Integração Sul-Americana

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No mês de agosto último, a diplomacia brasileira deu o primeiro passo concreto, visando a emprestar um sentido geral, unificador, à integração deste subcontinente que abriga mais de 340 milhões de habitantes.
A reunião da Cúpula Sul-Americana em Brasília deu início a medidas destinadas a criar um mercado econômico solidário, gerador de benefícios para cada um dos 12 países associados e capaz de se apresentar no jogo do comércio internacional como um bloco de maior peso.
Já tínhamos na América do Sul varias experiências integracionistas sub-regionais – Pacto Andino, Pacto Pan-Amazônico, Mercosul – mas faltava um esforço maior de integra-los numa entidade mais ampla e mais votada aos instrumentos econômicos de mercado comum. O êxito dessas medidas de estruturação de um mercado comum é que dará força a essa integração sub-continental, como aconteceu com o Mercosul, nossa melhor experiência no ramo. Estamos priorizando os aspectos econômicos dessa integração porque na conjuntura presente desfrutamos de valiosa harmonia política entre os nossos 12 países.
Não deixamos de reconhecer que esta harmonia e bom entendimento político hoje reinante em nossa sul-américa corre o risco de se deteriorar face às conseqüências que poderão advir da chamada Operação Colômbia. A montagem militar dessa Operação, visando o combate à produção e tráfico de drogas alucinógenas, envolvendo forças armadas da Colômbia e dos Estados Unidos, resultará, fatalmente na resistência bélica das organizações guerrilheiras colombianas – Farc e ELN.
Não é de se esperar uma guerra fácil ou curta. A violência dos choques promoverá, como vem acontecendo nos palcos de conflitos armados cruentos, a fuga da população da área, as imigrações de populações desvalidas, que tantas tragédias sociais vem causando na região dos Balkans e nas nações africanas.
Se houver emigrações de populações fugitivas, os “extra-comunitários como estão sendo chamados na Europa, os transbordamentos poderão se dar para o Brasil, Venezuela ou Equador, países vizinhos da Colômbia. O Brasil, com uma fronteira de 1644 quilômetros com a Colômbia não ficará imune das conseqüências deste Plano Colômbia. Por isto o representante do Ministério da Defesa, ouvido pela Comissão da Amazônia e Desenvolvimento Regional, da Câmara dos Deputados, deixou clara a posição do governo brasileiro de não admitir que o nosso território possa a vir a ser palco de combates com guerrilheiros perseguidos e de preservar a nossa fronteira contra invasões de qualquer natureza.
Os desdobramentos da “Operação Colômbia” constituem uma ameaça à harmonia política que hoje desfrutamos na América do Sul, e sem este clima de harmonia não se poderá avançar na almejada integração econômica idealizada pela Cúpula dos 12 em Brasília.

Carlos de Meira Mattos
General reformado do Exército e Conselheiro da ESG.

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