Inflação da saúde

Em 30 de junho, esta coluna questionou os estratosféricos gastos dos planos de saúde e os aumentos com que os clientes têm que...

Em 30 de junho, esta coluna questionou os estratosféricos gastos dos planos de saúde e os aumentos com que os clientes têm que arcar para bancá-los. Nesta segunda-feira, o jornal espanhol El País, em sua edição brasileira, faz coro à crítica, na matéria “Se a inflação anual é de 2,71%, por que planos de saúde têm reajustes de 46%?” “Há uma falha de regulação. Os dados que temos não justificam um aumento tão expressivo nos valores cobrados”, argumenta na matéria Heron do Carmo, professor da USP e economista especializado em processos inflacionários. “Os dados aos quais se refere são do IPCA: nos últimos 12 meses, remédios e outros produtos farmacêuticos tiveram um aumento de apenas 5,12%, enquanto que os serviços hospitalares subiram 4,31%.” Nos últimos dez anos, mostrou a coluna, aplicado o índice anual autorizado pela ANS para planos individuais ou familiares, o aumento alcança 144%, praticamente o dobro da inflação no período (74% pelo IPCA). No segmento empresarial, principal motivo da matéria do El País, a alta foi muitas vezes maior.

A nota da coluna gerou reação da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que enviou resposta, sem porém acrescentar qualquer dado que esclarecesse os elevados reajustes e altos custos repassados para os consumidores, apenas confirmando o escandaloso percentual de desperdícios e desvios – número, aliás, revelado pela própria presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz. Ao jornal espanhol, a Federação alinha alguns argumentos: “Em 2016, o número de procedimentos cresceu 6,4%, totalizando 1,5 bilhão. Ao mesmo tempo, o segmento perdeu 2,7 milhões de clientes em dois anos. José Cechin, diretor-executivo da FenaSaúde, admite que esta queda não é a principal explicação para maiores aumentos de mensalidades, mas acredita que há um risco de que cada vez mais pessoas abandonem seus planos e a cobertura se elitize, aumentando por sua vez o risco de colapso do próprio setor. Esta tendência, ele explica, vem deixando as empresas em ‘polvorosa’. ‘Mas se o preço da ressonância magnética aumenta 20% e a quantidade de exames em 25%, o efeito combinado disso é um aumento de quase 50% na despesa. E é esse o valor que está embutido nos aumentos’, explica.”

Em outras palavras, os aumentos de despesa são passados diretamente para o consumidor e as operadoras não assumem riscos, segundo avalia Mario Scheffer, da USP”, continua o El País – tese defendida em 30 de junho por esta coluna. Fica difícil explicar por que a ressonância – para ficar no exemplo mencionado – teve alta tão expressiva; mais complicado ainda é justificar a alta de 25% no número de exames. Isto deve ir para a conta de desperdício e desvios, e para o bolso do cliente.

A matéria de El País finaliza citando as ameaças aos consumidores de planos e seguro saúde que pairam no Congresso Nacional. Mostra que operadoras e seguradoras doaram, em 2014, quase R$ 55 milhões a 131 candidatos – inclusive o atual ministro da Saúde, Ricardo Barros.

 

Código de Infrações

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) recebe a partir desta terça-feira contribuições para a Consulta Pública 65, que propõe um novo sistema de fiscalização para os planos de saúde. O objetivo alegado é tornar as atividades mais eficientes, mas alterações propostas, por exemplo, na aplicação das penalidades não parecem beneficiar o consumidor.

A nova norma contempla ações e medidas para induzir à efetiva mudança de comportamento das operadoras em favor dos beneficiários de planos de saúde”, explica Simone Sanches Freire, diretora de Fiscalização da ANS.Quyem quiser participar: www.ans.gov.br/participacao-da-sociedade/consultas-e-participacoes-publicas/consulta-publica-65-nova-fiscalizacao-e-codigo-de-infracoes-no-ambito-da-saude-suplementar-ciss

 

Primeiro emprego

O LinkedIn, adquirido pela Microsoft em 2016, apresentou um crescimento na preferência de quem procura uma colocação no mercado de trabalho, segundo uma pesquisa realizada pela Companhia de Estágios. A plataforma vem se consolidando e já ultrapassou o Facebook, que ocupava o primeiro posto no ano passado.

 

Rápidas

A FGV Direito Rio organiza o V Colóquio Brasileiro de Direito Administrativo da Regulação, que discutirá “Regulação e Inovações no Sistema Financeiro” *** O projeto Domingo de Brincadeira do Caxias Shopping (RJ) apresenta dia 20 o espetáculo Era uma vez, outra vez… *** Daniela Bogoricin (@danibogoricin) é a nova diretora de estratégias de marcas do Twitter Brasil.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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