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quarta-feira, janeiro 20, 2021

Infraestrutura logística e o desenvolvimento no RJ

Projetos voltados para a retomada do desenvolvimento fluminense, em especial aos voltados à infraestrutura logística, fazem parte do encontro que reunirá especialistas em setores de transportes, construção naval e de óleo & gás durante o seminário virtual (Webinar) Logística e Desenvolvimento no Estado do Rio de Janeiro – LogD-RJ, a ser realizado no próximo dia 8, de 9h30 às 13h30. Também será debatido o desenvolvimento intermodal, de transportes e dos portos, aproveitando o grande potencial econômico do estado, inclusive no setor turístico,

Entre os participantes estão o engenheiro naval Nelson L. Carlini, o economista Marcos Poggi, o vice-presidente da Companhia de Desenvolvimento Rodoviário e Terminais do Rio de Janeiro (Coderte), Roberto Aroso, o empresário Rui Barreto Filho e o presidente do Conselho de Administração do cabo Frio Airport, Eduardo Valle. Com patrocínio do Cabo Frio Airport, do Grupo ICTSIRio Brasil e da Multiterminais, e apoio da Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro, da Câmara de Comércio Brasil-Chile, do Rotary Club, da Coderte e da Agência iNFRA. O seminário LogD-RJ contará ainda com a participação do secretário de Transportes do Estado, Delmo Pinho, do senador Carlos Portinho (PSD) e do deputado Hugo Leal (PSD), como convidados especiais.

Rui Barreto Filho, empresário que integra o Comitê de Comércio Exterior da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais do Estado do Rio de Janeiro, como representante da Associação Comercial (ACRJ), mostra que no momento em que a economia nacional se reposiciona graças às importantes reformas estruturais em curso no âmbito federal, é oportuno um exame do que já existe no Rio de Janeiro e pode ser reativado em curto prazo para apoiar a alavancagem da economia brasileira.

No Brasil, temos pelo menos cinco diferentes bitolas ferroviárias, e elas não estão integradas. Você diria que a integração da malha ferroviária, a partir da conexão das diferentes bitolas (seja a partir da implantação de um terceiro ou mesmo de quatro trilhos nas linhas, seja a partir da construção de estações de transbordo) seria uma iniciativa importante para desenvolver os transportes no país e reduzir custos da cadeia produtiva?

– A cadeia produtiva ganharia muito com um sistema ferroviário que se conecte com os portos. Como sabemos, toda a carga de café do Brasil é transportada por rodovia, o que é um absurdo, pois isso significa custo maior, mais poluição e menos segurança. Estamos falando de um movimento de carga gigantesco. Com a integração entre as ferrovias, quem mais ganharia seria o Brasil, e por óbvio o Porto do Rio de Janeiro, que é conhecido como o melhor do país, pelas condições geográficas, bem como a economia fluminense, com o aumento da arrecadação e a demanda por serviços relacionados à atividade portuária.

Como produtor de café do Sul de Minas, há muito você e a sua família tentam viabilizar um projeto relativamente de baixo custo, que seria o “terceiro trilho” integrando a malha de bitola mineira (1,435) do Sul de Minas, operada pela Ferrovia Centro-Atlântica, com a malha de bitola larga (1,6 metro), da MRS Logística no Estado do Rio, conectando diretamente ao Porto do Rio uma importante província de produção agropecuária. Discorra um pouco sobre este projeto. Quem ganha com ele? Alguém perde?

– A razão dessa luta, de interesse publico, é melhorar o escoamento da produção mineira, tornar o transporte da cadeia produtiva mais eficiente e menos oneroso para o produtor e o exportador. Nosso interesse é trabalhar para tirar as amarras que prejudicam a economia e seu desenvolvimento sustentável. É um absurdo o Rio de Janeiro não entender a importância de Minas Gerais como a sua principal parceira econômica, pelo tamanho da fronteira entre os dois estados, pela localização geográfica, o Porto do Rio é o porto natural de Minas. É por aqui que deveria estar sendo escoada grande parte da produção mineira, entre elas a de café. Todo o café exportado por Minas Gerais é transportado por rodovia, sendo que 50% ou mais de sua produção vão para o Porto de Santos, pela Rodovia Fernão Dias. O trecho de ferrovia que precisaria de uma integração de bitolas (cerca de 100 Km) é muito pequeno comparado ao tamanho das malhas ferroviárias dos dois estados e de sua importância para as economias mineira e fluminense. Os projetos podem ser desenvolvidos e pagos pela iniciativa privada, sem necessidade de dinheiro público. Acesso direto ao Porto do Rio, sem transbordo, significa redução de custos. Toda a cadeia produtiva sairia ganhando.

Quais poderiam ser os maiores aliados desse projeto e por que ele ainda não saiu do papel?

– Os estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro devem ser os maiores interessados, porque o projeto beneficiaria a economia de ambos. Até hoje, os interesses públicos não foram alinhados corretamente. Mas, neste momento, os projetos de infraestrutura ganham relevância dentro do eixo de retomada do crescimento econômico, e o debate volta a ser oportuno. O setor privado precisa ser melhor informado sobre o projeto, para também obter o apoio das regiões produtoras, das lideranças políticas e de governantes.

Em termos práticos e objetivos, de que forma as lideranças políticas e empresariais podem ajudar a viabilizar este projeto?

– Entender que o Porto do Rio é uma saída viável para o desenvolvimento do estado e do município. O Rio de Janeiro precisa aprender a trabalhar olhando o mar, é de lá que vem a sua maior riqueza, seja ela turística, mineral ou de viabilização portuária para o escoamento da produção do agronegócio. Os governantes do Estado, nas diferentes esferas, precisam entender que o porto não é essa viúva que acreditam que seja. Destruíram a Perimetral como se fosse um troféu ao desenvolvimento da região, que, apesar de todas as obras, continua degradada. Quase asfixiaram o acesso ao Porto com o fechamento de quatro de seus portões. A riqueza de um porto foi ignorada, um ativo esquecido como se fosse uma construção obsoleta que não gera riqueza e sim poluição visual. Esquecem que o Porto do Rio é o terceiro maior ente arrecadador de tributos do Estado, depois da Petrobrás (Reduc) e da CSN. É que por ele que a economia fluminense pode crescer e se desenvolver. Tiveram um olhar equivocado, na contramão do interesse público. Nossas lideranças empresariais precisam sair da zona de conforto e lutar pelo município e estado. Precisam cobrar nossos governantes.

O Porto do Rio é, pelas condições geográficas, o porto óbvio para os exportadores mineiros e mesmo do Centro-Oeste. Você acha que o desenvolvimento de projetos que visem uma maior integração ferroviária entre o Estado de Minas e o Estado do Rio de Janeiro deveria ser um dos eixos estratégicos da retomada do desenvolvimento econômico de nosso estado?

– A história comprova isso. Minas Gerais e Rio de Janeiro sempre estiveram juntos. São Paulo, por meio de incentivos políticos e econômicos, conseguiu atrair a produção mineira para o porto de santos, criaram impostos e taxas no Porto do Rio que fizeram com que toda a economia mineira fosse para Santos. O Porto do Rio sofreu grandes ataques. O primeiro deles foi a retirada do sistema de cremalheira que ligava Magé, no fundo da Baía de Guanabara, a Petrópolis e a toda a Região Serrana pela Estrada de Ferro Mauá. Até Magé (Porto de Estrela) o transporte era feito em embarcações, uma operação iniciada com Dom Pedro II, com a Companhia Imperial de Navegação. Esse trecho ferroviário, ligando a Baixada à Região Serrana e de lá até Minas, hoje também poderia estar trazendo parte a produção mineira da Zona da Mata até o Porto do Rio, além de poder ser explorado pelo turismo. Essas linhas férreas trariam o turismo de origem do interior para a região litorânea. Não tem como se opor a projetos como esse. Mas tudo depende da vontade politica.

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