Incertezas deixam mercados voláteis

Segundo UE, mundo entrou na pior recessão em 100 anos, mas recuperação está em curso.

Opinião do Analista / 10:13 - 9 de jul de 2020

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Os investidores estão oscilando entre o medo de uma segunda onda de contágio da Covid-19 e a perspectiva de desenvolvimento em aplicação de vacinas contra o vírus. Ontem foi dia típico disso. Os EUA voltaram a bater recorde de casos com mais de 60 mil, enquanto a empresa Moderna anunciou progressos no desenvolvimento da vacina, e os testes entrando em sua terceira fase ainda no mês de julho.

Nos EUA, a Imprensa explica que Donald Trump está atrás nas pesquisas por conta da percepção de falta de competência para administrar a crise. Seu secretário, Larry Kudlow, segue afirmando que todos os indicadores até aqui divulgados indicam que a recuperação da economia está em formato de "V".

O Fed de Nova Iorque também colabora com essa percepção ao declarar que se as condições de mercado continuarem a melhorar, o Fed pode ir reduzindo a compra de ativos.

Mike Pompeo voltou a dizer que a China não é transparente e que tem que ser responsabilizada pela expansão da pandemia. Já o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, deixa claro que talvez seja preciso prolongar alguns programas fiscais de ajuda. O Reino Unido também fez movimento de ajuda, criando programa de contratação de jovens com benefício de 1 mil para o empresário por cada contratado; além de outros estímulos.

A União Europeia declarou que o mundo entrou na pior recessão em 100 anos, mas entende que a recuperação está em curso, com caminho de grandes incertezas pela frente. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 0,84%, com o barril cotado a US$ 40,96. O euro era transacionado em alta para US$ 1,13 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,65%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago. O minério de ferro é que teve forte alta de 3,39% na China durante a madrugada, com a tonelada fechando em US$ 106,50.

No segmento local, o IBGE anunciou que as vendas no varejo de maio cresceram acima do previsto em 13,9%, mas contra igual período de 2019 encolheram 7,2%. O varejo ampliado que inclui veículos e construção mostrou expansão de 19,6%, mas encolhe 14,9% sobre maio de 2019. Estamos 12,3% abaixo do pico alcançado em outubro de 2014. E a média trimestral ainda fica negativa em 2,6%

O Banco Central também anunciou o fluxo cambial de junho negativo em US$ 2,9 bilhões (fluxo financeiro negativo em US$ 4,7 bilhões), gerando fluxo negativo também no ano de US$ 12,9 bilhões. Os bancos encerraram junho vendidos em câmbio no montante de US$ 26,9 bilhões. As operações de swap cambial acumulada até 3 de julho mostram prejuízos de R$ 52 bilhões, mas tem os ganhos da administração das reservas. A posição cambial líquida está em US$ 299,4 bilhões. O presidente do BC disse que o fluxo de capitais tende a acomodar e melhorar nossas contas externas.

Do lado político destacamos a dura carta do PSDB criticando postura do ministro Paulo Guedes em entrevista no final de semana para a CNN, quando criticou o plano real e os governos do PSDB. No mercado, o dólar terminou o dia com -0,62% e cotado a R$ 5,347. Na Bovespa, na sessão do dia 6, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 286,7 milhões, deixando o saldo de julho negativo em R$ 1,27 bilhão e o ano muito negativo em R$ 77,77 bilhões.

No mercado, dia de queda da Bolsa de Londres em 0,55%, Paris com -1,24% e Frankfurt com -0,97%. Madri e Milão com perdas de respectivamente 1,62% e 0,57%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,68% e Nasdaq com +1,44%. Na Bovespa, dia de alta de 2,05% e índice em 99.769 pontos.

Na agenda desta quinta teremos dados da inflação na China referente ao mês de junho, e os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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