Inteligência Artificial no varejo é realidade e promove crescimento dos negócios

IA pode ser utilizada como uma espécie de prótese que aumenta a capacidade de decisão das empresas usuárias de CRM.

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robo de IA em um shopping
Inteligência artificial em shoppings (Foto: Unsplash)

Nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) tem sido uma das tecnologias mais promissoras e revolucionárias em diversos setores. No varejo, essa tendência não é diferente. Não à toa, 75% das empresas usuárias de Customer Relationship Management (CRM), ou seja, gestão de relacionamento com o cliente, estão em busca de explorar os recursos da IA, conforme apontam os dados da Freshworks Inc., desenvolvedora de soluções SaaS. Essa demanda crescente se dá pelo reconhecimento dos benefícios significativos que a tecnologia pode trazer para o setor varejista e, neste artigo, vou explorar de que maneira isso pode acontecer.

Ocorrer a substituição do serviço humano pode ser um receio, mas acredito que a melhor forma de tangibilizar seus benefícios é usarmos como uma espécie de prótese que aumenta as nossas capacidades. É como uma pessoa que, com a armadura do Homem de Ferro, se torna um herói. O que estamos às vésperas de ver é uma ampliação ainda maior entre os melhores operadores e os medianos. Os melhores vendedores saberão usar as recomendações de contato e converterão mais vendas, os compradores entenderão melhor o ciclo de venda e compra de cada produto e tornarão os estoques mais eficientes e, somando cada um desses benefícios, o varejo será brutalmente melhor, tanto para os vendedores e marca, quanto para o próprio consumidor.

A IA no varejo tem o potencial de transformar a maneira como as empresas interagem com seus clientes, realizam suas operações e gerenciam seus dados. Com algoritmos avançados e capacidade de aprendizado automático, ela consegue analisar grandes quantidades de dados, identificar padrões e tendências, além de executar previsões precisas. Isso permite que as empresas tomem decisões mais informadas e estratégicas, impulsionando o crescimento do negócio.

Uma das principais maneiras pelas quais o varejo está sendo revolucionado por meio dela é na experiência do cliente. Com a inteligência, as empresas são capazes de coletar e analisar dados sobre o comportamento de compra de cada cliente, incluindo preferências, histórico de compras e interações. Com base nessas informações, é possível criar recomendações personalizadas e oferecer ofertas exclusivas, aumentando a satisfação e impulsionando as vendas.

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É importante destacar que a aplicação no varejo se dará em toda a jornada do consumidor. Vamos vislumbrar aqui duas jornadas: a do produto e a do consumidor. O produto precisa ser concebido, por exemplo, em uma loja de vestuário feminino, pelo time de estilo. Esse pode ser beneficiado por uma análise profunda baseada em estatística e IA. Por exemplo: Quais são os produtos almejados nas redes sociais, quais as previsões meteorológicas e quais as citações sobre moda que mais reverberam nas redes. Depois disso, a equipe de compras pode, ainda baseada em uma análise profunda de dados, estabelecer para cada loja um melhor ciclo de compras, produção e distribuição. Isso, por si só, já muda a indústria, uma vez que o custo do produto pode representar entre 40% e 60% do valor de venda.

Seguindo o processo, com o produto na loja, é preciso vendê-lo. Os vendedores receberão sugestões de quais clientes têm interesse em quais peças e, como temos uma base vasta do histórico de consumo, essas recomendações são muito propensas à conversão. Essa já é a realidade e, em alguns casos, o CRM influencia 70% das vendas. Imagine o quanto isso muda a operação.

A IA também tem o potencial de melhorar a eficiência e a precisão dos processos de estoque e logística. Com algoritmos inteligentes, as empresas podem prever a demanda futura com maior precisão, otimizar o nível de estoque e melhorar a eficiência no transporte e na distribuição dos produtos. Isso resulta em uma redução significativa de custos e desperdícios, além de uma melhor gestão da cadeia de suprimentos.

Outro benefício importante no varejo é a capacidade de oferecer atendimento ao cliente 24 horas por dia, 7 dias por semana. Através de chatbots e assistentes virtuais, as empresas podem responder às perguntas dos potenciais compradores, fornecer suporte e solucionar problemas de forma rápida e eficiente, mesmo fora do horário comercial. Isso melhora a experiência do cliente, aumenta a satisfação e fortalece o relacionamento com a marca.

O que estamos prestes a ver é uma revolução em diversos segmentos, e o varejo será um deles. Os softwares de suporte para tomada de decisão, como o CRM, que antes resolviam problemas de processos de vendas, agora resolverão problemas de negócios e estarão intimamente ligados à venda. A capacidade de mudar o varejo através da inteligência artificial nem começou. A comunidade open source está diariamente criando modelos mais eficientes e, através de transfer learning (treinamento específico de grandes modelos para a realidade e especificidade de cada operação), as operações se beneficiarão do que construíram com uma estratégia de captura de dados responsável e disciplinada.

Estamos vivendo a terceira revolução do software. A primeira onda se deu com Bill Gates, no final da década de 70, criando o DOS e permitindo que os aficionados por tecnologia pudessem finalmente ter um personal computer. Embora o sonho de um computador na casa de cada americano tenha se tornado verdade, a realidade era diferente para os negócios. Apenas grandes corporações tinham acessos a softwares de tomada de decisão como ERP e CRM.

Foi quando começou a segunda era. Sindicalizamos os custos de infraestrutura através da nuvem e, tendo como marco, o IPO da Salesforce, há 20 anos. Desde então, as pequenas empresas começaram a ter, à sua disposição, softwares incríveis que as ajudaram a melhorar fundamentalmente suas operações.

Agora, veremos a sindicalização da inteligência coletiva. O quanto isso pode ser enorme? Saberemos qual a forma menos invasiva de abordar um cliente, considerando milhões de interações. Saberemos quais peças são aderentes a que clientes, encantando os mesmos e sendo mais assertivos. Qual e-mail mandar, para quem e quando.

Portanto, de forma alguma é surpreendente o dado de que 75% das empresas usuárias de CRMs estejam buscando explorar os recursos da Inteligência Artificial. Aqueles que investirem nessa tecnologia estarão na vanguarda da revolução do varejo, aproveitando as vantagens e benefícios que a IA pode proporcionar. Não é mais uma possibilidade distante, mas sim uma necessidade para se manter relevante e competitivo no mercado atual.

Raphael Carvalho é CEO da Spot Metrics, empresa de Inteligência de Dados que contribui para soluções de automação e inovação do varejo diante das mudanças do cenário mercadológico.

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