Indígenas são mais discriminados hoje do que há 10 anos

Segundo estudo, 47% dos brasileiros entrevistados declaram que o cenário piorou nos últimos anos e 54% acreditam que o preconceito diminuirá com atual governo

163
Indígenas da etnia guajajara (Foto: Júnior Reis)
Indígenas da etnia guajajara (Foto: Júnior Reis)

Segundo dados exclusivos da terceira edição do estudo Oldiversity, do Grupo Croma, 47% dos brasileiros acreditam que os indígenas são mais discriminados do que há 10 anos e apenas três em cada 10 brasileiros buscam aprender sobre a cultura dos povos indígenas, além disso 7% dos entrevistados não sabem nada sobre os povos indígenas; o que significa a falta de interesse pelos índios no Brasil, quando comparamos a capacidade populacional do país com a quantidade de nativos. Por fim, 41% dos entrevistados estão preocupados com as condições de vida dos povos indígenas.

Para Edmar Bulla, fundador do Grupo Croma e idealizador do estudo, o cenário atual dessa população é triste e preocupante.

“Aumentou o número de invasões às terras indígenas nos últimos 10 anos (71%), fator que por si só deveria criar um movimento de empatia em relação a esses brasileiros. É inaceitável ver o sofrimento deste povo em busca de trabalho, saúde, alimentação digna e combate às doenças que o homem branco levou às reservas. Precisamos de política social e reparadora aos indígenas em caráter de urgência”, explica.

Ainda de acordo com os dados obtidos pelo estudo, 64% dos entrevistados declaram que atualmente se sabe mais sobre como vivem os indígenas no Brasil.

Espaço Publicitáriocnseg

“O Brasil é conhecido internacionalmente como um país acolhedor, um povo solidário e empático. Acolher pessoas em situações de vulnerabilidade mostra o quanto o país está preparado para conviver com estas diferenças. Ainda de acordo com o estudo, 49% dos brasileiros sabem conviver com os costumes e tradições de imigrantes ou refugiados. O Brasil possui grandes colônias de diversos povos, tribos e raças em toda a sua extensão continental, o que permite acolher sem discriminar”, explica Bulla.

Pouco mais da metade dos respondentes (54%) acredita que o preconceito contra imigrantes, refugiados e, principalmente, contra os povos indígenas melhorará durante o atual governo, mesmo tendo sido instituído o Ministério dos Povos Indígenas, liderado por Sônia Guajajara. Mesmo assim, são poucos aqueles que acreditam que o contexto geral piorará, justamente porque ainda é possível observar cerca de um terço das pessoas que acreditam que nada mudará.

Ao longo dos tempos, os povos indígenas têm sido protetores dos ecossistemas naturais e detentores de conhecimentos transmitidos ao longo das gerações sobre a gestão sustentável dos recursos naturais. Apesar disso, muitas comunidades indígenas enfrentam desafios significativos no que diz respeito ao acesso à infraestrutura básica de saneamento, devido a problemas como falta de investimento, discriminação e negligência por parte das autoridades governamentais.

Para além de assegurar a saúde e o bem-estar das comunidades indígenas, investir em saneamento básico nessas áreas também contribui para a preservação do meio ambiente, para a redução das desigualdades sociais e para o fortalecimento dos direitos humanos e da cidadania.

De acordo com Luiz Fazio, presidente da ONG Biosaneamento levar saneamento sustentável e criar estrutura para esta comunidade em crescimento é fundamental para mantê-los motivados a prestar serviços ambientais e preservação da sua cultura, além de ser necessário e justo.

“Ocupar uma parte da área indigena que estava desocupada é fundamental para que não ela seja invadida. Ao salvaguardar as terras indígenas, o Brasil reforça sua responsabilidade ambiental e social, contribuindo para a construção de uma sociedade mais inclusiva, sustentável e respeitosa com a diversidade que constitui a riqueza única do país”, destaca Luiz.

Para Neusa Poty, líder da comunidade indígena, é essencial que haja homologação da demarcação do território, registro de endereço oficializando logradouro, continuidade no apoio à saúde e educação com a preservação e respeito a cultura. Além disso, a comunidade ainda precisa de energia elétrica, divulgação da localização para apoios e visitas que promovem a prosperidade a partir da compra de artesanatos.

“Demarcação dos territórios indígenas, tradicionalmente ocupados há milhares de anos, são essenciais para a preservação ambiental e troca cultural. Com proteção das nascentes, equilíbrio climático e sustentabilidade com o plantio do roçado indígena, teremos alimentos orgânicos, pomares e meliponários com a criação de abelhas nativas sem ferrão”, avaliou,

O Brasil tem mais de 1,6 milhão de pessoas que se declaram indígenas, o que representa 0,83% do total de habitantes do país, segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais da metade (51,2%) da população indígena está concentrada na Amazônia Legal, região formada pelos estados do Norte, Mato Grosso e parte do Maranhão. A pesquisa também aponta que 63,27% dos indígenas residem fora das terras indígenas e 36,73% dentro delas. Amazonas e Bahia são os estados com maior quantitativo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui