Inflação oficial tem leve queda em outubro apesar da alta das passagens aéreas

Gasolina ajuda a segurar preços, mas alimentação registra alta após 4 quedas seguidas

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Posto de combustíveis
Posto de combustíveis (Foto Rovena Rosa - ABr)

A inflação oficial (IPCA) do Brasil foi de 0,24% em outubro, após a alta de 0,26% no mês anterior. O maior impacto veio dos preços das passagens aéreas, que subiram 23,70% na comparação com o mês anterior. Esse item já vinha de uma alta de 13,47% em setembro.

No ano, a inflação oficial acumulada do país é de 3,75% e, nos últimos 12 meses, de 4,82%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE.

O resultado veio abaixo do esperado por analistas do mercado financeiro. Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, estimava que a inflação oficial ficaria em 0,30%, com variação 12 meses em 4,88%.

“É o segundo mês seguido de alta das passagens aéreas. Essa alta pode estar relacionada a alguns fatores como o aumento no preço de querosene de aviação e a proximidade das férias de fim de ano”, explica o gerente da pesquisa, André Almeida.

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Andréa Angelo analisou o resultado: “A leitura do IPCA de outubro trouxe surpresa baixista espalhada e mostrou abertura qualitativa boa nos núcleos e nas principais medidas de serviços. Destacamos que a média dessazonalizada e anualizada dos núcleos (EX0, EX1, EX2 e EX3) nos últimos três meses está em 3%, no centro da meta de inflação.’

A estrategista da Warren destaca o bom desempenho da inflação de serviços e os núcleos arrefecendo mais rápido que esperado. “A métrica de difusão [medida que mostra o percentual de itens com aumentos de preços] também veio melhor que esperado.”

“Entre as surpresas baixistas, destacamos transporte por aplicativo, higiene pessoal – suspeitamos que possa ter antecipação dos descontos de Black Friday – e automóveis. Somados justificam nosso erro de -6 bps nesta divulgação. Por outro lado, alimentos in natura, especialmente as frutas e tubérculos trouxeram surpresa altista”, explica Angelo.

“Para frente, vemos risco baixista na nossa projeção de 2023, que está em 4,5%, em razão da possibilidade de reajuste, de queda, da gasolina. Para 2024, seguimos com projeção de 4,4%”, finaliza.

Inflação oficial mostra queda na gasolina e alta em alimentos

Oito dos nove grupos de produtos e serviços investigados pela pesquisa tiveram inflação. Dentre eles, os destaques foram transportes (0,35%) e alimentação e bebidas (0,31%), que têm maior peso no índice.

“A gasolina é o subitem de maior peso entre os 377 da cesta do IPCA. A queda em outubro foi o maior impacto negativo no índice (-0,08 p.p) e contribuiu para segurar o resultado do grupo de transportes”, diz o gerente.

No grupo de alimentação e bebidas, que vem de quatro deflações consecutivas, a alimentação no domicílio subiu 0,27%. A alta foi impulsionada pelo aumento nos preços da batata-inglesa (11,23%), da cebola (8,46%), das frutas (3,06%), do arroz (2,99%) e das carnes (0,53%).

“O arroz acumula alta de 13,58% no ano. Esse resultado é influenciado pela menor oferta, já que ele está no período de entressafra e houve maior demanda de exportação. No caso da batata e da cebola, a menor oferta é resultado do aumento de chuvas nas regiões produtoras, que prejudicou a colheita”, explica André.

INPC tem alta de 0,12% em outubro

A alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) foi de 0,12% em outubro, próxima à registrada no mês anterior (0,11%). O índice acumula aumento de 3,04% no ano e de 4,14% nos últimos 12 meses. Os produtos alimentícios subiram 0,23% em outubro, após a queda de 0,74% em setembro. Já os preços dos não alimentícios variaram 0,09%, abaixo do registrado em setembro (0,38%).

O IPCA abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, enquanto o INPC, as famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. O próximo resultado dos índices, referentes a novembro, será divulgado em 12 de dezembro.

Índice da Construção avança no mês mas tem queda em 12 meses

O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) registrou uma variação de 0,14% em outubro, o que representa um aumento de 0,12% em relação ao mês de setembro (0,02%). Nos últimos 12 meses, há uma alta de 2,44%, resultado que é abaixo dos 2,68% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. O índice de outubro de 2022 foi de 0,38%.

O custo nacional da construção, por metro quadrado, que em setembro fechou em R$ 1.713,87, passou em outubro para R$ 1.716,30, sendo R$ 998,35 relativos aos materiais e R$ 717,95 à mão de obra.

A parcela dos materiais ficou próxima da estabilidade, com taxa de 0,02%, subindo 0,24 ponto percentual em relação a taxa de setembro (-0,22%). Considerando o índice de outubro de 2022 (0,04%), houve queda de 0,02 ponto percentual.

A mão de obra, com taxa de 0,31%, registrou queda de 0,05 ponto percentual em relação ao índice de setembro (0,36%). Com relação a outubro de 2022, houve queda de 0,57 ponto percentual (0,88%).

Nos dez primeiros meses deste ano, os índices acumulados foram de -0,29% (materiais) e 5,88% (mão de obra). No acumulado dos últimos 12 meses ficou em -0,21% (materiais) e 6,34% (mão de obra), respectivamente.

Matéria atualizada às 10h58 para inclusão de comentário de Andréa Angelo

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