Inflação nos EUA atinge o maior valor em 41 anos

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Joe Biden (Foto: Zheng Huansong/Ag. Xinhua)
Joe Biden (Foto: Zheng Huansong/Ag. Xinhua)

Divulgado hoje, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos EUA apontou que a inflação no país bateu 9,1% (ante 8,8% esperados pelo mercado), no acumulado de 12 meses encerrados em junho. Foi o maior nível para o período em 41 anos. Ante maio, a alta foi de 1,3% (mais que o 1,1% esperado pelo mercado).

Para Felipe Sichel, sócio e economista-chefe do Banco Modalmais, o índice teve leitura acima do esperado tanto no headline como na leitura subjacente (0,7% em comparação com a expectativa de 0,5%).

“Tanto o headline como a composição do índice são bastantes negativas para a trajetória da inflação nos EUA.”

Resultados preliminares do PIB americano entre os meses de abril a junho apontam para uma contração da atividade econômica. Enquanto isso, o Fed está considerando que taxas acentuadamente mais altas podem ser necessárias para conter a inflação.

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que a inflação caia para 2% apenas no final de 2023, e a atividade econômica desacelere de 3,5% no primeiro trimestre deste ano para 0,6% no final de 2023.

Na visão de Fábio Fernandes, diretor de Comunicação da associação de consumidores Consumer Choice Center (Centro de Escolha do Consumidor), uma recessão nos EUA nos próximos meses é inevitável visto os indicadores econômicos.

“O primeiro indicador é o preço do combustível, que vêm subindo todos os meses, e embora os preços variem de acordo com o estado, alguns consumidores estão gastando mais que o dobro na hora de abastecer seus veículos. Cerca de 30% dos postos nos EUA estão vendendo gasolina com preço acima de US$ 5 por galão. Nós sabemos que toda vez que o preço do combustível nos EUA subiu duas vezes no mesmo ano, o país enfrentou uma recessão dentro de 12 ou 18 meses”, disse.

Ainda de acordo com ele, “outro indicador importante é o Produto Interno Bruto, e, de acordo com algumas estimativas iniciais, a economia dos EUA encolheu nos três meses de abril a junho. Adicione isso ao declínio de janeiro a março, e temos uma contração por dois trimestres seguidos, o que tecnicamente caracteriza uma recessão”.

“Um último indicador importante é a taxa básica de juros. Com uma inflação anualizada de 8,6% em maio, o Fed não terá alternativa outra que aumentar vigorosamente a taxa básica de juros. Estimamos que um aumento de 0,5% ou 0,75% na taxa de juros overnight provavelmente seria apropriado para a próxima reunião do Fed no final deste mês, mas a consequência desse aumento seria dura e elevaria a taxa de desemprego. Infelizmente as coisas que realmente reduziriam a inflação não estão na agenda do Governo Biden”, concluiu.

O índice do dólar, que mede a moeda em relação aos seis principais pares, caiu 0,09%. A libra esterlina saiu fortalecida depois que o Escritório de Estatísticas Nacionais disse que o Produto Interno Bruto do Reino Unido cresceu 0,5% em maio, após um declínio de 0,2% em abril, superior às estimativas do mercado. A libra subiu para US$ 1,1903, de US$ 1,1898 na sessão anterior.

No final do pregão de Nova York, o euro subiu para US$ 1,0063, depois de ficar praticamente em paridade com a moeda norte-americana.

Matéria atualizada às 19h27 para inclusão do fechamento da cotação do dólar.

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