35.5 C
Rio de Janeiro
domingo, janeiro 17, 2021

Inflação

Diante da quantidade de aumentos concedidos às privatizadas empresas de energia e telecomunicações, além de administradores de pedágios, um arguto leitor dessa coluna comentou: “A inflação só não existe para quem não faz parte do grupo de privatizadas; para esta, tem dólar, correção monetária etc. Acho até que devem ter reinventado a ORTN.”

Queima
“Diferentemente do que aconteceu ao final da década de 1970, quando a dívida em dólar das estatais foi assumida pelo Tesouro Nacional, a estatização do débito externo privado em curso vem sendo realizada mediante parceria entre o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central, com o aval do Ministério da Fazenda do Brasil.” A análise é da economista e pesquisadora Ceci Juruá. Ela explica, em artigo, que o modus operandi é a “queima, pelo Banco Central, das reservas internacionais e o aumento da dívida pública externa junto aos investidores estrangeiros e junto ao próprio FMI”. Esse procedimento permite que o Banco Central ofereça dólares subsidiados ao setor privado para que ele resgate seus compromissos externos.
“Sem esta intervenção, em conjunturas críticas como a atual, o lógico seria que as forças do mercado atuassem no sentido da desvalorização cambial sempre que houvesse um movimento forte de evasão de divisas como o que está ocorrendo. Sem a intervenção do Banco Central no mercado de câmbio, a elevação do preço do dólar em situações de escassez de divisas funcionaria como um ensinamento do mercado, como um corretivo para os comportamentos de manada, como um freio à evasão de divisas”, conclui a economista e membro da ONG Attac/Brasil.

Lições
O livro sobre o crash de 1929 de John Kenneth Galbraith – um clássico publicado em 1954 – tem alguns exemplos interessantes para os tempos atuais; vejamos alguns:
– No início de 29, a Harvard Economic Society publicou uma previsão sobre as tendências do mercado; dizia que uma recessão estava superada. Após o crash, escreveram que uma “severa depressão” estava fora das probabilidades.
– Em novembro, o então presidente Herbert Hoover teve uma série de encontros com grandes investidores de Wall Street para assegurar confiança. Segundo Galbraith, tais encontros não aconteciam porque havia algo a ser feito, mas para dar a impressão de que algo estava sendo feito. Qualquer semelhança com reuniões convocadas por Geroge W. Bush não são mera coincidência.

Marinha
O livro De costas para o Brasil: A Marinha oceânica do Século XXI, do professor Eduardo Italo Pesce, colaborador do MM, pode ser encomendado e pago pelos Correios. Basta enviar vale postal no valor de R$ 25, nominativo ao autor, pagável na agência dos correios ACF P. M. Boulevard (código 50906844). Remeter em carta, com nome e endereço completo do remetente, para Eduardo Italo Pesce, Caixa Postal 25.128, Rio de Janeiro – RJ, CEP 20551-970. Membro do Instituto de Defesa Nacional (Iden) e do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), especialista em Relações Internacionais, Pesce defende uma mudança na posição do Brasil, que deve assumir seu lugar no mundo, “como potência média que aspira tornar-se uma grande potência no futuro”. Para isso, defende que o país precisa de uma Marinha capaz de representar seus interesses no exterior e evoluir para se tornar uma força naval oceânica.

Imagem ruim
O Colégio Brasileiro de Radiologia adverte que, dos 40 mil equipamentos de radiologia e diagnóstico por imagem em uso no Brasil, a metade está atrasada tecnologicamente. Com o dólar valendo o que vale no momento a situação tende a piorar. Nesta atividade, insumos e máquinas têm os preços dolarizados.

Rio 2007
A escolha do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Pan-Americanos de 2007 comprovou que mais vale um belo lobby do que colocar índios e passistas para tentar impressionar os delegados que escolhem os locais onde se realizarão olimpíadas e outros eventos. E os cariocas agradecem que, desta vez, o deputado Ronaldo Cézar Coelho (PSDB) está empenhado em campanha de reeleição.

Artigo anteriorA pique
Próximo artigoSombra e água fresca
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Grande produtor rural não paga impostos

Agronegócio alia força política a interesses do mercado financeiro.

Não foi a disrupção que derrotou a Ford

Mercado de automóveis está mudando, mas montadora sucumbiu aos próprios erros e à estagnação que já dura 6 anos.

Quantas mortes pode-se debitar na conta de Bolsonaro?

Se índice de óbitos por Covid-19 no Brasil seguisse a média mundial, teriam sido poupadas 154 mil vidas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Varejo sente redução no auxílio e alta da inflação

Comércio ficou estável em novembro e quebrou sequência de recuperação.

Senado quer que Pazuello se explique

Pedido de convocação para cobrar ação do Ministério da Saúde no Amazonas.

Lenta recuperação na produção industrial dos EUA

Setor ainda está 3,6% abaixo do nível anterior à pandemia.

Realização de lucros em âmbito global

Bolsas europeias e os índices futuros de NY operam em baixa nesta manhã de sexta-feira.

Desaceleração deve vir no começo do primeiro trimestre

Novo pacote de estímulo fiscal, bem como o avanço da imunização, deve garantir reaceleração em direção ao final do período.