Imaginário

Para quem ainda acredita em pesquisas eleitorais, esta coluna fez algumas contas e mostra a diferença entre o primeiro e segundo colocados em algumas capitais, no primeiro turno, segundo as enquetes, e o resultado real: no Rio, segundo o Ibope, Conde venceria César Maia por 19 pontos percentuais – ganhou por menos de 12; em Curitiba, Taniguchi bateria o petista Vanhoni por 18 pontos, de acordo com as pesquisas, mas teve vantagem nas urnas de apenas oito pontos percentuais; em Recife, Roberto Magalhães venceria com margem de 26 pontos – na realidade, a vantagem caiu pela metade (13 pontos percentuais). O maior erro foi em Fortaleza, onde as pesquisas apontavam diferença de 12 pontos entre Juraci Magalhães e Inácio Arruda – apurados os votos, a vantagem foi de magros 2,6 pontos percentuais, quatro vezes inferior ao previsto. As empresas de pesquisa não só erram (geralmente para mais) o número de votos do preferido virtual, como também erram (normalmente para menos) a votação do segundo colocado, ampliando vantagens que se dissipam nas urnas.

Fora do consenso
Apesar do discurso pró-globalização fazer a apologia do livre comércio, os Estados Unidos Unidos continuam mantendo restrições comerciais a cerca de cem países. O caso mais emblemático é o de Cuba, cujas relações com o vizinho norte-americano continuam sendo contaminadas pelos interesses paroquiais do eleitorado de Miami.
O boicote, porém, é cada vez mais ignorado, principalmente pelos países da União Européia, que responde por 52% do comércio de empresas estrangeiras com o governo cubano. Hoje a ilha de Fidel Castro realiza negócios com 130 empresas de 45 países.
Essas e outras questões, serão debatidas, em Havana, onde entre os próximos dias 10 e 14 será realizado o II Encontro Internacional de Solidariedade a Cuba, com a presença de representantes de países de várias partes do mundo. Na delegação brasileira, já confirmaram presença a líder do bloco da oposição no Senado, Heloísa Helena (PT) e o presidente da Casa Cuba-Brasil, jornalista Arthur Poerner.
Fora do consenso II
O encontro de Havana ocorre num momento em que, contrastando com seus vizinhos da América Central e do Sul, Cuba vem exibindo índices de crescimento invejáveis. No último quinquênio, a economia cubana cresceu a uma média anual de 4,4%. Este ano, apesar do aumento do preço mundial do petróleo, o crescimento do PIB no primeiro semestre atingiu a taxa recorde de 7,7%. Embora o senso comum atribua aos investidores estrangeiros no setor de turismo o incremento experimentado pela economia do país, apenas 11% do total de quartos dos hotéis é de propriedade de empresas mistas. Os restantes 89% pertencem ao Estado cubano.

Escudo
Jornais editados no Município do Rio estão sendo usados como munição na guerra do segundo turno de Niterói. Partidários de Sérgio Zveiter, candidato do PMDB, estão distribuindo uma exótica edição especial do Povo do Rio dedicada à cidade vizinha – o expediente já fora usado no primeiro turno. Matéria em três páginas ataca o candidato à reeleição e favorito Jorge Roberto Silveira. Já os partidários do atual prefeito contra-atacam e distribuem a Gazeta de Notícias – jornal que até no Rio é difícil de ser encontrado – com acusações a Zveiter.

Soporífero
Além das óbvias conseqüências políticas, a incapacidade da oposição no Rio tornou-a devedora dos cariocas por uma não menos importante razão. A modorrenta campanha levada a cabo pelos candidatos xifópagos reafirma mais uma vez que, além de atrasado, o conservadorismo é desprovido de criatividade e bom humor.

Derrama
O segundo turno do Rio produziu um único resultado positivo até agora: a redução do desemprego na cidade. Pelo exército de cabos eleitorais do prefeito Luiz Paulo Conde que empunham bandeiras do candidato do PFL pelas ruas, já tem gente torcendo por um terceiro turno que se estendesse até o Natal.

Sem-teto
Cerca de 22 milhões de brasileiros não têm onde morar, enquanto 20 milhões enfrentam sérios problemas habitacionais. Os dados, aterradores, fazem parte de reportagem que será publicada na edição de novembro da revista Rumos, editada pela Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE), especializada em macroeconomia.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorCaçada
Próximo artigoAté eles

Artigos Relacionados

Deputado bolsonarista: servidor não pode ser sacrificado

‘Sociedade acha que não é o momento da reforma administrativa’.

Engie valerá R$ 2,5 bi a mais após acordo com Aneel

Prorrogação da concessão sem pagamento de outorga.

Apelo de Biden ao multilateralismo fica sem crédito

Na ONU, presidente dos EUA desmente mundo dividido em blocos rígidos.

Últimas Notícias

Pitch Night Mulheres no Comando

Grupo de mulheres investidoras anjo autofinancia startup de tecnologia lideradas por elas mesmas.

Limite de R$ 1 mil para saques entre 20 h e 6h deve dividir opiniões

Crescimento de golpes obriga BC a adotar medidas restritivas Na tentativa de evitar fraudes, o Banco Central adotou esta semana duas medidas restritivas: limite de...

Brasileiros começam a descobrir a Mesa proprietária

No Brasil o conceito ainda é desconhecido para a maioria das pessoas, mas é possível ganhar dinheiro trabalhando como trader no mercado financeiro e...

China: US$ 1,47 tri em aeronaves nos próximos 20 anos

O mercado de aviação da China criará uma demanda de novas aeronaves comerciais avaliada em US$ 1,47 trilhão nos próximos 20 anos, informou uma...

Cerca de 51% das ações ordinárias da ES Gás serão vendidas

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo do Estado do Espírito Santo e a Vibra Energia (antiga BR Distribuidora) assinaram,...