Inflação em queda leva indústria a cobrar queda dos juros

Rio Indústria reconhece que inflação ainda está acima do teto da meta do Banco Central, mas alerta que juros derrubam produção.

739
(Reforma tributária) trabalhador com capacete amarelo na industria com tablet
Trabalhador na indústria com tablet (foto de Miguel Ângelo, CNI)

A desaceleração da inflação, para 0,09% em outubro (IPCA), o menor índice para o mês desde 1998, reforça um cenário de estabilidade de preços que pode favorecer o ambiente econômico e a previsibilidade para o setor produtivo, avalia a Rio Indústria.

“O resultado, abaixo do esperado pelo mercado, indica o efeito positivo da redução nas tarifas de energia elétrica, um fator de grande impacto nos custos industriais”, analisa a entidade. Ainda assim, a Rio Indústria pondera que a inflação acumulada em 12 meses, próxima ao teto da meta do Banco Central, requer cautela, especialmente diante das variações de preços em alimentos e insumos estratégicos.

Por outro lado, a entidade destaca que a atual taxa de juros da economia brasileira segue sendo um dos principais entraves ao avanço da indústria.

“A Selic elevada aumenta de forma significativa os custos de produção, encarece o crédito e inibe investimentos em ampliação e inovação. Diante do cenário de estabilidade inflacionária, esperamos que o Banco Central adote uma postura mais favorável à redução da taxa básica de juros, criando condições reais para o crescimento sustentável do setor produtivo e da economia como um todo”, avalia a Rio Indústria.

Espaço Publicitáriocnseg

A entidade lembra que a produção industrial brasileira recuou 0,4% em setembro, segundo o IBGE, o que elimina parte do avanço registrado em agosto. Para a Rio Indústria, o resultado reforça a necessidade de medidas que estimulem a atividade produtiva e ampliem a competitividade do setor, que ainda opera 14,8% abaixo do pico histórico de 2011.

Apesar do recuo, o crescimento de 2% na comparação anual e a alta de 1,5% no acumulado de 12 meses demonstram uma trajetória de recuperação moderada, mas consistente.

O IPCA acumula alta de 4,68% em 12 meses, abaixo dos 5,17% registrados no período anterior e rompendo, pela primeira vez em oito meses, o patamar de 5%. Apesar disso, o índice permanece acima do teto da meta de inflação definida pelo governo, de 4,5%, considerando a meta central de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual.

Leia também:

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg