Os avanços da tecnologia de segurança de dados e os esforços da indústria de meios eletrônicos de pagamento têm mudado o cenário de fraudes com cartões no Brasil nos últimos anos. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o índice que mede a fraude por valor financeiro transacionado com cartões caiu 23,8% neste terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2022, ano em que a entidade passou a acompanhar esse tipo de informação por meio do seu Monitor de Fraudes. Segundo o levantamento, o indicador caiu de 12,8 para 9,8 basis point (valor de fraude, dividido pelo valor das transações aprovadas e multiplicado por 10 mil) no período.
Com a já consolidada adoção da tecnologia de chip nos cartões brasileiros e a segurança do pagamento por aproximação, a fraude presencial continua próxima de zero e se mantém estável em 1,2 b.p. Já no ambiente não presencial (pagamentos online), o índice, embora mais alto, teve uma importante redução de 36,5%, saindo de 54,4 b.p. para 34,5 b.p. entre o terceiro trimestre de 2022 e o mesmo período de 2025.
A queda se deve, principalmente, aos contínuos investimentos do setor em processos de autenticação, como a tokenização e o protocolo 3DS 2.0, que ajudam a confirmar a legitimidade da compra, além de sistemas de prevenção que usam inteligência artificial para monitorar em tempo real o comportamento de uso do cartão, podendo detectar transações suspeitas e notificar o cliente a cada pagamento realizado.
“O uso dos cartões de crédito e débito continua sendo a maneira mais segura de se realizar pagamentos no Brasil, seja no ambiente presencial, seja em transações online. É um sistema que vem se aperfeiçoando ao longo das últimas décadas, implantando diversas camadas de segurança, e hoje possui os menores índices de fraudes do país”, afirma Ricardo de Barros Vieira, vice-presidente-executivo da Abecs.
Outro dado do mesmo levantamento é o índice de fraude por quantidade, que teve um recuo ainda maior no mesmo período analisado, de 32,4%, passando de 52 para 35 fraudes a cada 100 mil transações com cartões. A redução é ainda mais notória se observado que a quantidade de pagamentos com cartões no Brasil cresceu mais de 20% nos últimos três anos.
O monitor da Abecs também revela o tíquete médio de compras fraudulentas no Brasil. No terceiro trimestre de 2025, esse valor foi de R$ 263,50, valor considerado muito baixo em relação a outros meios de pagamento, como o Pix. Na comparação entre as modalidades de cartão, a fraude costuma ser um pouco mais alta no cartão de crédito (R$ 266,69) do que no débito (R$ 163,88) e no pré-pago (R$ 122,73). O valor médio da fraude também é maior no ambiente presencial (R$ 322,16) do que no online (R$ 258,74).
Cinco dicas para evitar fraudes em compras online no início do ano
Em janeiro de 2025, segundo pesquisa da Serasa Experian, o Brasil registrou o maior volume de tentativas de fraude já registrado no mês, com mais de 1,2 milhão de ocorrências, o que representa um crescimento de 41,6% em relação ao mesmo período de 2024. Seguindo essa tendência, explica Paulo Cesar Costa, especialista em sistemas antifraude e CEO da PH3A, empresa especializada em inteligência de dados e estratégia de marketing e vendas, é que janeiro de 2026 apresente números ainda mais preocupantes. Para proteger seu dinheiro e dados pessoais, ele dá cinco dicas práticas:
1. Prefira sites confiáveis e verificados
Antes de finalizar uma compra, verifique se o site é seguro – o endereço deve começar com https:// e exibir um cadeado na barra de navegação. Sites confiáveis também têm avaliações consistentes, canais de contato claros e informações completas sobre a empresa. Compradores online precisam ser críticos com o que está por trás da oferta. Um domínio estranho ou um nome diferente do esperado já é motivo para desconfiar.
2. Use senhas fortes e autenticação em dois fatores
Crie senhas robustas, com combinação de letras, números e símbolos, e ative autenticação em dois fatores (2FA) sempre que possível – isso torna muito mais difícil o acesso não autorizado às suas contas. Segurança começa com pequenas ações, como uma boa senha. Isso reduz drasticamente o risco de invasão mesmo quando um golpista já tem alguns dos seus dados.
3. Desconfie de ofertas boas demais para serem verdade
Promoções muito abaixo dos preços de mercado podem ser armadilhas para capturar seus dados ou induzir pagamentos falsos. Pesquise e compare preços antes de clicar em links suspeitos. Golpistas usam a psicologia da urgência e da oportunidade para enganar. Parar e pensar antes de clicar pode ser a melhor defesa.
4. Evite clicar em links recebidos por e-mail ou WhatsApp
Golpes por phishing, quando você recebe um e-mail ou mensagem imitando uma empresa real, são comuns no início do ano. Em vez de clicar em links, acesse diretamente o site oficial digitando o endereço no navegador. Sempre que recebemos um link inesperado, especialmente com urgência ou promessa de benefício, vale a pena checar diretamente no site original.
5. Monitore seus dados e transações com frequência
Verifique regularmente extratos bancários, faturas de cartão e alertas de compras. Se notar algo estranho, como cobranças desconhecidas ou tentativas de acesso, entre em contato imediatamente com o banco ou a empresa responsável. Monitorar seus próprios dados e transações é como revisar seu próprio seguro: pode parecer rotina, mas faz toda a diferença quando algo foge do padrão.

















