Indecentes

A taxa de juro real brasileira ainda é a mais elevada do mundo, sendo mais de 2,5 vezes a taxa de juro real média paga por países emergentes, onde o estoque de capital também é escasso. A afirmação é do economista do Unibanco Eduardo Freitas, em análise que desmonta a tese de que os juros no Brasil precisam ser indecentemente altos. Freitas diz que o país pode caminhar para uma taxa real entre 7% e 8% até o final de 2001, que ainda assim seria superior à do México (6%) e o dobro da taxa médias dos países emergentes. O argumento de que a dívida pública elevada faria o setor privado exigir juros altos não se sustenta, de acordo com o estudo. “A relação dívida/PIB é de 46,5%, enquanto na Itália é de 114%, sendo que este país pagou 1,8% de juro real nos últimos 12 meses terminados em junho.”
Freitas mostra que a taxa de juros reais nas décadas de 70 e 80 forem bem mais modestas, sendo negativas em diversos anos. A taxa foi brutalmente elevada na década de 90, especialmente após 1994, inicialmente para conter a demanda e posteriormente para sustentar o câmbio irreal. “Uma das consequências de juros reais tão elevados foi que a dívida pública entrou em um processo de crescimento não sustentado gerando aumento de risco e também da taxa exigida pelos agentes para deter títulos públicos.”
A desvalorização do real e a tendência decrescente da relação dívida/PIB possibilitam a redução dos juros. Freitas adverte que o único senão é que a redução muito rápida da taxa poderia gerar crescimento “violento” do crédito e da demanda, com pressões inflacionárias.

Ouro para o Brasil
O pífio desempenho do Brasil nas Olimpíadas, agravado pela perda de jogos decisivos na undécima hora, transformou a conquista de uma medalha de ouro numa obsessão nacional.  Essa sensação se explicita num país marcado por chagas profundas, como o aumento do desemprego e da miséria, o sucateamento da saúde e da educação, e principalmente, a apropriação da esperança de dias melhores pela tentativa de naturalização da política econômica.
O raio X do país revelado pelos jogos se torna mais chocante por representar um duro desmentido, sem maquiagem possível, da realidade vendida ao público interno pela mídia “chapa branca”. A mudança desse quadro depende de mudanças tão profundas que, dificilmente, serão implementadas até os próximos jogos na Grécia.
No entanto, como dizia um antigo comandante, toda marcha começa com um primeiro passo. Neste fim de semana, os brasileiros terão a sua mão a oportunidade de mostrar suas qualidades olímpicas. Praticando tiro ao alvo nos responsáveis pela caótica e vergonhosa situação nacional, driblando obstáculos, como o poder econômico, encestando os corruptos, levantando suas vozes e nadando em direção a um novo rumo, podem derrotar fragorosamente nas urnas a coligação governista, em toda e qualquer nuança que se apresente. Sem dúvida, este triunfo vale uma medalha. De ouro.

O Gustavo deles
Apresentado na mídia internacional, como o novo campeão da liberdade, o principal candidato da oposição sérvia, Vojislav Kustonica, tem como principal bandeira econômica, a troca da moeda iuguslava pelo marco alemão. Não por acaso, recebeu um financiamento externo de US$ 25 milhões para sua campanha.

In memorian
Missa pelo transcurso de um ano do falecimento do jornalista, economista e professor Ricardo Bueno será realizada nesta terça-feira, às 17 horas. O ato religioso será na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, na rua Sete de Setembro, esquina com a rua Primeiro de Março.

Campeão
Texas, estado do qual é governador George Bush, candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, baterá este ano seu próprio recorde em número de execuções. Ricky McGinn, condenado pela violação e o assassinato em 1993 de uma menina de 12 anos, se transformou na noite de quarta-feira no 33º preso executado este ano numa prisão local e o 145º nos seis anos de Bush como governador, segundo o jornal espanhol El País. O estado consolidou sua  liderança em termos de aplicação da pena de morte. Até o final deste ano serão contabilizadas no mínimo 40 execuções, superando o recorde de 37 alcançado em 1997. Bush, criticado no Texas por sua suposta cumplicidade com as companhias de petróleo, considera a pena capital um “castigo rápido e seguro.”

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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