Indústria cresce mas ainda está 13,45% inferior a fevereiro

Pior parece ter passado, mas setor já vinha mal antes da pandemia.

Conjuntura / 21:55 - 4 de ago de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

A produção industrial cresceu 8,9% em junho frente a maio (série com ajuste sazonal), segundo o IBGE, intensificando a expansão observada no mês anterior (8,2%). Os dois meses seguidos de crescimento eliminaram parte da perda de 26,6% registrada em março e abril, no ponto mais baixo da série.

Ainda assim, o setor industrial se encontra 13,45% inferior ao nível de fevereiro de 2020 e 27,7% abaixo do recorde alcançado em maio de 2011.

Em relação a junho de 2019 (série sem ajuste sazonal), a indústria recuou 9%, oitavo resultado negativo seguido nessa comparação, o que comprova que o setor já vinha mal antes da pandemia. Os índices do setor industrial foram negativos tanto para o fechamento do segundo trimestre de 2020 (-19,4%), como para o acumulado do primeiro semestre do ano (-10,9%). Em 12 meses, a queda foi de 5,6%, recuo mais intenso desde dezembro de 2016 (-6,4%).

Os analistas do Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG) mostram que a indústria acumulou crescimento de 17,9% em maio e junho. “De qualquer forma, o pior momento da produção industrial foi realmente deixado para trás, e esperamos uma recuperação adicional à frente”, registra a análise.

Depois da paralisação de muitas linhas e unidades produtivas em abril, já era esperada alguma reação do setor nos meses subsequentes. A questão é saber qual o perfil da recuperação, se será consistente e forte o suficiente para recolocar rapidamente a indústria em uma situação equivalente àquela anterior à crise de Covid-19”, questiona o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Agrava o quadro”, assinala o Iedi, “o fato de que a indústria pouco poderá contar com o setor externo para ganhar tração nos próximos meses”. Segundo o IBGE, o quantum das exportações brasileiras de manufaturados declinou 13,1% em junho e 19% no acumulado do primeiro semestre, ante o mesmo período de 2019.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor