Indústria ferroviária de passageiros perde espaço em 2025

Na parte de carga, houve produção de mais de 1000 vagões e 50 locomotivas, número abaixo da capacidade da indústria.

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Ferrovia (Foto Ricardo Botelho - Minfra via Agência Brasil)

A indústria nacional de carros de passageiros não tem muito o que comemorar em 2025. De acordo com o 1º vice-presidente do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), Massimo Giavina, o governo, através da ANTT, BNDES e MDIC, tem que impor a participação da indústria brasileira nas concorrências, pois caso contrário existe o risco da indústria local perder espaço, como ocorreu em países como a Argentina.

Giavina explica que na produção de carros de passageiros, a Alstom foi praticamente exclusiva no Brasil. A CRRC iniciou a entrega para o Demetrô e a Marcopolo entregou o VLT para o Chile. “Todas as concorrências deste ano foram vencidas pela CRRC – Metrô de São Paulo, Demetrô e TIC e, somente a Marcopolo venceu para o fornecimento de VLT na região norte do Brasil. Na parte de carga, houve produção de mais de 1000 vagões e 50 locomotivas, número abaixo da capacidade da indústria.”

A grande participação da indústria chinesa no mercado brasileiro, acredita Giavina, se deve à falta de regras adequadas, como condições de financiamento e ações para a inclusão da indústria nacional nas concorrências. “Os programas do Governo, apesar de reconhecida a sua importância, ainda estão muito incipientes em relação à política de transporte de passageiros e ainda faltam alguns regramentos operacionais no transporte de carga, através da ANTT.”

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Enquanto isso, a capacidade instalada da indústria ferroviária nacional permanece a mesma, tanto para veículos de passageiros, quanto de carga. Giavina lembra o trabalho que vem sendo realizado pelo Simefre em parceria com a Abifer e a Frente Parlamentar, buscando demonstrar aos órgãos Federais e ao Ministério da Fazenda, o quanto a indústria ferroviária é estratégica para o Brasil, tanto no transporte, quanto na geração de empregos.

O mercado

O ano de 2025 mostrou-se positivo para a indústria ferroviária. A avaliação é diretor do Simefre, Vicente Abate. Ele destaca que na área de cargas houve um acréscimo no volume de vagões e locomotivas.

Foram entregues 1.700 vagões, aumento de 10% em relação ao ano de 2024 (1.547 vagões), e 66 locomotivas, contra as 54 do ano anterior, representando um crescimento de 22%. No setor de passageiros foram entregues 122 carros para a linha 6 do Metrô-SP e às exportações para Taiwan e Romênia.

Para 2026, Abate estima que sejam entregues 1.900 vagões de carga, sendo 140 para exportação, 72 locomotivas e 193 carros de passageiros, incluindo o fornecimento para a linha 6 do Metrô-SP e as exportações para o Chile e Taiwan.

De acordo com Abate, o papel da Frente Parlamentar para o Fortalecimento da Indústria Ferroviária Brasileira esteve bastante ativa, com diversas visitas realizadas ao governo Federal e ao Congresso Nacional. “Nossa indústria foi incluída no Fundo Clima e foram realizadas ações junto à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), para incluir nossa indústria no seu programa Renovar.

No âmbito estadual, o setor acompanha de perto os 21 sistemas metroferroviários em todas as oportunidades de negócios. “Nossa vulnerabilidade continua em relação às investidas agressivas da indústria chinesa no mercado brasileiro. A indústria brasileira continuará a se desenvolver e gerar emprego e renda para nossa gente.”

Motos e bicicletas

Sobre o setor de peças de motos e bicicletas, segundo o diretor do Simefre, Auro Levorin:

“De um lado temos a venda de equipamentos originais, que cresceu 5%, do outro o mercado de reposição, que acompanha a economia do país. Vale ressaltar que uma terceira fonte, que seriam as exportações, não pode ser explorada pela indústria nacional por total falta de capacidade de competir”.

Logo, explica, a composição dos dois mercados deu origem a esse crescimento de 5% no mercado de bicipeças. “No entanto quem captou esse aumento não foi a indústria nacional, mas sim as importações, que tiveram um crescimento de 15% e, desta forma, além do crescimento de mercado abocanharam mais um pedaço do pouco que sobrou para as indústrias brasileiras”, afirma.

Para ele, isso acontece em primeiro lugar pela concorrência desleal dos países exportadores, principalmente a China, e, a condição atual de protecionismo dos EUA que provoca uma mudança nos objetivos dos exportadores, haja vista a redução constatada nos preços de importação que caíram 5% além, claro, do Custo Brasil.

Levorin chama atenção para o número cada vez maior de indústrias fechando as portas e, ou trocando produção local por importação para poder se manter no mercado. Ele destaca o trabalho que vem sendo feito pelo sindicato no sentido de apoiar essas indústrias com as ferramentas disponíveis no mercado.

“Temos que contar com a ajuda do governo que, infelizmente não tem agido para defender nossa indústria da forma como é feita por outros países, com agilidade e priorizando o que é nacional. Nosso objetivo ainda continua sendo o de sensibilizar governo e indústria a unirmos esforços a fim de que possamos superar essa espiral negativa”, finaliza.

O mercado de partes e peças de motocicletas vem acompanhando o crescimento constante da produção e vendas de motos no país. “Assim como a produção de veículos deverá crescer 12 % e o crescimento econômico do Brasil chegará a 2,2%, e ponderando esses dois fatores podemos dizer que o mercado de partes e peças deve crescer esse ano na comparação com 2024, em torno de 7%.”

Porém o diretor do sindicato alerta que da mesma forma que acontece em outros mercados, grande parte desse crescimento vai para as importações que tiveram incremento de 15%, mais uma vez pegando uma fatia da indústria nacional. “Lembrando que a via da exportação que poderia ser uma alternativa de manter o volume não é viável por conta dos argumentos já citados.”

Para ele, não devemos repetir os entrevas sofridos para poder competir em igualdade de condições, mas é importante advertir que além dos preços subsidiados, percebe-se uma crescente participação de empresas chinesas instalando-se no Brasil e intermediando operações de compra e venda para clientes brasileiros, “o que nos assusta, pela capacidade que terão de transmitir subsídios também na distribuição.”

A demanda por motocicletas deve permanecer aquecida a exemplo dos últimos cinco anos. A informação é do diretor do Simefre, Hilario Kobayashi. Segundo ele, a projeção de produção para 2025 é de 1.950.000 unidades, um crescimento de 11,5% em relação a 2024.

O resultado, embora significativo, é menor que o recorde registrado em 2011, com a produção de 2.1 milhões de unidades. A expectativa, de acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), é que a produção volte a superar 2 milhões de unidades em 2026, o que, na opinião de Kobayashi, demonstra a resiliência do setor.

Kobayashi ressalta que o mercado de baixa cilindrada continua sendo mais efetivo, representando mais de 78% da produção. De janeiro a outubro, o setor registrou crescimento de 14% na relação com o mesmo período do ano passado. Modelos como a Fazer FZ25 ou Factor 150, permanecem liderando o mercado nacional, impulsionados pela demanda por mobilidade ágil, menor custo de aquisição e uso da motocicleta como ferramenta de trabalho. “Esse segmento atende consumidores que buscam economia e praticidade. Fatores como acesso ao crédito, custo-benefício e confiabilidade do produto são fundamentais para a decisão desse consumidor”, explica.

O mercado de alta cilindrada, por sua vez, representa uma fatia menor de mercado, cerca de 2,6% da produção, mas possui um público fiel e exigente, que busca desempenho e exclusividade. Segundo o diretor do Simefre, esse nicho tem se mantido estável em relação ao ano de 2024, acompanhando tendências globais e reforçando seu papel estratégico para as fabricantes, por oferecer maior valor agregado e funcionar como indutor de novas tecnologias no mercado brasileiro. “Um exemplo é o lançamento da Yamaha Ténéré 700, cuja pré-venda se esgotou em apenas 25 minutos, evidenciando a força desse segmento para inovação e experiência do produto.”

Quando o assunto é inovação, é impossível não falar de Inteligência Artificial. A IA começa a ser incorporada em processos de desenvolvimento e gestão, trazendo ganhos em eficiência, qualidade e inovação, inclusive em termos operacionais. A evolução desse mercado passa também pela geração de empregos.

Em 2025 são 20.500 empregos diretos, e até setembro, foram 1.800 novos postos de trabalho gerados pelo setor de duas rodas no ano.

A expectativa também é positiva nas exportações, o que para o diretor do Simefre, demonstra a competitividade da indústria brasileira no mercado externo. No acumulado do ano, as exportações somaram 35.058 unidades, apresentando alta de 30,7% em comparação com o mesmo período de 2024.

Mas a indústria também está atenta à questão da segurança. O diretor reforça a importância de políticas públicas e soluções tecnológicas para mitigar riscos e proteger consumidores. “O setor está aberto ao diálogo com autoridades e entidades competentes para colaborar na redução da violência urbana.”

Para ele, o setor de duas rodas segue como protagonista na mobilidade brasileira, não apenas pela eficiência, mas também pelo papel relevante na inclusão socioeconômica. “A motocicleta é uma alternativa acessível que amplia oportunidades de trabalho e renda, especialmente em serviços de entrega e deslocamento urbano. A Yamaha permanece comprometida com inovação, qualidade e soluções que atendam às necessidades do consumidor, acompanhando as transformações do mercado e contribuindo para um futuro mais conectado e sustentável.”

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