em maio do ano passado. O setor vendeu US$ 99,88 milhões para o exterior, alta de 51,1%.

As importações somaram US$ 13,392 bilhões, queda de 1,6% em relação a maio do ano passado pelo critério da média diária. Os principais produtos responsáveis pela queda nas importações foram os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, com redução de 82,7%; fertilizantes brutos, com recuo de 62,6%, e os minérios de cobre e concentrados, com recuo de 46%

 

PME: rodadas virtuais para exportação

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) juntamente com o Sebrae, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Apex-Brasil vão realizar, entre os dias 22 e 26 de junho, uma rodada internacional de negócios do setor de alimentos e bebidas, envolvendo micro, pequenas e médias empresas. Fornecedores brasileiros poderão se conectar com compradores de toda a América Latina, além dos Estados Unidos, Índia, Emirados Árabes e Canadá. Essa é a 1ª vez que o evento acontecerá no modelo virtual em função da pandemia do coronavírus, que afeta o Brasil e diversas outras nações do mundo. As inscrições para a rodada podem ser feitas neste link.

As instituições brasileiras que atuam na organização do evento fazem parte do Plano Nacional da Cultura Exportadora (PNCE). O Sebrae, a CNI e a Apex-Brasil são responsáveis por conduzir as ações voltadas às empresas do setor de alimentos e bebidas. Independentemente do porte, todos os segmentos terão uma grande oportunidade de expandir suas atividades e buscar novos negócios fora do país. “Para a Apex-Brasil, as rodadas virtuais fazem parte de um conjunto de ações de suporte às empresas brasileiras para incrementar a geração de negócios internacionais e tornar a nossa indústria mais competitiva, com mais efetividade e menores riscos”, avalia a Gerente de Competitividade da Apex-Brasil, Deborah Rossoni.

A internacionalização aumenta a competitividade das empresas, com a ampliação de mercados e diversificação da demanda o que se transforma em mais uma alternativa para se conseguir ultrapassar este momento desafiador que vivemos”, afirma Carlos Abijaodi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI. A CNI coordena nacionalmente a Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), presente nas 27 unidades da federação com foco no atendimento às empresas para assegurar uma atuação competitiva no mercado internacional.

A rodada virtual internacional, chamada de Business Connection Brazil: food & beverage, é um dos desdobramentos da Connectamericas.com. A plataforma de negócios gratuita criada pelo BID para apoiar mais de 300 mil empresários cadastrados na realização de mais e melhores negociações internacionais. O evento será o primeiro que acontece virtualmente no Brasil. “Será uma semana inteira de atividades online e vamos dar todo o suporte para que as empresas tenham agendas de negócios bem-sucedidas”, comenta o diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick.

Fabrizio Opertti, Gerente do Setor de Integração e Comércio do BID, ao qual pertence a ConnectAmericas, assegura: “Este evento só é possível graças a uma aliança histórica entre as mais reconhecidas instituições de apoio empresarial do Brasil, agora reforçada com a participação do BID, cujo propósito comum é apoiar as MPMEs neste momento de crise sanitária e econômica global. No BID, temos muito orgulho de fazer parte deste esforço por meio do nosso apoio contínuo ao Plano Nacional da Cultura Exportadora (PNCE) para que, depois da rodada, as empresas possam seguir fazendo negócios na ConnectAmericas.com

 

Nova pesquisa de e-commerce internacional

Com a pandemia do Covid-19, o comércio eletrônico se tornou ainda mais relevante para a venda e comercialização de produtos e serviços ao redor do mundo. Pensando nisso, a Apex-Brasil está reformulando as ações do seu programa de e-commerce: o e-Xport e lançou uma nova pesquisa para empresas brasileiras. A pesquisa visa conhecer as necessidades das empresas em capacitação e atuação no e-commerce. O e-Xport é um programa de qualificação da Apex-Brasil sobre comércio eletrônico para a atuação no mercado internacional. O programa apoia empresas brasileiras, em diferentes estágios de maturidade exportadora, na expansão dos seus negócios para as cadeias globais de valor.

Queremos ouvir suas contribuições para criarmos ações cada vez mais aderentes às necessidades das empresas brasileiras. A duração estimada para o preenchimento é de cinco minutos. Para responder à pesquisa, basta clicar no link abaixo. O prazo para preenchimento é o dia 8 de junho.” Informações aqui.

 

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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