Infância abandonada

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Unicef acabaram de lançar um livro em português com os resultados de pesquisa desenvolvida em 21 comunidades cariocas sobre o emprego de crianças e jovens no narcotráfico. O tempo médio de estudo das crianças e dos(as) jovens envolvidos/as com o narcotráfico no Rio é de 3,4 anos – a média nacional é de seis anos e a do Rio de Janeiro, de oito anos. São filhos (as) das famílias mais pobres da comunidade, geralmente migrantes. Caso cheguem ao cargo de gerente geral, podem receber até R$ 15 mil.

Mãos à obra
Com a posse já publicada no Diário Oficial da União, assim como a exoneração da antiga diretoria, os novos diretores do BNDES já estão trabalhando para devolver ao banco seu perfil de indutor do desenvolvimento nacional. Está quase certo que será feito um enxugamento na estrutura da instituição. O número de superintendências – inchado para 26 nas últimas gestões, pretensamente austeras – deve cair para algo entre 13 e 15, deixando o banco mais ágil. A diretoria deve ficar com a seguinte configuração: o vice-presidente Darc Costa acumulará as áreas de infra-estrutura e jurídica; Fábio Erber fica com o planejamento; Luiz Eduardo Melim com exportações; Márcio Henrique Monteiro com a área social e desenvolvimento urbano e regional; Maurício Borges Lemos com indústria; e Roberto Timóteo da Costa deve ficar à frente do BNDESPar e das áreas financeira e administrativa.

Caindo na real
A declaração do ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoini, reformulando seu conceito de “privilégio” no que diz respeito à aposentadoria dos militares fornece fortes argumentos para os que advertem que mudanças na Previdência não podem ser cometidas a toque de caixa. Na nota em que recuou do desejo de incluir os militares no regime único da Previdência, Berzoini admite que o regime especial das Forças Armadas “não constitui privilégio”, por derivar de determinações constitucionais democraticamente decididas. Além disso, reconhece que a aposentadoria dos militares brasileiros acompanha condições similares da maioria dos países, “face às singulares condições de trabalho” da categoria.
A mesma ótica e os mesmos argumentos se aplicam ao conjunto do setor público em países dos regimes políticos os mais distintos. Longe, portanto, de ser sinônimo de vacilação, o recuo do ministro deve ser saudado como uma demonstração emblemática de que o debate sobre o tema não pode ser reduzido ao caráter meramente fiscalista que lhe destinava o tucanato. Ou seja, para tratar do tema com radicalidade, o ministro ainda vai ter de qualificar, em muito, o debate.

Destino
Do deputado estadual Carlos Minc (PT) sobre as denúncias de desvio de verbas de US$ 30 milhões para contas no Discount Bank Trust Company, na Suíça. “A ex-governadora Benedita da Silva acabou com as super-inspetorias. Temos que apurar. Uma só pessoa não rouba US$ 30 milhões. Agora eu sei aonde foi parar o 13º salário dos servidores públicos estaduais: na Suíça”. Resposta do secretário estadual de Controle do Rio, Fernando Lopes: “O 13º salário não está na Suíça. O valor é apenas um pedacinho.”

Previdência
O ex-presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social (Anfip) Antonio Neto será o chefe de gabinete do Ministério da Previdência. Além da experiência na Anfip, Neto é auditor fiscal do INSS e amigo do presidente do Conselho Curador da Fundação Anfip de Estudos da Seguridade Social, Álvaro Sólon, futuro secretário-executivo da Previdência.

Posse
Luiz Pinguelli Rosa toma posse oficialmente na presidência da Eletrobrás nesta terça-feira, em cerimônia que será realizada na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), às 17h. A ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, estará presente.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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