Influenciadores como canais de mensagem, criação de marcas e mais: as tendências da creator economy em 2024

Mercado global da economia dos criadores de conteúdo vale atualmente cerca de US$ 250 bilhões e pode chegar a US$ 480 bilhões até 2027 Por Enzo Moreira

112
influencer

O escritor estadunidense Chris Anderson é responsável pelo lançamento do livro “A Cauda Longa”, em 2006. Na obra, o autor reflete sobre as novas dinâmicas em relação ao marketing e vendas, bem como descreve como a internet deu origem a um novo universo de possibilidades. Nos novos espaços digitais criados, a lógica de receita em um mercado pode ser alterada diante do aparecimento e fortalecimento de nichos. Ou seja, produtos específicos de menor volume — e voltados a públicos segmentados — podem fazer frente a um faturamento baseado em produtos no grande mercado, mesmo aqueles vistos como de grande sucesso. A lógica cunhada como “cauda longa” se reflete, na prática, em uma maior variedade de produtos e serviços para consumidores, maior oportunidade para criadores, além da criação de modelos de negócio mais sustentáveis.

É com base nessa lógica de mercado que a creator economy se fortalece, já que ela é formada por um ecossistema de negócios em que criadores produzem e compartilham conteúdos de forma independente nas plataformas digitais, sem intermediários. Esses creators, que têm um público segmentado e engajado, estão presentes em redes sociais, plataformas de vídeo e podcasts, por exemplo. Nesses ambientes, usufruem de mais autonomia, de acordo com os próprios interesses na abordagem do conteúdo, conseguem gerar receita diretamente com o público, bem como podem construir um engajamento autêntico com suas comunidades.

Na creator economy, um pequeno ou médio influenciador digital pode diversificar suas receitas e não precisa depender do mercado publicitário para faturar. É por isso que o segmento é valorizado continuamente e, de acordo com um levantamento recente da Goldman Sachs, o mercado global da creator economy vale atualmente cerca de US$ 250 bilhões. Segundo a estimativa divulgada pelo mesmo levantamento, as cifras do setor podem atingir US$ 480 bilhões até 2027. Neste ano, a creator economy tem algumas estratégias como tendências, com foco nos criadores de conteúdo e na criação de marcas.

O primeiro destaque fica por conta do aumento da pirâmide naquilo que se considera como influenciador. Ou seja, com o aumento da cauda longa devido ao aparecimento de novas oportunidades, as empresas estão passando a confiar mais em micro e nanoinfluenciadores, já que esses indivíduos, verdadeiros fãs da marca, conseguem passar a mensagem da companhia com autenticidade e proximidade aos seguidores. Nesse sentido, as marcas tendem cada vez mais a investir com recursos em produtores de conteúdo que se comunicam da forma mais adequada ao seu público-alvo e entendem as dinâmicas do mundo digital.

Espaço Publicitáriocnseg

Além disso, é importante evidenciar a importância do influenciador como um canal de mensagem. Se tempos atrás empresas precisavam despender um grande valor para transmitir um conteúdo específico, atualmente muitas delas compreendem o papel dos influenciadores digitais nesse processo de comunicação e engajamento. Em outras palavras, partindo da premissa que as pessoas não costumam estar dispostas a criar um relacionamento com uma marca — mas sim com as pessoas que elas acompanham constantemente —, faz bastante sentido que as empresas estejam dando mais atenção à função dos creators nesse processo de comunicação e aproximação.

A criação de marcas pelos grandes influenciadores digitais também é uma tendência atual importante dentro da creator economy. Um exemplo claro disso é o lançamento da marca Guday ao lado da influenciadora digital Manuela Cit. Nessa lógica, com o lançamento de novos negócios, torna-se possível utilizar a audiência e o poder de influência na conversão de novos clientes. Os criadores de conteúdo já perceberam esse tipo de oportunidade e cada vez mais marcas surgem no mercado, visto que a longo prazo esses negócios podem ser até mais vantajosos do que o comum modelo de publicidade. Com a atenção correta a todos os pilares na elaboração, ter sucesso com um negócio voltado a bens de consumo é uma realidade cada vez mais perceptível.

Por último, mas nem por isso menos importante, é relevante destacar também a importância dos creators como coordenadores de redes sociais. Grandes empresas atualmente contam com criadores de conteúdo para a elaboração e condução de estratégias de comunicação. Muito disso se dá pelo conhecimento que essas pessoas têm do meio digital, afinal, ninguém melhor do que um creator para liderar estratégias para uma marca no ambiente on-line. Esses profissionais contribuem, portanto, com novas ideias, boas narrativas e uma abordagem de conteúdo mais adequada para cada plataforma e para os anseios da sociedade.

Em linhas gerais, a creator economy se fortalece continuamente como um mundo de novas oportunidades de negócios e empoderamento de criadores de conteúdo junto às comunidades. Além disso, ela também é responsável por viabilizar um ecossistema sustentável por meio da descentralização do modelo tradicional de comunicação e oferece uma maior diversificação de renda aos creators, fundamental nos tempos atuais. A creator economy é, em síntese, fundamental para o fortalecimento da economia digital como um todo.

Enzo Moreira é cofundador da Norte, empresa criadora de marcas junto a influenciadores.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui