Inflação

Diante da quantidade de aumentos concedidos às privatizadas empresas de energia e telecomunicações, além de administradores de pedágios, um arguto leitor dessa coluna comentou: “A inflação só não existe para quem não faz parte do grupo de privatizadas; para esta, tem dólar, correção monetária etc. Acho até que devem ter reinventado a ORTN.”

Queima
“Diferentemente do que aconteceu ao final da década de 1970, quando a dívida em dólar das estatais foi assumida pelo Tesouro Nacional, a estatização do débito externo privado em curso vem sendo realizada mediante parceria entre o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central, com o aval do Ministério da Fazenda do Brasil.” A análise é da economista e pesquisadora Ceci Juruá. Ela explica, em artigo, que o modus operandi é a “queima, pelo Banco Central, das reservas internacionais e o aumento da dívida pública externa junto aos investidores estrangeiros e junto ao próprio FMI”. Esse procedimento permite que o Banco Central ofereça dólares subsidiados ao setor privado para que ele resgate seus compromissos externos.
“Sem esta intervenção, em conjunturas críticas como a atual, o lógico seria que as forças do mercado atuassem no sentido da desvalorização cambial sempre que houvesse um movimento forte de evasão de divisas como o que está ocorrendo. Sem a intervenção do Banco Central no mercado de câmbio, a elevação do preço do dólar em situações de escassez de divisas funcionaria como um ensinamento do mercado, como um corretivo para os comportamentos de manada, como um freio à evasão de divisas”, conclui a economista e membro da ONG Attac/Brasil.

Lições
O livro sobre o crash de 1929 de John Kenneth Galbraith – um clássico publicado em 1954 – tem alguns exemplos interessantes para os tempos atuais; vejamos alguns:
– No início de 29, a Harvard Economic Society publicou uma previsão sobre as tendências do mercado; dizia que uma recessão estava superada. Após o crash, escreveram que uma “severa depressão” estava fora das probabilidades.
– Em novembro, o então presidente Herbert Hoover teve uma série de encontros com grandes investidores de Wall Street para assegurar confiança. Segundo Galbraith, tais encontros não aconteciam porque havia algo a ser feito, mas para dar a impressão de que algo estava sendo feito. Qualquer semelhança com reuniões convocadas por Geroge W. Bush não são mera coincidência.

Marinha
O livro De costas para o Brasil: A Marinha oceânica do Século XXI, do professor Eduardo Italo Pesce, colaborador do MM, pode ser encomendado e pago pelos Correios. Basta enviar vale postal no valor de R$ 25, nominativo ao autor, pagável na agência dos correios ACF P. M. Boulevard (código 50906844). Remeter em carta, com nome e endereço completo do remetente, para Eduardo Italo Pesce, Caixa Postal 25.128, Rio de Janeiro – RJ, CEP 20551-970. Membro do Instituto de Defesa Nacional (Iden) e do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), especialista em Relações Internacionais, Pesce defende uma mudança na posição do Brasil, que deve assumir seu lugar no mundo, “como potência média que aspira tornar-se uma grande potência no futuro”. Para isso, defende que o país precisa de uma Marinha capaz de representar seus interesses no exterior e evoluir para se tornar uma força naval oceânica.

Imagem ruim
O Colégio Brasileiro de Radiologia adverte que, dos 40 mil equipamentos de radiologia e diagnóstico por imagem em uso no Brasil, a metade está atrasada tecnologicamente. Com o dólar valendo o que vale no momento a situação tende a piorar. Nesta atividade, insumos e máquinas têm os preços dolarizados.

Rio 2007
A escolha do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Pan-Americanos de 2007 comprovou que mais vale um belo lobby do que colocar índios e passistas para tentar impressionar os delegados que escolhem os locais onde se realizarão olimpíadas e outros eventos. E os cariocas agradecem que, desta vez, o deputado Ronaldo Cézar Coelho (PSDB) está empenhado em campanha de reeleição.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorA pique
Próximo artigoSombra e água fresca

Artigos Relacionados

Brics+ será gigante em alimentos e energia

Bloco ampliado desafia EUA rumo a nova ordem mundial.

Para combater Putin, adeus livre mercado

Teto para preço do petróleo é nova sanção desesperada do G7.

Inflação engorda lucros de bilionários de energia e alimentos

Fortunas dos ricaços desses 2 setores aumentaram US$ 1 bilhão a cada 2 dias desde 2020.

Últimas Notícias

Acusações de palhaça e possível ação da CVM fazem ação da TC desabar

Papéis chegaram a recuar mais de 25% no pregão desta quinta-feira.

Aqui, na terra, a coisa está preta

Por Paulo Alonso.

Setor público registrou superavit de R$ 358 bi em 2021

O setor público brasileiro registrou um superavit orçamentário de R$ 358 bilhões em 2021, resultado que deriva dos cerca de R$ 6,3 trilhões em...

Triste realidade

Em cada 4 bairros do Rio, 1 tem milicianos ou traficantes

Pré-candidatura de Ceciliano ao Senado ganha apoio na Região Serrana

Prefeito do PSB vira as costas para candidato do partido.