Inglaterra entrega a Guaidó reservas de ouro da Venezuela

Ingleses continuam marionetes dos EUA.

Internacional / 20:18 - 3 de jul de 2020

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Como marionetes dos Estados Unidos, a Inglaterra e o seu Supremo Tribunal, ao decidirem que quem pode dispor das 31 toneladas de ouro retidas no Banco da Inglaterra é o líder da oposição venezuelana, colocam milhares de vidas em risco na Venezuela.

De acordo com o juiz Nigel Teare, Juan Guaidó é “inequivocamente” o “presidente interino constitucional” da Venezuela e é o seu governo ad hoc (para esta finalidade) que pode acessar estas reservas.

Após esta decisão, Calixto Ortega, presidente do Banco Central da Venezuela (BCV), escreveu no Twitter que “recorrerá imediatamente” da “absurda e insólita decisão de um tribunal britânico”, que prejudica os venezuelanos, escreve BBC.

“O BCV irá recorrer imediatamente da absurda e insólita decisão de um tribunal inglês que pretende privar o povo venezuelano do ouro tão urgentemente necessário para lidar com a pandemia de Covid-19”, afirmou na rede social.

O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) foi acusado de “pôr vidas em risco” após ter recusado um pedido da Venezuela para liberar mais de 800 milhões de libras esterlinas (R$ 5,2 bilhões) das reservas de ouro do país sul-americano atualmente retidas no Reino Unido.

Prisão

A Procuradoria Geral da República Bolivariana da Venezuela deu entrada em um processo criminal contra os participantes diretos da expropriação das reservas de ouro venezuelanas depositadas no Banco da Inglaterra.

Em coletiva de imprensa oferecida nesta sexta-feira, o procurador-geral Tarek William Saab disse que o Ministério Público solicitou à Corte competente a apreensão e congelamento de bens para os cidadãos que compõem as instituições que revogaram o direito de representar ilegalmente a Venezuela.

Essas pessoas são Ricardo Adolfo Villamil, Giacoma Cudish Cortesia, Manuel Rodríguez Armesta, Nelson Andrés Lugo e Carlos Andrés Suárez, todos membros do chamado Conselho de Administração ad hoc do Banco Central da Venezuela, uma entidade ilegal designada por Juan Guaidó.

José Gregorio Hernández, Irene de Lourdes Loreto e Geraldin Afiuni, membros do Gabinete ilícito do Promotor Especial, um órgão que não existe na lei venezuelana, também são processados. Essa entidade autorizou a participação de um escritório de advocacia dos EUA neste litígio, independentemente de toda a legalidade, disse o Procurador Geral.

Por fim, também são processados os falsos representantes da Venezuela nomeados por Juan Guaidó, que participaram da apropriação do ouro, sendo Vanessa Neumann, Julio Andrés Borges e Carlos Beccio, que são acusados dos crimes de traição contra a pátria, usurpação de funções e associação para delinque, explicou

Segundo William Saab, isso está registrado como mais um fato entre aqueles realizados pelo governo dos Estados Unidos para saquear os recursos da Venezuela. Um desses fatos também é a própria existência de Guaidó como um suposto "presidente encarregado", uma posição que não existe e nunca existiu na história constitucional do país.

Ele argumentou que o governo britânico faz parte desses planos americanos, sendo um dos braços armados dessa política.

O procurador-geral exemplificou o fato de que, no livro recentemente publicado por John Bolton, ex-Conselheiro de Segurança Nacional do governo dos EUA, já existem referências à decisão de não entregar ouro à Venezuela, impedindo-a de fazer importações.

William Saab acrescentou que a lei internacional afirma que nenhuma nação pode agir para mudar qualquer governo. No entanto, o próprio juiz que decidiu o ouro venezuelano argumentou em sua sentença que ele havia desistido da posição política do executivo britânico, que reconhece Juan Guaidó como "presidente encarregado".

Ele ressaltou que, ao contrário, o embaixador venezuelano no Reino Unido, por meio do qual as relações entre os dois países se desenvolvem, foi nomeado pelo presidente Nicolás Maduro. Da mesma forma, o embaixador britânico em Caracas apresentou suas cartas credenciais a Maduro, "o único presidente constitucional que a Venezuela tem", disse ele. "O Ministério Público inicia essas ações que, juntamente com outras realizadas pela Presidência e pelo Ministério das Relações Exteriores, têm o objetivo de reivindicar os direitos da nação bolivariana", concluiu o procurador-geral.

Banco português

Um grupo de estatais da Venezuela apresentou, no fim de junho, ação no Tribunal Judicial de Lisboa para recuperar junto ao Novo Banco um valor bloqueado de 1,35 bilhão de euros (cerca de R$ 7,7 bilhões).

O montante está relacionado a acordo firmado em 2010, durante a gestão do presidente venezuelano Hugo Chávez, entre o governo do país sul-americano e o banqueiro Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo, instituição financeira portuguesa salva da falência para dar lugar ao Novo Banco.

As estatais venezuelanas investiram 6,4 bilhões de euros (cerca de R$ 38 bilhões) nas empresas do Grupo Espírito Santo. Somente a petrolífera PDVSA teria 400 milhões de euros (cerca de R$ 2,374 bilhões) congelados no Novo Banco, tendo perdido ação movida no início do ano para conseguir movimentar a quantia.

Por mais de uma ocasião, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, exigiu que o Novo Banco Nove empresas entraram com a ação. O grupo é formado por oito companhias, entre elas o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela.

O Novo Banco justifica o congelamento dos ativos argumentando que não consegue identificar o beneficiário final das operações. Por questões de segurança, para não quebrar regras de prevenção de lavagem de dinheiro, a instituição não executaria as ordens de pagamento.

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