INFLUÊNCIA DA CRISE IMOBILIÁRIA NOS EUA

Ibovespa desvaloriza 3,58%
Fortes perdas de fundos de hedge australiano agravam aversão global ao risco
Preocupações envolvendo os fundos hegde norte-americanos, atrelados ao segmento subprime (de alto risco), que vêm reportando, um atrás do outro, fortes perdas, afetou o desempenho das bolsas de todo o mundo culminando, no Brasil, com a queda de 3,58% do Ibovespa. Logo nos primeiros dez minutos do pregão desta quinta-feira, o principal índice de preços da Bovespa recuou 2%, chegando a cair até 5,9% durante a tarde, antes de fechar aos 53.893 pontos.
Com os temores, os investidores internacionais deixam os papéis de emergentes e se abrigam nos títulos do Tesouro dos EUA. Os tais “temores”, no entanto, não são totalmente especulativos. De fato, os indicadores norte-americanos não ajudaram. Quatro hedge funds australianos registraram fortes perdas (dois na quarta-feira e outros dois nessa quinta-feira), colaborando para “constrangimento” da liquidez financeira internacional.
Os pedidos de bens duráveis avançaram 1,4%, abaixo da expectativa dos analistas e, em junho, recuaram 6,6%. Em relação a junho do ano passado, a queda foi de 22,3%. Os analistas, de um modo geral, acreditam que a reação está sendo um pouco superdimensionada, e que esse cenário não se manterá.

“Exagerada”

Para o chefe de análise da Ágora Corretora, Marco Melo, o que está acontecendo é uma desvalorização “exagerada” por temor a uma desaceleração mais brusca na economia norte-americana, em função da deterioração do mercado imobiliário. Durante a tarde, Melo apostava na recuperação da bolsa ainda no pregão de quinta-feira, o que de fato começou a acontecer no final do dia.
Na avaliação de Álvaro Bandeira, economista-chefe da Ágora, é cedo para apontar uma mudança na tendência de valorização do real, alta da bolsa e risco país comportado. Por enquanto, os tremores se assemelham mais a um “ajuste pontual”. Ele lembra que a crise dos hedge funds norte-americanos se deu por conta da deterioração do mercado de alto risco (subprime). Para ele, os fundamentos gerais da economia global ainda estão bons, mas é difícil saber se ainda haverá um contágio maior. “No momento, o que se vê é uma realização de lucros em cima de aversão ao risco, sem que tenha havido mudança de fundamentos”.

Curtíssimo prazo

O economista Keyler Carvalho Rocha, também acredita se tratar de um movimento especulativo pontual de “curtíssimo” prazo. Segundo ele, o que se vê agora são investidores vendendo para embolsar lucros. Assim, para ele, tão logo os “ânimos se acalmarem, os investidores voltarão com mais força a comprar papéis brasileiros”.
O economista Alexandre Póvoa, da Modal Asset Management, destaca a alta volatilidade registrada pelo Ibovespa nos últimos três dias o que, em sua opinião, dificulta a definição se estamos diante de uma tendência de baixa, ou apenas um momento pontual de realização de lucros.
Mesmo assim, Póvoa acredita que há um limite para a queda do Ibovespa, já que diante da queda dos juros, os investidores institucionais brasileiros estão migrando para a renda variável, e isso vai segurar uma desvalorização mais abrupta. “Há um limitador claro. O difícil é avaliar qual será o ponto de inflexão”, afirma.

“Fuga da bolsa”

Diante da “fuga da bolsa”, os analistas acham difícil medir o impacto da divulgação de balanços do segundo trimestre deste ano no desempenho das ações. A Natura, por exemplo, que divulgou seus números, na quarta-feira à noite, desvalorizou 6,78%, a R$ 24,33.
A Suzano Papel e Celulose informou pela manhã que registrou lucro líquido de R$ 172,084 milhões no segundo trimestre de 2007, 66,5% maior que o ganho de R$ 103,349 milhões verificado no mesmo período de 2006.
Outra que divulgou o balanço na quinta-feira foi o Grupo Oi, com lucro líquido de R$ 468 milhões, representando incremento de 65,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, o lucro líquido acumulado no primeiro semestre de 2007 totalizou R$ 810 milhões, 89,7% maior que o ganho de R$ 427 milhões obtido no mesmo período de 2006. Apesar dos bons resultados, os papéis das companhias sofrem e recuam mais de 2%.
A dimensões das quedas variam rapidamente, em um claro reflexo de que a volatilidade deve continuar dando o tom daqui para frente. Quedas abruptas abrem zonas de compra e fazem de quem especula no day-trade, mas também podem prejudicar os investidores menos experientes.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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