Indústria mundial está estagnada e no Brasil tem queda

Diferença de desempenho está no setor automobilístico e de equipamentos elétricos.

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Indústria de eletroeletrônicos (foto Senai)
Indústria de eletroeletrônicos (foto Senai)

A indústria mundial está estagnada. Essa é a conclusão do relatório, do 2º trimestre desse ano, publicado pela United Nations Industrial Development Organization (Unido). No 2º trimestre de 2023, tal como no 1º trimestre, a produção manufatureira global registrou variação de -0,1% em relação ao trimestre anterior, já descontados os efeitos sazonais. Juntos, estes dois trimestres anularam o pouco que o setor havia crescido no último quarto do ano passado (0,2% no 4º trim/22).

Segundo o estudo, em comparação com o mesmo período do ano passado, a indústria de transformação mundial apresentou uma taxa positiva de crescimento, que chegou a 1,8% no 2º trimestre de 2023 depois da virtual estagnação do 1º trimestre desse ano (0,1%). Mas esta melhora na comparação interanual, de acordo com o relatório, se deve basicamente a um efeito estatístico.

No 2º trimestre de 2022, uma onda adicional de contágio pela Covid-19 e a então política de tolerância zero do governo chinês comprometeram o desempenho da indústria na China, gerando, agora, uma base de comparação muito baixa, que ajudou na obtenção da alta de 6,8% no 2º trimestre desse ano.

Segundo a Unido, as economias industrializadas de alta renda ainda são o principal freio da produção industrial no mundo, ainda que a situação não seja necessariamente das melhores nos demais países.

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Frente ao período imediatamente anterior, a manufatura das economias industrializadas de alta renda não saiu do lugar: 0%, com ajuste sazonal, após dois trimestres seguidos de recuo. A rigor, não há crescimento industrial neste grupo de países desde o início de 2022, quando eclodiu a guerra na Ucrânia. Frente ao mesmo período do ano anterior, o sinal foi novamente negativo: -1,5%.

No Brasil

De acordo com o relatório, a indústria de transformação brasileira, à exceção do imediato período após o primeiro choque da Covid-19 em 2020, quando um conjunto de medidas foram adotadas pelo governo para sustentar a atividade econômica, nem tem consigo crescer.

Indústria de bebidas (José Fernando Ogura, AEN-PR)
Indústria de bebidas (José Fernando Ogura, AEN-PR)

Desde a segunda metade de 2021, quando as bases de comparação deixaram de ser tão favoráveis, que os resultados do Brasil vêm ficando abaixo dos da indústria mundial. A defasagem se manteve agora no 2º trimestre de 2023 frente ao mesmo período de 2022, quando nossa produção manufatureira recuou -1,5% ante a alta de 1,8% no agregado mundial, como visto anteriormente. Na margem, também ficamos estagnados.

Com esse resultado, a indústria brasileira ocupou a 68ª posição no 2º trimestre de 2023 no ranking de 112 países que o IEDI construiu a partir da base de dados trimestrais da Unido. No trimestre anterior, o Brasil havia ficado na 64ª posição.

De acordo com a Unido, um destacado fator por trás da diferença de desempenho da indústria de transformação do Brasil e do Mundo diz respeito aos ramos de maior intensidade tecnológica. A Unido pontua a liderança da alta e média-alta tecnologia no 2º trimestre de 2023, cuja produção avançou 3,5% ante o 2º trimestre de 2022, isto é, o dobro do agregado industrial no período, impulsionada pelo setor automobilístico e de equipamentos elétricos.

Já no Brasil, como mostra a Carta IEDI 1.225, a indústria de transformação de alta e média-alta intensidade tecnológica, juntas, recuaram -6,4% no 2º trim/23 frente ao mesmo período do ano anterior, notadamente sob a influência da média-alta (-7,6%), devido justamente a atividades que crescem no mundo, como veículos (-3,3%), máquinas e equipamentos (-8,2%) e máquinas e aparelhos elétricos (-14,7%), entre outros ramos.

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