Imposto de Renda 2026: os principais erros que levam à malha fina e como evitá-los

Os 10 principais erros, relacionados ao Imposto de Renda, que levam contribuintes à malha fina da Receita Federal. Por Richard Domingos

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Imposto de Renda 2026: os principais erros que levam à malha fina e como evitá-los

A malha fiscal é o sistema de cruzamento de dados da Receita Federal que identifica inconsistências entre as informações prestadas na declaração e aquelas enviadas por empresas, bancos, planos de saúde, imobiliárias e demais fontes pagadoras. Quando há divergências, a declaração fica retida para análise, podendo gerar atraso na restituição e até cobrança de multa e juros, caso o erro não seja corrigido.

Segundo os dados mais recentes divulgados pela Receita Federal, referentes ao último exercício já consolidado, cerca de 1,4 milhão de declarações ficaram retidas em malha. Vale destacar que uma mesma declaração pode apresentar mais de um motivo de retenção.

Principais motivos de retenção na malha fina

De acordo com os levantamentos oficiais mais recentes, os principais fatores que levaram contribuintes à malha foram:

  • Deduções, especialmente despesas médicas, são responsáveis pela maior parte das retenções, superando metade dos casos;
  • Omissão de rendimentos, tanto do titular quanto de dependentes, representam pouco mais de um quarto das ocorrências;
  • Divergências no Imposto de Renda Retido na Fonte, quando os valores declarados não coincidem com os informados pelas fontes pagadoras;
  • Problemas com deduções de incentivos fiscais, como doações aos fundos da criança, adolescente e idoso;
  • Erros envolvendo rendimentos recebidos acumuladamente;
  • Diferenças no imposto pago, como carnê-leão ou imposto complementar.

Esses dados mostram que a maior parte das retenções está ligada a falhas de preenchimento ou falta de conferência das informações.

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Dez erros que mais levam à malha fina

Com base na experiência prática no atendimento a contribuintes, destaco os erros mais frequentes que continuam se repetindo ano após ano:

  1. Não declarar rendimentos tributáveis de pessoa jurídica, como salários, pró-labore, aposentadorias, pensões e rendimentos de dependentes;
  2. Omitir rendimentos de aluguel recebidos de pessoas físicas, que devem ser informados corretamente e, quando aplicável, recolhidos via carnê-leão ao longo do ano;
  3. Declarar incorretamente despesas relacionadas a aluguéis, deixando de informar corretamente comissões imobiliárias e demais despesas dedutíveis;
  4. Informar previdência privada do tipo VGBL como dedutível, sendo que apenas contribuições ao PGBL podem ser abatidas, dentro dos limites legais;
  5. Não excluir valores reembolsados por planos de saúde ao declarar despesas médicas;
  6. Incluir despesas médicas de pessoas que não constam como dependentes na declaração;
  7. Não preencher a ficha de renda variável quando houve operações em bolsa de valores ou outras aplicações sujeitas a tributação específica;
  8. Declarar pensão alimentícia sem respaldo legal, ou seja, sem decisão judicial, acordo homologado ou escritura pública;
  9. Incluir o mesmo dependente em mais de uma declaração, situação comum em casos de pais separados;
  10. Declarar como despesa valores de plano de saúde pagos pela empresa, quando não houve desembolso efetivo por parte do contribuinte.

Como evitar problemas com a malha fina em 2026

Minha principal recomendação é simples: organização e antecedência.

A declaração pré-preenchida, disponibilizada pela Receita Federal, facilita o processo, pois importa dados informados por terceiros. No entanto, ela não elimina a responsabilidade do contribuinte, já que todas as informações devem ser conferidas com atenção.

É fundamental reunir informes de rendimentos, recibos médicos, comprovantes de pagamento, documentos de bens e direitos e extratos bancários antes de transmitir a declaração. Isso reduz significativamente o risco de inconsistências.

Evitar a malha fina não depende de sorte, mas de cuidado técnico. Uma declaração bem elaborada garante tranquilidade, evita atrasos na restituição e reduz o risco de autuações futuras.

Richard Domingos é diretor executivo da Confirp Contabilidade e especialista em gestão de empresas e contador com pós-graduação em Direito Tributário Empresarial.

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