A inflação oficial (IPCA) de outubro, que será divulgado nesta sexta-feira, deverá ficar em 0,30%, com variação 12 meses em 4,88%. A projeção é de Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos.
Se confirmado, o número será ligeiramente acima do IPCA mensal de setembro (0,26%). Angelo atribui a aceleração à alimentação no domicílio, que pode apresentar alta de 0,23% ante deflação 1,02%.
“Alimentos in natura e carnes deixaram o sinal deflacionário, e esperamos que apresentem alta de 1,66% e 0,85%, respectivamente. Outra pressão altista, no mês, deverá vir do grupo higiene pessoal, principalmente pelo item perfume, que tem por padrão apresentar alta antes do desconto para a Black Friday”, explica a estrategista da Warren.
“Por fim, passagem aérea já conhecido no IPCA 15 de outubro, quando apresentou alta de 23,75%, também contribuirá para aceleração mensal.”
No lado oposto, a Warren antevê queda na gasolina, que deve apresentar variação de -1,30%, após alta de 2,80%. Desde 21 de outubro os postos de gasolina puderam repassar para os preços a queda de 4% nas refinarias anunciada pela Petrobras dia 19.
“Nossa coleta proprietária apurou que até o final do período de coleta do IPCA de outubro, metade do esperado (R$ 0,06 de R$ 0,12) já havia sido repassado para a bomba”, afirma Angelo. A Warren estima IPCA de 4,5% em 2023, abaixo do teto da meta, e 4,40% em 2024.
Núcleos da inflação em outubro
Em relação aos núcleos da inflação, que procuram captar a tendência dos preços, desconsiderando distúrbios resultantes de choques temporários, deverão apontar variação média de 0,3% no mês e 4,8% em 12 meses, acelerando em relação à variação de setembro de 0,21%.
Por outro lado, a inflação de serviços subjacentes, poderá atingir 0,15%, abaixo da média de 0,38% (que foi registrada nas últimas quatro leituras).
“Os olhares estão concentrados nesta medida, que tem exibido movimentos mais fracos de desaceleração, e esperamos que se intensifique até encerrar o ano em 4,8%. E, nas nossas contas, a medida dessazonalizada e anualizada de média móvel 3 meses da média dos núcleos poderá apontar número entre 2,5% e 3% na ponta”, finaliza a estrategista.
IGP-DI acelera, mas segue negativo no ano
O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 0,51% em outubro. No mês anterior, a taxa havia sido de 0,45%. Com este resultado, o índice acumula quedas de 4,40% no ano e de 4,27% em 12 meses. Em outubro de 2022, o índice havia caído 0,62% e acumulava elevação de 5,59% em 12 meses.
“Nesta apuração do IGP-DI, dois dos três índices componentes apresentaram aceleração. A taxa do índice ao produtor passou de 0,51% para 0,57%, enquanto o índice ao consumidor mostrou a maior aceleração, elevando a taxa de 0,27% para 0,45%”, explica André Braz, coordenador dos Índices de Preços da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O terceiro índice que compõe o IGP-DI, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), subiu 0,20% em outubro, ante 0,34% no mês anterior.
As commodities bovinos (de -6,22% para 8,33%) e cana-de-açúcar (de -0,14% para 2,30%) responderam por parte importante do resultado do IPA. No IPC, o setor de serviços predominou, com destaques para os aumentos nas passagens aéreas (de 8,46% para 24,87%) e no condomínio residencial (de 0,22% para 0,79%).
Núcleo do IPC e Índice de Difusão
O núcleo do IPC registrou taxa de 0,30% em outubro, ante 0,26% no mês anterior. Dos 85 itens componentes do IPC, 34 foram excluídos do cálculo do núcleo. Destes, 22 apresentaram taxas abaixo de 0,02%, linha de corte inferior, e 12 registraram variações acima de 0,62%, linha de corte superior. O índice de difusão, que mede a proporção de itens com taxa de variação positiva, ficou em 52,58%, 7,42 pontos percentuais acima do registrado em setembro, quando o índice foi de 45,16%.
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