Implantação do Brexit vai afetar exportações brasileiras

Entre os principais produtos que podem ser afetados estão as carnes de aves processadas.

Negócios Internacionais / 17:09 - 14 de set de 2020

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Um volume de ao menos US$ 295,6 milhões em exportações anuais do Brasil para o Reino Unido está indefinido com a saída do país da União Europeia, o Brexit. Os números são de um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que considera produtos hoje exportados pelo Brasil para a União Europeia com cotas específicas para isenção no pagamento de imposto de importação.

Em 1º de janeiro de 2021 entrarão em vigor as novas tarifas de importação e toda política comercial do Reino Unido, que foram alvo de consulta pública. Mas o Brasil ainda precisa renegociar essas cotas tanto com a União Europeia como com o Reino Unido separadamente, tudo no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, explicou que, para o Brasil, se essas cotas não forem negociadas nos próximos cinco meses, as exportações ficarão indefinidas. Os principais produtos cujas exportações podem ser afetadas são frango salgado, açúcar de cana para refino e carnes de aves processadas. A União Europeia anunciou redução das cotas para esses produtos, e a ideia é que elas devam ser integralmente compensadas por um aumento pelo Reino Unido.

Sobretudo em um momento de crise econômica, é fundamental que o Brasil mantenha o seu fluxo de comércio tanto com o Reino Unido quanto com a União Europeia. Qualquer redução na exportação prejudica a retomada dos trabalhos nas indústrias. Além disso, é de direito do Brasil, negociado na OMC, que essas exportações tenham essa compensação no Reino Unido”, afirma o diretor.

No processo de renegociação, tanto União Europeia quanto Reino Unido colocam sobre a mesa as suas ofertas, que devem ser avaliadas pelo Brasil. Na conclusão, o volume geral de cotas somando União Europeia e Reino Unido não pode ser menor do que o Brasil já possui hoje. Assim, por exemplo, se a cota para um determinado bem era 100.000 toneladas por ano para a União Europeia e, após o Brexit, esse bloco define uma cota de 70.000 toneladas para esse bem, é necessário que uma cota de 30.000 toneladas seja negociada com o Reino Unido, completando o total.

Até agora, o Reino Unido já definiu as tarifas de importação que entrarão em vigor em 2021. Elas caem, na média, na comparação com as praticadas pela União Europeia. Por exemplo, na indústria, elas passam de 7,2% para 5,7%. Para a agroindústria e para a agricultura, elas também caem, mas permanecem em um patamar elevado. No primeiro caso, passam de 15,9% para 10,6% e, no segundo, de 18,3% para 16,1%. O que ainda está pendente é a negociação das cotas.

 

Exportações do agronegócio crescem 7,8%

O Brasil exportou US$ 8,91 bilhões em produtos do agronegócio, em agosto deste ano. O valor representa uma elevação de 7,8% em relação ao mesmo mês do ano passado (US$ 8,26 bilhões). O aumento ocorreu em função da quantidade dos produtos exportados, que registrou aumento de 16,5% na comparação entre agosto de 2019 e 2020. O crescimento foi de US$ 646,24 milhões em valores absolutos.

A Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou a Balança Comercial do Agronegócio nesta sexta-feira (11). De acordo com a secretaria, a elevação das vendas externas da soja em grãos e de açúcar de cana foram os responsáveis pelo resultado do mês. O agronegócio representou mais de 50% na participação das exportações totais do país.

As exportações de soja em grão atingiram US$ 2,21 bilhões (+25,1%). Desse total, a China comprou perto de 75%, o que representou US$ 1,65 bilhão. Com a queda de produção de açúcar na Índia e Tailândia na safra 2019/2020, houve novas oportunidades para o Brasil aumentar as exportações do produto, que alcançou em agosto US$ 960 milhões, com incremento de 107%.

Os embarques dos produtos do agronegócio brasileiro para a China também explicam o incremento no mês analisado. Foram despachados para o país asiático 30% a mais que o registrado em 2019 (US$ 639 milhões), totalizando em agosto US$ 2,7 bilhões.

As importações de produtos agropecuários diminuíram de US$ 1,10 bilhão (agosto/2019) para US$ 912 milhões (agosto/2020), o que significou um recuo de 17,3%. Desta forma, o saldo da balança comercial de agosto somou US$ 7,1 bilhões.

 

Curso de Estratégia de Internacionalização

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) abriu inscrições para a segunda edição do Curso de Estratégia para Internacionalização em 2020, que pretende capacitar empresas brasileiras para lidar com os principais desafios da expansão internacional, com foco nas reflexões estratégicas e nas ferramentas de gestão que auxiliam nas análises, planejamento, tomadas de decisão e mitigação de riscos associados a operações no exterior. O curso será totalmente digital e as inscrições estão abertas entre 1º e 15 de setembro pelo link click.apexbrasil.us/qWT3w

Realizado com apoio da Fundação Instituto de Administração (FIA Business School), o curso permitirá às empresas identificar os riscos e questões inerentes à complexidade atual do ambiente competitivo global. A capacitação é orientada aos tomadores de decisão e principais líderes das empresas para estruturar a visão estratégica sobre a expansão internacional, oferecendo conhecimento especializado e de ponta sobre as principais tendências para ampliar a visão global do empreendedor brasileiro.

No decorrer do curso, os participantes contarão com uma dinâmica pedagógica orientada pelo modelo de negócio Canvas FIA/Apex, que reflete sobre a prioridade de atuação internacional, posicionamento competitivo, proposta de valor, competência global e configuração da operação internacional. Após a conclusão do curso, os participantes que cumprirem a carga horária estabelecida receberão certificado da FIA. A capacitação está dividida em seis dias com aulas remotas ao vivo oferecidas com o apoio da plataforma Instructure Canvas e Zoom, totalizando 25 horas de curso

Informações: portal.apexbrasil.com.br

 

Exportação de frango cresceu 11% em agosto

A exportação brasileira de carne de frango cresceu 11,3% em volume no mês de agosto sobre o mesmo mês de 2019, somando 362,4 mil toneladas entre produtos in natura e processados, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Em receita, porém, houve queda de 10% no período, para US$ 497,8 milhões.

A Arábia Saudita aumentou suas compras em 24% em agosto, com 46,7 mil toneladas compradas. Os Emirados Árabes Unidos aumentaram suas importações também em 24%, chegando a 25,8 mil toneladas no mês. A China comprou 46% mais, com 54,7 mil toneladas no mês, e a Coreia do Sul aumentou as importações em 25%, com total de 14,2 mil toneladas. A China foi a maior compradora, seguida da Arábia Saudita.

De janeiro a agosto, as exportações brasileiras de carne de frango totalizaram 2,833 milhões de toneladas, volume 1,8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Em receita, houve retração de 11,3%, com US$ 4,14 bilhões.

A balança comercial brasileira fechou a primeira semana de setembro com superávit de US$ 1,795 bilhão e corrente de comércio de US$ 6,458 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia (Secex/ME), divulgados ontem. As exportações chegaram a US$ 4,127 bilhões e as importações, a US$ 2,332 bilhões. No ano, as exportações totalizam US$ 142,447 bilhões e as importações, US$ 104,372 bilhões, com saldo positivo de US$ 38,076 bilhões e corrente de comércio de US$ 246,819 bilhões.

Nas exportações, comparadas as médias até a primeira semana de setembro de 2020 (US$ 1,031 bilhão) com as de setembro de 2019 (US$ 966,59 milhões), houve crescimento de 6,7%. Já as importações tiveram queda de 25,8%, na mesma comparação: US$ 582,95 milhões agora contra US$ 785,48 milhões em setembro do ano passado.

Assim, até a primeira semana deste mês, a média diária da corrente de comércio totalizou US$ 1,615 bilhão e o saldo, também por média diária, foi de US$ 448,69 milhões. Comparando-se este período com a média de setembro de 2019, houve queda de 7,8% na corrente de comércio.

No acumulado até a primeira semana de setembro, em relação à média diária do mesmo mês do ano anterior, as exportações tiveram crescimento de US$ 23,01 milhões (+13,6%) em agropecuária e de US$ 91,03 milhões (+42,7%) em indústria extrativa, mas recuaram US$ 46,22 milhões (-8%) em produtos da indústria de transformação.

 

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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