Insubordinação?

Ainda que em linguagem crua, o presidente Lula, ao descartar que preparasse um pacote de medidas antipopulares para o fim de seu mandato, definiu a função dos ajustes fiscais: “Geralmente, quando se fala em ajuste fiscal, se prepara algum tipo de sacanagem contra o povo.”
De fidelidade canina ao presidente durante esses cerca de oito anos, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, deveria ouvir mais o chefe, em vez de, preocupado em agradar ao mercado financeiro, sinalizar com ameaças repudiadas na campanha por candidatos e eleitores, por, como ensina Lula, serem, digamos, maléficas à maioria da população.

Vitória de Pirro?
Para o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM), o PMDB, mesmo indicando o vice-presidente, saiu menor das eleições: “Perdeu dez deputados federais, três governadores; perdeu o prefeito de Porto Alegre. Ganhou dois senadores – suplentes dos governadores eleitos do DEM.”
Nas contas de Maia, o PMDB ficou fora do jogo nos maiores estados – Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. E no Rio de Janeiro, onde reelegeu Sergio Cabral, obteve “uma vitória tática e uma enorme derrota estratégica”. Para o ex-prefeito, “o governador ajudou a ressuscitar o PT no Estado do Rio, que hoje, olhando para frente, se tornou mais forte que o PMDB”.
O resultado das eleições fluminenses teria também beneficiado o senador Crivella (PRB), reeleito, o senador eleito pelo PT Lindberg Farias e o ex-governador Garotinho, que deverá ter apoio de Crivella à candidatura da deputada eleita e filha Clarissa Garotinho a prefeita da Capital.

Nem tanto
Olhando melhor, porém, a análise de Cesar Maia é incompleta. No interior o candidato ao Senado pelo PMDB e presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Picciani conseguiu surpreendente votação. E menor mesmo ficou o DEM, que vai minguando a cada eleição.

Poesia
Com poemas de Liane dos Santos e fotografias de Krika Pujol, será apresentado nesta quinta-feira o espetáculo Delicadezas. Será a partir de 15h, na Biblioteca Popular Municipal do Irajá (Rua Monsenhor Félix, 512, Rio de Janeiro)

Vem pra Caixa?
Ao abrir uma conta na Caixa Econômica Federal, no Rio de Janeiro, um leitor deste jornal recebeu da gerente a recomendação de fazer o maior número possível de operações via Internet, alegando maior comodidade e a vantagem adicional de pagar tarifas mais baratas que as cobradas por movimentações nas agências e nos caixas eletrônicos. Desde o último sábado, porém, este mesmo leitor tenta, sem sucesso, fazer duas transferências online, porque não consegue acessar sua conta pelo site do banco. Já acreditando que o problema pudesse estar em seu computador, o correntista ligou na tarde desta terça-feira para a agência e obteve da atendente a confirmação de uma pane no sistema e a informação de que o banco “não tinha previsão” para normalizar o serviço. E aí pergunta o nosso leitor, incrédulo: “A Caixa vai bancar os prejuízos de quem perdeu prazos para pagamentos e deixou de efetuar transferências importantes?”

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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