Interesse próprio

Nem sempre os interesses das multinacionais se casam com os dos países onde ficam suas sedes. A Exxon deseja que o governo norte-americano arquive petição de tarifa compensatória contra as importações de petróleo bruto de quatro grandes países produtores que estariam praticando dumping. Em carta ao secretario de Comércio, William M. Daley, o presidente do Conselho da Exxon, Lee R. Raymond, disse que sua companhia “se opõe, de forma inequívoca, à petição antidumping contra Venezuela, Arábia Saudita, México e Iraque”. E prosseguiu: “A Exxon está convencida de que os interesses dos produtores e consumidores dos EUA estarão melhor servidos em um ambiente de concorrência livre e aberta nos mercados mundiais de petróleo bruto, com o mínimo de intervenção por parte dos governos.” Quanto à intervenção do cartel do petróleo na concorrência, o presidente do Conselho da Exxon não fala. A demanda dos EUA por petróleo bruto é substancialmente superior a sua produção. A Exxon declarou que somente pode atender às demandas de seus clientes por meio da importação para refino nos EUA.

Neoficção
Em uma birosca localizada na Baixada Fluminense trava-se o seguinte bate-papo:
Um personagem:
– Se a globalização baseia-se na livre circulação de bens, serviços e dinheiro, porque não incluir a livre movimentação das pessoas no mundo todo, abolindo passaportes, vistos e otras cositas más?
Outro personagem:
– Ora meu amigo, os espertinhos de lá sabem que, se todos os que vivem nos países periféricos se movimentarem em direção aos países dominantes, eles vão perder a boca rica de explorar o mercado interno dos outros e, de lambujem, evitam as dificuldades que todos os excluídos que para lá migrarem carregam.

Acéfalo
Segundo o porta-voz da Presidência, embaixador Georges Lamaziere, o país não tem mais ministros. “Tirando os ministros da Fazenda e da Defesa, não tem mais ministro.” Pode-se então acrescentar mais uma contribuição do Governo para a crise brasileira: deixar o país 48 horas – ou mais – sem ninguém oficialmente à frente dos ministérios. Lamaziere, porém, se confundiu e não soube confirmar quantos ministros efetivamente colocaram seus cargos à disposição.
Decisão
Decidido como de costume, FH não anunciou ontem seu novo Ministério. A nomeação deve ficar para hoje – ou, quem sabe, amanhã. Nem o porta-voz da Presidência soube dizer se o anúncio será feito de uma vez só ou “pingado”. Depois de semanas sendo pressionado para substituir ministros do PMDB, FH parece disposto a mostrar “quem manda”. Aliás, quem é, mesmo?

Vox Dei
Apesar de claramente insatisfeito com o Governo Federal – na reunião dos governadores que se realiza hoje em Aracaju a palavra de ordem deve ser “prometeu, mas não cumpriu” -, Garotinho não quis bater  mais duramente em FH. Quando questionado sobre a pesquisa divulgada semana passada que mostra que a impopularidade do presidente FH passa de 54%, o governador do Rio de Janeiro apenas disse que “o povo tem sempre razão”.

Protesto
Os participantes da Previ/Banerj, funcionários da ativa e aposentados, fazem protesto hoje, a partir de 15 horas, na Rua do Carmo, 43, em frente ao prédio onde ficam as sedes da caixa de previdência do funcionalismo do banco e do Rioprevidência, criado pelo governo Anthony Garotinho. O objetivo é pressionar a Previ e o governo estadual a cumprirem a lei 2997, que estabelece o pagamento dos incentivos. Os participantes vão exigir também a solução de assuntos pendentes, como as aposentadorias por invalidez.

Massacre
Muito preocupados com os indígenas do Sul, os governos e ONGs da América do Norte vão ter que olhar o próprio umbigo durante a realização dos Jogos Pan-Americanos em Winnipeg (Canadá), a partir do dia 23. Uma tribo indígena Cree localizada em Cross Lake, Manitoba, 500 km ao norte de Winnipeg, pretende levar representantes da mídia – inclusive fornecendo passagens em vôos charter – para visitar sua reserva. Cerca de 1,2 milhão de hectares de terras dos Cree na região sub-ártica do Canadá foram inundadas ou tiveram seu acesso impedido pela construção de hidrelétricas no início dos anos 70, sem o consentimento dos indígenas. Uma recente investigação feita por um grupo de igrejas referiu-se à inundação das terras indígenas como “uma catástrofe ecológica e moral”.

Embalagem
Ao criticar a destruição das cadeias produtivas industriais, durante palestra na Escola Superior de Guerra, o economista João Manuel Cardoso de Mello, da Unicamp, referindo-se à indústria eletroeletrônica, uma das que mais sofreu com a abertura de mercado e a desnacionalização do parque industrial, disse que, no setor, de nacional, agora, “só se tem o cuspe do negão que empacota”, num esforço para colar a etiqueta.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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