Importações chinesas decepcionantes e cautela com inflação nos EUA puxam queda das bolsas

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Foto tirada em 15 nov, 2021 mostra a cena da cerimônia de abertura da Bolsa de Valores de Beijing, em Beijing, capital da China. (Xinhua)

Importações chinesas decepcionantes e a cautela com a inflação nos EUA levam à queda das bolsas internacionais, com ações cíclicas e tecnologia liderando as perdas, em meio a temores de um cenário estagflacionário no curto prazo. Juros de lado e dólar se beneficia do clima de cautela, operando com ganhos disseminados. Dia negativo nas commodities, com minério de ferro devolvendo maior parte dos ganhos de ontem. Por aqui, destaque para a ata do Copom, com foco em possíveis sinais sobre as condições necessárias para o início do ciclo de cortes da Selic, levando a um cenário indefinido para a abertura do mercado de juros, após indigestão com a indicação de Galípolo para o BCB ontem. No Ibovespa, viés de baixa na abertura, com a queda das commodities e o clima mais negativo para bolsas, enquanto dólar deve abrir em alta.

Ásia: bolsas fecharam majoritariamente em queda, em dia de dados fracos na China (importações) e Japão (consumo das famílias). Na Austrália, vendas no varejo em linha, subindo 0,4% (5,4% a/a) em mar/23. Na China, superávit comercial de $90,2 bi (exp $71,6 bi) em abr/23, com exportações de $295,4 bi (8,5% a/a vs exp 8% a/a) e as importações de $205,2 bi (-7,9% a/a vs exp 0% a/a). Nos Emirados Árabes, Mazroui (Energia) disse que o país não está preocupado com o preço do petróleo no curto prazo. No Japão, consumo das famílias abaixo do consenso (exp 1,5%), caindo 0,8% (-1,9% a/a) em mar/23. Ueda (Boj) disse que se a meta de inflação for atingida de forma sustentável, o controle de juros (YCC) acabará e que há sinais indo nessa direção. Hoje, Coréia divulga conta corrente (mar/23) e taxa de desemprego (abr/23) às 20h.

Europa: bolsas no negativo, com ações cíclicas liderando as quedas, após decepção com os dados chineses. No Reino Unido, os preços de imóveis caíram 0,3% (exp 0,2%) em abr/23, somando 0,1% em 12 meses, mínima desde 2013. Kazaks (BCE) disse que o ciclo de alta de juros pode ir além de jul/23 (2 reuniões) e que cortes em 2023 parecem prematuros. Lane (BCE) afirmou que a inflação segue com muito momentum, apesar de certa moderação, e que ainda há grandes riscos altistas ao cenário de inflação. Na agenda, Schnabel (BCE) fala às 14h.

EUA: com os juros engatando a 3ª alta ontem, em meio à cautela com a inflação amanhã, futuros caem. Segundo o Fed NY, a inflação esperada pelas famílias teve alta de 4,47% para 4,7% (1 ano), subiu de 2,8% para 2,9% (3 anos) e avançou de 2,5% para 2,6% (5 anos). Goolsbee (Fed Chicago, vota) afirmou que há sinais de que um credit crunch está começando. Na agenda, confiança das PMEs da NFIB (abr/23) às 7h e estoques de petróleo da API (5/mai) às 17h30. Leilão de T-Notes (3 anos) às 14h. Jefferson (FRB, vota) fala às 9h30 e Williams (Fed NY, vota) às 13h05. Duke Energy divulga resultado antes da abertura. Airbnb e Occidental, após fechamento.

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Brasil: a alta nas taxas de juros, em meio ao avanço dos juros no exterior e os receios com a indicação de Galípolo para a diretoria de política monetária do BCB, e as incertezas com o embate jurídico do governo no caso Eletrobras pesaram no mercado local, com o Ibovespa fechando aos 102.042 pontos (0,85%). A percepção de um Copom mais suave segurou a ponta curta da curva, enquanto os vértices mais longos seguiram o exterior e subiram entre 10 e 15 pontos. Apesar dos ganhos nos termos de troca e do superávit forte na balança comercial no começo de maio, o dólar sentiu as incertezas com a política monetária local e o dólar fechou em R$5,01 (1,37%).

A paralisação de fábricas no mês passado fez a produção de veículos da Anfavea atingir 178,9 mil veículos (-8,8% a/a) em abr/23, com destaque para caminhões, que caiu 25,8% na margem. A deflação no atacado fez o IGP-DI cair de -0,34% para -1,01% (exp -1,06%) em abr/23, com a taxa em 12 meses atingindo -2,57%, mínima da série histórica, com o IPA caindo de -0,71% para -1,56% (-5,19% a/a), o IPC aliviando de 0,74% para 0,5% (3,45% a/a) e o INCC desacelerando de 0,30% para 0,14% (7,17% a/a). Apesar da deflação em saúde, a aceleração de 8 das 9 categorias fez o IPC-S subir de 0,50% para 0,61% (exp 0,56%) na 1ª prévia de abr/23, com a taxa em 12 meses subindo para 3,57%. A balança comercial teve superávit de $2,3 bi na 1ª semana de mai/23, com exportações de $6,7 bi (24,9% a/a) e importações de $4,4 bi (-2% a/a). No ano, o superávit é de $26,2 bi ($25,4 bi em 2022). Relatório Focus (3/mai): no IPCA, quedas de 6,05% para 6,02% (2023), de 4,18% para 4,16% (2024) e seguiu em 4% (2025). No PIB, estáveis em 1% (2023), em 1,40% (2024) e em 1,80% (2025). Na taxa Selic, estáveis em 12,50% (2023), em 10% (2024) e em 9,0% (2025).

Haddad (Fazenda) confirmou que Gabriel Galípolo será indicado para o cargo de diretor de política monetária do BCB. Segundo o Valor Econômico, Dario Durigan (Meta) deve ser indicado para o lugar de Galípolo na Fazenda. Padilha (Relações Institucionais) disse que o governo pretende votar o arcabouço fiscal na Câmara na próxima semana. Na agenda, ata do Copom (3/mai) às 8h e leilão do TN (LFT e NTN-B) às 11h30. BTG divulga resultado antes da abertura. Após fechamento, Armac, Aura, CSU, Cury, CVC, EcoRodovias, Enjoei, Eternit, Fras-Le, Infracommerce, JSL, Méliuz, Minerva, Valid, Vivo e YDUQS.

Nicolas Borsoi é economista-chefe da Nova Futura Investimentos.

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