Império em baixa

Os Estados Unidos estão perdendo o status de única superpotência na percepção da opinião pública mundial. Ao mesmo tempo, China e Índia adquirem importância crescente, enquanto a Rússia melhora sua imagem como potência mundial. Esses são os principais resultados de pesquisa mundial encomendada pela fundação alemã Bertelsmann Stiftung sobre quais países poderiam ser vistos como potências mundiais atualmente e em 2020. Para 81%, são potências mundiais atualmente os Estados Unidos, seguidos da China (50%), da Rússia (39%), do Japão (35%) e da União Européia (EU) e do Reino Unido (34% cada um). A pesquisa foi realizada pelo Gallup em EUA, Rússia, Brasil, China, Índia, Japão, Alemanha, França e Reino Unido.

China no retrovisor
Em relação a 2005, o número de pessoas que mencionavam a China como  potência mundial cresceu 5%, enquanto a Rússia ganhou 12 pontos percentuais. Em relação a 2020, apenas 61% das pessoas vêem nos EUA uma potência mundial, seguidos de perto pela China (57%). Rússia, UE e Japão ocupam as demais posições.
A Índia é cada vez mais percebida como um ator importante. Embora apenas 15% dos entrevistados consideram o país uma potência mundial atualmente, 29% o vêem como um membro importante em 2020: “As expectativas das pessoas dependem muito de aspectos políticos. Em todo o mundo, as pessoas vêem os Estados Unidos perdendo sua posição dominante e a China ganhando terreno”, resume Josef Janning, chefe das Relações Internacionais da Bertelsmann Stiftung.

Soberania em alta
Para Janning, porém, os entrevistados não esperam uma ordem mundial harmoniosa, equilibrada, comandado pela Organização das Nações Unidas (ONU): “Na verdade, em praticamente todos países, as pessoas pretendem contar com sua própria eficiência na competição global e querem que seus países desempenhem papéis mais importantes, disseminando a paz e a estabilidade. Caso essa perspectiva e a expectativa mantenham-se na política global, podemos ver uma mudança no tipo de espírito nacionalista entre as forças globais atuais e futuras que notamos ser tão desastrosas na Europa, no século XX. No entanto, a ameaça da mudança climática parece ser um incentivo maior na direção da cooperação política em nível internacional”, avalia Janning.

Ditadura midiática
Os brasileiros estão cada vez mais preocupados com a concentração dos meios de comunicação nas mãos de um “pequeno número de grandes empresas do setor privado”. Segundo pesquisa da GlobeScane Synovate, encomendada pelo Serviço Mundial da BBC e feita em 14 países, com 11.344 pessoas, 80% dos brasileiros declararam-se preocupados com o controle das empresas de mídia e acreditam que esse controle pode levar à “exposição das visões políticas” de seus donos no noticiário.

Entendendo o Madeira
A UFRJ realiza seminário, nesta quinta-feira, às 9h, para debater o resultado do leilão da Hidrelétrica de Santo Antônio, o primeiro do Rio Madeira. Os palestrantes, entre eles Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), e Edvaldo Santana, diretor da Aneel, avaliarão também as perspectivas do setor elétrico brasileiro, que tem potencial de cerca de 100.000 MW na região Amazônica.

Público&privado
Umas das raras e mais simpáticas formas de ocupação do espaço público pela iniciativa privada nos últimos anos – noves fora, o desnecessário estrangeirismo Cow Parade, de resto ignorado pela população – as vaquinhas que alegraram as ruas do Rio de Janeiro nos últimos meses poderiam ter futuro mais generoso em vez de passarem a ser apreciadas apenas pelos que as compraram no leilão de quarta-feira. Seus compradores poderiam, por exemplo, manter as vaquinhas nas ruas, acrescentando apenas uma discreta placa na qual informariam seu nome ou de sua empresa e o desejo de dividirem a escultura com a população. Caso tenham algum dúvida sobre o retorno em publicidade e reconhecimento, basta perguntar ao Bradesco que, anualmente, coloca a árvore de Natal na Lagoa, atraindo até visitantes de outros municípios.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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