Independência para quem afinal?

Passadas apenas oito semanas deste ano de 2021, já temos fatos suficientes para torná-lo marcante para a população de uma das 10 maiores economias em escala planetária. Se a população brasileira tivesse plena noção do que representa a pretensa independência de seu Banco Central, votaria contra com a mesma potência com que tirou do jogo a BBB Karol Conká.

Gerar empregos e formular políticas anticíclicas ficou praticamente impossível com as regras restritivas fiscais e monetárias. Vamos ver ainda muitos universitários sem chance de empregabilidade e mais desigualdade de renda. Para contrastar com essa dramática realidade, basta ver o que Biden está fazendo nos EUA para salvar a economia, coisa que agora não podemos por aqui, pois o BC americano tem que visar emprego e inflação, com igual peso, enquanto no Brasil a prioridade é controlar preços e, somente em segundo plano, gerar emprego e renda.

Outro exemplo absurdo. Noventa e seis por cento do petróleo refinado pela Petrobras é nacional. Daí que numa sociedade onde 20 milhões estão desempregados, e a renda familiar per capita de metade da população é de meros R$ 900, atrelar o preço do diesel, do botijão de gás e da gasolina ao dólar caro e ao mercado externo revela-se um verdadeiro assalto ao bolso do consumidor tupiniquim.

Somente no último trimestre de 2020, a estatal teve lucro de R$ 60 bilhões. Além de uma extraordinária geração efetiva de caixa (Ebtida). Tudo centrado na exploração da camada pré-sal. A principal manchete do jornal londrino Financial Times fala da Petrobras e seu escorregão (de suas cotações em Bolsa) recente. Isso mexeu com gente graúda, aqui e lá fora, mas a semiestatal continuará rentável no longo prazo. O problema é que ontem teve vencimento no mercado especulativo de opções, e a malta endinheirada perdeu muita grana, sacou meu caro?

Sobre o tema dos preços dos combustíveis, dou uma sugestão de uma pauta para quem quer fazer jornalismo de verdade, diferente do discurso único da mídia corporativa. Quem são os atuais importadores de combustíveis do Brasil: gasolina, diesel e etanol. Quem são? Seus controladores e relações com a Petrobras e informações sobre estoques reguladores? Evolução dos seus ganhos? Relação entre exportadores de óleo cru e importadores de derivados? Disputa de preços com a BR? Por que não abrem mão da tal Paridade Internacional? Fica a sugestão…

 

Ranulfo Vidigal é economista.

Leia mais:

Os tropeços de Úrsula von der Leyen

Consolidação das escolas será a realidade do setor em 2021

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Jornalista agora pode ser MEI

Senado tentou incluir corretor de imóveis, publicitários e produtores culturais no projeto.

STF determina reintegração de excluídos do Bolsa Família

Ministro Marco Aurélio avaliou que Governo Federal estava descumprindo determinação.

Preços dos medicamentos voltam a subir em março

Segundo levantamento, resultado reflete agravamento da pandemia, colapso das unidades de saúde e depreciação cambial.

Planos devem autorizar exame de Covid de forma imediata

Antes da determinação da ANS, os planos podiam demorar até três dias úteis para garantir o atendimento ao pedido.

Cresce demanda árabe por café verde e solúvel do Brasil

No primeiro trimestre deste ano, país exportou 37% mais café à região; além dos grãos verdes, crus, países têm demandado mais produto solúvel.